Ônibus urbanos no Brasil vão entrar em colapso no dia 05 de abril e empresas querem suspensão de impostos.

Viações alegam que não terão dinheiro para pagar salários e que 184 cidades já paralisaram linhas.

A NTU, associação que representa mais de 500 empresas de ônibus urbanos e metropolitanos de todo o País, prevê que a partir de 05 de abril, os sistemas públicos de transportes podem entrar em colapso com paralisação dos serviços.

Em nota, a entidade diz que essa parada não será por determinação de prefeitos e governadores, mas porque não as viações não terão dinheiro para pagar salários de motoristas, cobradores e demais funcionários do setor de transportes.

Com as medidas de restrição a circulação de pessoas, recomendadas pela OMS – Organização Mundial da Saúde como a maneira mais eficaz até agora de conter o avanço do coronavírus, a demanda de passageiros tem caído. Além disso, a entidade de empresários de ônibus calcula que 184 cidades já foram obrigadas a suspender o serviço de transporte por decisão do poder público.

“As empresas hoje estão operando com a redução de mais de 50% dos passageiros em média desde o início das medidas de isolamento social, em função do Covid-19, e isso afetou drasticamente a receita do setor”, explica Otávio Cunha. Entre os casos mais críticos, ele destaca reduções da ordem de 85% em Goiânia (GO), 75% nas cidades do interior de São Paulo, 79% em Porto Alegre (RS), 75% em Salvador (BA) e 70% na região metropolitana de Belo Horizonte (MG)” – disse, em nota enviada na noite desta quarta-feira, 25 de março de 2020 ao Diário do Transporte, o presidente executivo da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbanos – NTU, Otávio Cunha, que defendeu a manutenção dos serviços de ônibus, mesmo que com frota reduzida.

O Diário do Transporte mostrou que algumas cidades que tinham pensado em paralisações totais já estão mudando de ideia.

Por exemplo, os sete prefeitos do ABC Paulista decidiram não mais suspender a operação de todas as linhas municipais após uma reunião nesta terça-feira, 24, com a STM – Secretaria dos Transportes Metropolitanos.

Nesta quarta-feira, o secretário Alexandre Baldy disse ao Diário do Transporte e à Rádio ABC que técnicos da pasta estadual e dos municípios do ABC vão tentar criar esquemas operacionais para compatibilizar os horários dos ônibus municipais, ônibus da EMTU, trólebus e ônibus da Metra no Corredor ABD e os trens da linha 10-Turquesa da CPTM.

INCENTIVOS ECONÔMICOS:

As empresas de ônibus, por meio da NTU, mandaram um ofício ao ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, pedindo socorro financeiro a fundo perdido.

A entidade calcula que seria necessário um aporte de R$ 2,8 bilhões mensais para manter o serviço em funcionamento nos 2.901 municípios que dispõe de transporte coletivo por ônibus.

A NTU ainda pede isenção fiscal de seis meses para empresas de ônibus, renegociação de financiamentos dos veículos que ainda estão sendo pagos e suspensão temporária dos contratos de trabalho de motoristas e cobradores.

Conforme o ofício entregue ao Ministro da Economia, o socorro financeiro, a fundo perdido, permitiria o reequilíbrio entre custos e receitas das empresas mesmo com a atual redução da demanda. Com esse apoio do Poder Público as empresas conseguiriam colocar 70% da frota em operação, número ideal para evitar aglomeração nos ônibus.

No ofício ao Governo Federal o setor também solicita a supensão, por seis meses, da cobrança de tributos federais que incidem sobre as empresas, tais como encargos sociais sobre o faturamento e PIS/COFINS sobre o óleo diesel; renegociação das linhas de financiamento usadas para renovação de frotas; e a possibilidade de suspensão temporária dos contratos de trabalho em caso de paralisação total ou parcial dos serviços. – diz nota da associação.

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