quarta-feira, 24 de Agosto de 2016 13:56h SEC

Centro de Arte Popular recebe a exposição “Tempo de Fé – Devoções”

Mostra com mais de três mil peças retrata a religiosidade do povo brasileiro e a riqueza da imagem devocional advinda do período colonial; evento no Circuito Liberdade conta ainda com seminário sobre arte e religiosidade com participação de especialistas

Mais de três mil peças em madeira, prata, parafina, gesso, dentre os vários elementos que representam a fé, fazem parte da exposição “Tempo de fé – Devoções”que será aberta no dia 26 de agosto e vai até 16 de outubro de 2016, no Centro de Arte Popular-Cemig, integrante do Circuito Liberdade. A mostra, que pretende fazer um resgate das devoções populares de santos cultuados em Minas Gerais e na Bahia, é promovida pela Secretaria de Estado de Cultura e integra as atividades de comemoração dos 45 anos do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). A entrada é franca.

 

Diretamente do Museu de Arte da Bahia foi trazida a coleção que irá integrar a exposição no Centro de Arte Popular, e que contará, ainda, com acervo de ex-votos da igreja de São Lázaro, em Salvador. Entre os objetos, constam imagens e obras de pequeno porte de culto doméstico. São exemplares que retratam a religiosidade do povo brasileiro e a riqueza da identidade devocional originada do período colonial e representada por meio de grupos culturais diversos. As peças são oriundas de vários colecionadores que disponibilizaram seus acervos como forma de contribuir para a preservação da memória e da cultura popular existentes no Brasil.

 

A curadoria da mostra é assinada por João Caixeta, professor da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). “Pela fé e sua renovação diária, os santos e oratórios estão presentes nas casas, protegendo e reafirmando a devoção dos fiéis. São peças genuínas que representam o universo popular por meio das quais se podem revelar parte da identidade de um povo”, diz o curador. “Esta exposição pretende estimular a necessidade da percepção desse recorte de nossa cultura de modo a celebrar sua riqueza, com sentido aguçado, prospectando as novas gerações, atentando para a riqueza de nossas tradições culturais”, completa.

 

O local que abrigará a exposição foi dividido em dois espaços: “Sala dos Milagres” e “Sala Rogai por Nós”. Juntas, elas reúnem um acervo que irá retratar a prática religiosa do povo brasileiro desde idos do século 18.

 

O espaço denominado “Sala dos Milagres” apresenta um conjunto escultórico de práticas votivas, representando o misticismo e a espiritualidade enraizada nos brasileiros, advinda do catolicismo português aqui implantado. A seleção se concentra no legado da rica coleção reunida ao longo dos anos pela colecionadora Celma Albuquerque, gentilmente cedida pelos seus filhos, composta de um expressivo conjunto de ex-votos esculpidos em agradecimento à graças alcançadas e depositados em locais sacralizados pela crença popular. A mostra contempla também ex-votos pertencentes à Universidade Federal da Bahia, e ainda peças da Igreja de São Lázaro, em Salvador, local utilizado para rituais de purificação do sincretismo religioso.

 

Já o espeço que leva o nome de “Sala Rogai por Nós” compreende a riqueza e as nuances da talha dos mestres santeiros advindos de oficinas mineiras dos séculos 18 e 19 e existentes nas regiões de Diamantina, Ouro Preto, Acaiaca, norte de Minas e outras, representadas por dezenas de imagens escultóricas de autorias diversas, tais como Mestres Piranguinha, Corguinho, da Borboleta, do Inficionado e muitos outros, além de oratórios de cunho caseiro. As obras que integram o acervo desta sala integram as coleções de Angela Gutierrez, Daniel Xavier, Fabiano Lopes de Paula, Fátima Pinto Coelho, Hélio Lauar, Juliana e Luiz Márcio Ferreira de Carvalho Filho e Rildo Rodrigues, especialmente cedidas para a exposição.

 

SEMINÁRIO

Sete especialistas se reúnem nos dias 25 e 26 de agosto, no Memorial Minas Gerais Vale, também integrante do Circuito Liberdade, para o seminário que leva o mesmo nome da exposição, “Tempo de Fé – Devoções”.  A abertura conta com as presenças do Secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Angelo Osvaldo, da presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, da Superintendente de Museus e Artes Visuais, Andrea de Magalhães Matos e do Diretor do Centro de Arte Popular – Cemig, Tadeu Bandeira.

 

O professor da Universidade Federal da Bahia, José Cláudio Alves de Oliveira, realizará a conferência de abertura com o tema: “os ex-votos do Brasil”. No mesmo dia, na parte da tarde, outros dois pesquisadores irão falar sobre suas experiências: o artista plástico José Alberto Nemer aborda o tema “A mão devota: santeiros populares das Minas Gerais nos séculos 18 e 19 - relato de uma experiência”; e a museóloga Genivalda Cândido, mestre pela Universidade da Bahia, que falará sobre “Bens patrimoniais de natureza histórica e estética, objeto de estudo científico e de fé (da promessa ao agradecimento)”.

