Brasil

Homicídios de adolescentes e jovens caem 43% em áreas de atuação do “Fica Vivo!”

No Dia Mundial da Juventude, expectativa é positiva: oficinas são retomadas e programa deve receber recursos de R$ 10,5 milhões em 2022.

Os jovens compõem cerca de 16,5% da população brasileira. E eles têm atuado com mais expressão na construção de uma sociedade melhor, ocupando espaços públicos, se envolvendo com as políticas sociais, econômicas e culturais. Todo o esforço é comemorado neste Dia Mundial da Juventude (30/3). O protagonismo, no entanto, muitas vezes encontra barreiras na violência. Sobretudo jovens negros, que são aqueles que estão entre os grupos de maior vulnerabilidade social, ainda convivem com altos índices de mortalidade violenta em todo o país.

Em Minas Gerais, adolescentes encontram apoio do Governo do Estado para se distanciarem de ambientes de criminalidade e criarem oportunidades de novas trajetórias de vida. O premiado, e conhecido internacionalmente pela Organização das Nações Unidas (ONU), Programa de Controle de Homicídios – “Fica Vivo!”, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), atua para que os jovens se sintam mais otimistas com o próprio futuro e sejam capazes de buscar caminhos mais sólidos no mundo.

Criado em 2003, o “Fica Vivo!” foca na redução de homicídios de adolescentes e jovens de 12 a 24 anos, em áreas que registram maior concentração desse tipo de crime. O programa promove oficinas de capacitação, esporte, cultura e arte, faz atendimentos individuais articulando, junto à rede de proteção social, os encaminhamentos dos atendidos. Os encontros práticos potencializam o acesso dos adolescentes às cidades e ainda promovem a discussão de temas relacionados à cidadania, aos direitos humanos e à participação social. As oficinas são estratégias de aproximação com o público e são implantadas nas Unidades de Prevenção à Criminalidade (UPC), distribuídas por todo o estado.

Retomada nos atendimentos

Em função da gravidade da pandemia de covid-19, ao longo de 2020 e 2021, o programa encontrou dificuldades para ser executado. Foi necessário priorizar a segurança sanitária dos adolescentes e dos trabalhadores envolvidos e pensar em formas para impedir a disseminação do coronavírus em meio às oficinas. As atividades presenciais foram suspensas e o número de atendimentos caiu.

“Fomos severamente afetados porque as oficinas partem da perspectiva do encontro. Fomos impossibilitados de executá-las. Agora, estamos trabalhando na retomada delas com muita dedicação, porque isso não significa somente restabelecer os espaços de encontros, mas de vínculos com essa juventude. Mais de 50% das oficinas previstas já foram reiniciadas”, destaca a subsecretária Interina de Prevenção, Flávia Mendes, sobre o momento atual de execução do programa.

De janeiro a março deste ano, pelo menos 7.920 atendimentos a adolescentes foram realizados por meio do “Fica Vivo!”, enquanto, no mesmo período do ano passado, foram 2.536. O número menor ainda é considerado bom, tendo em vista as restrições impostas pela pandemia, além do não crescimento de homicídios entre os jovens – motivo pelo qual os trabalhos são realizados há quase 20 anos. Em 2020, eram registrados 21 homicídios a cada 100 mil habitantes nos territórios atendidos pelo programa. E, em 2021, mesmo com a redução de atendimentos, foram 16 crimes semelhantes a cada 100 mil habitantes.

Este mês de março termina, também, com um importante marco para o “Fica Vivo!”: houve redução de 43% no número de homicídios de jovens, se comparado com o mesmo mês do ano passado, nas áreas de atuação do projeto. E, após os dois últimos anos da pandemia, 2022 será importante na retomada e ampliação das atividades. Só neste primeiro trimestre, 242 oficinas já foram realizadas por mais de 200 oficineiros que voltaram a ser contratados para atuar com os jovens, agora que os encontros presenciais já podem ser realizados com maior segurança e responsabilidade com a saúde.

E essas oficinas alteram trajetórias e mudam vidas. Um exemplo, já conhecido, é o do jovem barbeiro Samuel Pinheiro dos Santos. Aos 14 anos, vivendo uma depressão, ele encontrou no “Fica Vivo!” a oportunidade de fazer um curso de Cabeleireiro, na UPC do bairro Veneza, em Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Hoje, aos 18, ele abriu a sua própria barbearia onde atende até 20 clientes por dia. Clique aqui para ver como a oficina foi importante na vida do Samuel.

Mais recursos para o “Fica Vivo!”

Nos próximos nove meses, pelo menos R$ 10,5 milhões deverão ser investidos no projeto e também em melhorias para deixá-lo cada vez mais moderno. Há, também, projetos para a captação de recursos externos que serão destinados para aquisição de computadores e câmeras. Além disso, adolescentes de Belo Horizonte, Betim, Ribeirão das Neves e Ibirité já podem comemorar: as atividades em cinco Unidades de Prevenção à Criminalidade onde há sedes do “Fica Vivo!” serão reabertas até o final deste ano.

Fonte: Agência Minas.

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