quinta-feira, 5 de Maio de 2016 13:19h Secretária de Cultura de Minas Gerias

Cine Humberto Mauro traz de volta a mostra 'Inéditos / Passou Batido'

Na programação "A Vizinhança do Tigre" filme incentivado pelo programa Filme em Minas.

Com a proposta oferecer ao público acesso à filmografia que não integra o circuito comercial do cinema, a Fundação Clóvis Salgado, por meio do Cine Humberto Mauro (CHM), exibe a mostra Inéditos/Passou Batido. Já tradicional na programação do CHM, a mostra reúne filmes produzidos e lançados entre 2014 e 2016 que não estrearam ou ficaram pouco tempo em cartaz nos cinemas de arte de Belo Horizonte. A programação reúne 38 filmes, nacionais e internacionais, que transitam por variados gêneros e se destacam pela inventividade tecnológica, narrativa e estética. A mostra tem curadoria de Philipe Ratton, Bruno Hilário, Vítor Miranda e Dayanne Naêssa.

 

 

 

Figuras notáveis entre diretores, atrizes e atores integram a programação da Inéditos/Passou Batido, como Paul Thomas Anderson, Roman Polanski e Shyamalan, diretores consagrados no universo cinematográfico internacional. Entre os destaques brasileiros estão Eduardo Coutinho e Júlio Bressane, com suas obras Últimas Conversas e Garoto, respectivamente. Acima das Nuvens, de Olivier Assayas, traz em seu elenco duas jovens estrelas de Hollywood: Kristen Stewart e Chloë Moretz. Ainda na programação, o filme Love, de Gaspar Noé, que será exibido em 3D.De acordo com Bruno Hilário, a curadoria da Mostra busca reunir filmes que contribuíram de forma positiva para a história contemporânea do cinema.  “Todos os filmes mostram a criatividade e a inventividade de produções contemporâneas realizados em várias partes do mundo”.

 

 

 

Segundo ele, a inovação técnica aliada à narrativa pode ser percebida em diversos títulos da mostra. É o caso, por exemplo, de Victoria, de Sebastian Schipper. Com duas horas de duração, a obra é filmada em apenas um take, detalhe imprescindível para a construção dessa narrativa. Também o reconhecido ator Michael Fassbender protagoniza Frank, de Lenny Abrahamson, usando sempre uma cabeça artificial gigantesca. “Nos filmes selecionados existe muita consistência entre a visualidade e a dramaturgia, entre a estética e o enredo”, completa Hilário.

 

 

 

A riqueza e diversidade da mostra é reafirmada também pela escolha de filmes premiados, que tratam de diversas temáticas, indo desde a transformação do espaço urbano até representação de gênero. Dheepan, do francês Jacques Audiard, foi o vencedor da Palma de Ouro de Cannes em 2015; Em 3 atos, a diretora Lucia Murat mescla ficção, documentário e literatura e narra processos de vida e morte. “São filmes que fazem uso de dispositivos pouco abordados no mainstream, que influenciam diretamente na construção de narrativas diferenciadas”, diz Bruno.

 

 

 

Gênero e sexualidade em discussão - A programação conta com uma gama considerável de filmes de afirmação e enfrentamento, que trazem à tona o debate acerca do corpo, da performance e representação de gêneros. São filmes de representatividade que levantam importantes questionamentos, de modo a dar visibilidade à comunidade LGBT e reafirmar liberdade de expressão. É o caso dos brasileiros A Seita, de André Antônio; Batguano, de Tavinho Teixeira e De gravata e unha vermelha, de Miriam Chnaiderman. Destaque também para Tangerine, produção do jovem diretor Sean Baker, que discute a transexualidade e foi filmado integralmente com um telefone celular.

Cinema mineiro em evidência - A Inéditos/Passou Batido destaca ainda obras produzidas em Minas Gerais. Ela volta na quinta, de André Novais, baseia-se na história da família do próprio diretor e é estrelado por seus parentes; A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa, narra a realidade de jovens que vivem na periferia de Contagem; e Outro Sertão, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela, conta sobre a vivência pouco conhecida do escritor Guimarães Rosa na Alemanha nazista.

Cine Humberto Mauro – Reconhecido em Minas Gerais pelo seu perfil de cinema de repertório, o Cine Humberto Mauro, desde 1978, é um reduto de críticos, professores, estudantes, diretores e amantes da arte cinematográfica em geral, sendo referência para a formação e reflexão sobre o tema.  Desde sua criação, realiza significativas ações voltadas à formação de público: promove permanentemente mostras temáticas, retrospectivas de cineastas, festivais e lançamentos de filmes, bem como cursos, conferências, debates, palestras, além de seminários relacionados à produção cinematográfica mundial.

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