 

Já no dia 26 agosto, sexta-feira, às 9h, a artista visual Ana Helena da Silva Delfino Duarte, doutora em história social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, aborda o tema “arte dos milagres: iconografias, imaginários, processos de criação e circularidades entre artes popular e instituída”. Também pela manhã, Francisco van der Poel (Frei Chico) - Teólogo formado na Holanda e Licenciado em Filosofia traz o tema “religião popular: autonomia, pluralidade e contemporaneidade”.

 

“Milagre que se fez... Um estudo dos 36 ex-votos ofertados ao Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas”, é o tema do período da tarde, que o analista de gestão proteção e restauro do Iepha-MG e mestre em artes de conservação preventiva pela Universidade Federal de Minas Gerais, Thiago de Pinho Botelho, irá abordar. E fechando o seminário, Leandro Gonçalves de Rezende, mestre em História


Social da Cultura, pela UFMG, fala sobre “milagre que fez a Senhora do Carmo: fé e devoção nos ex-votos mineiros em louvor à dita Senhora – séculos 18 e 19”.

 

A exposição e o seminário são uma realização do governo do Estado de Minas Gerais, com patrocínio da Cemig, por meio da Lei Rouanet.

 

EX-VOTO NO BRASIL

Ex-voto é o testemunho do pagamento de uma promessa ou de graça alcançada por intercessão divina, representada nos objetos, sejam eles artísticos, pela cena do milagre, esculturas, bilhetes, cartas, cabelos, ou mesmo as próteses que foram libertas pelo suplicante.

 

Durante as romarias, vários ex-votos são depositados nas igrejas. Em razão da quantidade recebida, era de costume dos párocos descartarem parte dos objetos. Segundo relatos, inclusive na idade média esses objetos carregavam certa malignidade.

 

Com estes descartes, alguns pesquisadores e estudiosos começaram a apreciar essa manifestação, imprimindo um caráter de arte popular, e contribuindo para a preservação da cultura presente no território brasileiro.

 

PROGRAMAÇÃO

SEMINÁRIO “Tempo de Fé – Devoções”

25 a 26 de agosto de 2016

Local – Memorial Minas Gerais Vale – Praça da Liberdade – Belo Horizonte

25 de agosto – Quinta-feira

14h – Mesa de abertura - Secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Angelo Osvaldo, a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, a Superintendente de Museus e Artes Visuais, Andrea de Magalhães Matos e o Diretor do Centro de Arte Popular – Cemig, Tadeu Bandeira

14h30 – Palestra de abertura - Os ex-votos do Brasil

Palestrante – Profº Drº José Cláudio Alves de Oliveira - Professor Doutor da Universidade Federal da Bahia; Chefe do Departamento de Museologia

15h30 – “A Mão Devota: santeiros populares das Minas Gerais nos século 18 e 19/Relato de uma experiência”

Palestrante - José Alberto Nemer - Artista plástico, Doutor em artes plásticas pela universidade de Paris. Professor, designer, curador e ensaísta de arte.

16h30 – Bens patrimoniais de natureza histórica e estética, objeto de estudo científico e de fé (da promessa ao agradecimento

Palestrante - Genivalda Cândido -  Museóloga ,mestre pela Universidade da Bahia.

 

26 de agosto – Sexta–feira

9h – Arte dos milagres: iconografias, imaginários, processos de criação e circularidades entre artes “popular e “instituída”.

Palestrante - Aninha Duarte (Ana Helena da Silva Delfino Duarte) - Artista visual, Doutora em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

10h30 - Religião popular: autonomia, pluralidade e contemporaneidade

Palestrante - Francisco van der Poel (Frei Chico) Teólogo formado na Holanda. Licenciado em Filosofia, em São João Del Rei/MG

14h – Milagre que se fez... Um estudo dos 36 ex-votos ofertados ao Senhor Bom Jesus de Matozinhos em Congonhas

Palestrante - Thiago de Pinho Botelho - Graduado em História, Pós–Graduado em Gestão do Patrimônio Cultural – Restaurador de bens móveis.

15h30 - Milagre que fez a Senhora do Carmo: fé e devoção nos ex-votos mineiros em louvor à dita Senhora – séculos XVIII e XIX

Palestrante – Leandro Gonçalves de Rezende - Mestre em História Social da Cultura, Graduado e Pós-Graduado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais

17h - Encerramento

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SERVIÇO

Abertura mostra “Tempo de Fé – Devoções”

Data: 25 de agosto de 2016 - Horário: 19 horas

Período da exposição – de 26 de agosto a 16 de outubro de 2016

Local: Centro de Arte Popular - Cemig

          Av. Gonçalves Dias, 1.608 – Lourdes – BH/MG

Informações: (31) 3222-3231 - Entrada Gratuita

 

Seminário: Tempo de Fé – Devoções

Data: 25 de agosto (quinta-feira) – de 14h às 18h

         26 de agosto (sexta-feira) – de 9h às 17h

Local: Memorial Minas Gerais Vale

          Praça da Liberdade

Informações: (31) 3221-3231

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