CRESCEM CASOS DE CÂNCER EM ESTÁGIO AVANÇADO QUE CHEGAM AO SUS.

 

Crescem no Brasil os casos de câncer que já estão em estágio avançado no momento em que são descobertos. Foi o que identificou uma auditoria do Tribunal de Contas da União em um processo que fiscaliza a Política Nacional para Prevenção e Controle do Câncer.

Os dados mostram que 44% dos casos de câncer de mama que chegaram ao SUS em 2017 já estavam em estágios mais avançados. Ainda segundo o documento, os diagnósticos nas fases 3 e 4, que somavam 50% em 2013, subiram para 53% em 2017.

Esse retrato da realidade brasileira preocupa até mesmo quem trabalha com pacientes com câncer de mama há cerca de três décadas, como é o caso da médica mastologista Maira Caleffi e presidente da Federação Brasileira Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama.

"Cada vez mais se vê câncer avançado no momento do diagnóstico, quando deveria ser o contrário. Os auditores definem o aumento das mortes como diretamente proporcional ao número de doença avançada ao momento do diagnóstico."

Os auditores do TCU concluíram que o tempo médio para que a mulher realize a mamografia, após o pedido do médico, é de 63 dias.

Quase 17 mil brasileiras morreram em decorrência do câncer de mama em 2017, segundo o Datasus. A doença tem alto índice de cura se detectada em estágio inicial, mas não é o que ocorre no Brasil, segundo Maira.

Em vigor há seis anos, a lei 12.732/12 tem se mostrado uma ferramenta importante para quem precisa lutar na rede pública pelo tratamento de câncer. O artigo 2º diz que "o paciente com neoplasia maligna tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no SUS, no prazo de até 60 dias contados a partir do dia em que for firmado o diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso registrada em prontuário único".

A luta agora é para que o Senado aprove o projeto de lei 275/2015, já aprovado pela Câmara. O texto estipula limite de 30 dias para a realização dos exames necessários nos casos em que o câncer seja a principal hipótese do médico. "Com esse exame a paciente tem um poder por lei de ter o tratamento iniciado em 60 dias”.

"Quando a mulher finalmente faz a mamografia e vem alterada, os próximos passos são importantes e as dificuldades são variadas. Tem a dificuldade para conseguir fazer a biópsia, para agendar a consulta com o mastologista, e aí quando sai o resultado da biópsia de começar o tratamento."

Fonte: R7. 

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