sexta-feira, 14 de Setembro de 2018 00:47h Carlos Henrique Monteiro

Atlético e Cruzeiro brigam por ingressos de visitantes.

Polemica surgiu devido ao preço considerado abusivo, e por falta de garantia bancária

CARLOS HENRIQUE MONTEIRO.

O pedido feito ao Cruzeiro não surtiu efeito, e o Atlético-MG teve de recorrer a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), à Federação Mineira de Futebol (FMF) e ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para reduzir o valor dos ingressos para o jogo deste domingo, no Mineirão.  

Na nota completa, o Atlético-MG esclarece que utilizou todos os métodos possíveis para tentar agilizar o direito de compra os 10% dos ingressos destinados a sua torcida, mas o Cruzeiro, mandante do clássico, não respondeu o ofício enviado e nem apresentou os dados bancários necessários para executar a transferência.

Outra questão abordada pelo Atlético-MG em nota foi o valor do preço do ingressos, considerados abusivos pela diretoria alvinegra. Caso queira ir no Mineirão no domingo, o atleticano pagará dois valores: R$ 150 (cadeira inferior) e R$ 240 (cadeira superior).

Durante reunião na manhã desta quinta-feira na sede da Federação Mineira de Futebol (FMF), ficou definido que atleticanos que quiserem acompanhar a partida no Mineirão deverão pagar entre R$ 150 e R$ 240. Foram disponibilizados 5.940 ingressos para a torcida visitante. Além dessa quantidade, a diretoria alvinegra adquiriu outros 460 lugares da Minas Arena, administradora do estádio.

O Atlético questiona o fato de que alvinegros e cruzeirenses pagarão valores diferentes por ingressos para um mesmo setor do Mineirão. O clube diz que sua torcida pagará R$ 240 para o setor laranja superior e R$ 150 para o laranja inferior; os mandantes, por sua vez, pagariam, respectivamente, R$ 40 e R$ 30 para esses setores.

Segundo a defesa do Cruzeiro, no entanto, os lugares destinados à torcida do Atlético formam um grande ‘setor visitante’, delimitado por barreira física. O preço do ingresso para esse espaço é comercializado a R$ 240, mesmo valor cobrado para cruzeirenses no setor roxo.

De acordo com o mapa do Mineirão, produzido pela Minas Arena, o grande ‘setor visitante’ engloba blocos de cadeiras dos setores roxo e laranja. De 21 blocos do setor laranja, cinco serão destinados aos atleticanos.

O Atlético se baseia no parágrafo 1º do artigo 24 do Estatuto do Torcedor, que prevê que “os valores estampados nos ingressos destinados a um mesmo setor do estádio não poderão ser diferentes entre si, nem daqueles divulgados antes da partida pela entidade detentora do mando de jogo”

“O que o Cruzeiro fez fere o regulamento, fere o estatuto do torcedor. Nas próximas horas, acredito que teremos uma decisão sobre o nosso pedido. Uma delas é a discussão quanto às infrações do regulamento, como os valores dos ingressos e o preço diferente para o mesmo setor. Eles estão cobrando valores superiores aos que cobram da sua torcida. Isso não pode”, declarou o vice-presidente do Atlético, Lásaro Cândido da Cunha.

No entendimento do Cruzeiro, os valores praticados para a torcida do Atlético são os mesmos que os mandantes pagarão no espaço correspondente. “O Cruzeiro fixou um valor para o visitante e está praticando o mesmo valor para os cruzeirenses no setor correspondente. Eles (o Atlético) não têm dinheiro de pagar e estão tentando um descontinho via judicial. Ele (Lásaro) é desinformado e deturpa tudo. No Mineirão, os visitantes ficam num local específico, delimitado inclusive por barreira física. Sempre foi assim. O que o regulamento diz é que você deve vender para os visitantes ingressos com o mesmo valor de local equivalente para a torcida do mandante. E isso o Cruzeiro respeita e sempre respeitou”, defendeu-se o vice-presidente jurídico do clube celeste, Fabiano de Oliveira Costa.
 

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