ERROS MÉDICOS MATAM 6 PESSOAS POR HORA

Raquel Helena

ERROS MÉDICOS MATAM 6 PESSOAS POR HORA

Somados, os hospitais públicos e privados do Brasil registraram, em 2017, seis mortes, a cada hora, decorrentes dos chamados “eventos adversos graves”, ocasionados por erros médicos, falhas assistenciais, processuais ou infecções, entre outros fatores. Levantamento aponta que quatro desses óbitos poderiam ter sidos evitados com os procedimentos corretos.

O Brasil registrou sete mortes violentas intencionais por hora, o que mostra que os óbitos gerados por falhas em hospitais estão em um patamar próximo ao das mortes violentas. Outro parâmetro comparativo, o câncer mata de 480 a 520 brasileiros por dia, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). As doenças cardiovasculares são consideradas a principal causa de falecimento no Brasil e no mundo, ocasionando o óbito de 950 brasileiros por dia, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Os dados correspondem ao ano de 2017, e fazem parte do 2° Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar, feito pelo Instituto de Pesquisa FELUMA (Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais) e pelo IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar). Os autores destacam que o Anuário tem o objetivo de mensurar os problemas hoje vividos pelas estruturas de saúde e, a partir daí, sugerir medidas de aperfeiçoamento.

Entre os eventos adversos graves captados com mais frequência estão septicemia, pneumonia, infecção do trato urinário, infecção do sítio cirúrgico, complicações com acessos, dispositivos vasculares e outros dispositivos invasivos, lesões por pressão, erro no uso de medicamentos e complicações cirúrgicas, como hemorragia e laceração.

Além disso, segundo o estudo, cinco desses principais "eventos" não contam com algum programa de prevenção ou combate, seja no SUS ou na rede privada hospitalar. São eles: parada cardiorrespiratória prevenível, insuficiência renal aguda, aspiração pulmonar, hemorragia pós-operatória e insuficiência respiratória aguda.

As vidas perdidas, sem dúvida, são o principal motivo para combater os eventos adversos, mas segundo o Anuário, os eventos adversos consumiram R$ 10,6 bilhões do sistema privado de saúde.  

O Anuário foi calculado com uma amostra de 456.396 pacientes internados em hospitais da rede pública e privada ao longo de 2017. E como os dados foram coletados em municípios de grande porte e com o Índice de Desenvolvimento Humano acima da média nacional, "é possível que os números nacionais sejam maiores do que os encontrados", indica o documento. 

raquelhelenaadv@gmail.com

© 2009-2019. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.