sexta-feira, 27 de Maio de 2016 13:58h Agência Brasil

Com cinema, música e gastronomia, festival em SP discute diversidade sexual

Com apresentações musicais, feira gastronômica, contação de histórias e mostra de cinema, a Diversa Fest discute, na capital paulista, a diversidade sexual.

O evento começou ontem (26) e vai até amanhã (28) no Museu da Imagem e do Som (MIS), na zona oeste de São Paulo. A programação está em sintonia com o Mês da Diversidade Sexual, que será encerrado domingo (29) com a Parada do Orgulho LGBT.

O festival é uma parceria da Secretaria Estadual de Cultura com o Consulado do Canadá, um dos países pioneiros no reconhecimento dos direitos da população LGBT. Segunda uma das coordenadoras da assessoria de assuntos internacionais do governo de São Paulo, Cintia Ruiz, a ideia inicial era fazer uma mostra de documentários. “Mas a gente achou pouco”, disse a coordenadora sobre a posição da assessoria em relação a proposta do escritório diplomático. “A gente foi conversando e essa mostra transbordou”, contou Cintia. Segundo ela, o formato final do evento abrange várias linguagens e atividades.

 

 

 

No jardim que separa o MIS do Museu Brasileiro de Esculturas (MuBE), foi montada uma feira com tendas de empresas comandadas por membros da comunidade LGBT. São vendidas peças de arte, filmes, roupas, bijuterias, plantas ornamentais e vários itens gastronômicos, como doces e hambúrgueres artesanais.

Com uma loja especializada em filmes raros, Everton Beirigo trouxe uma seleção especial para o festival. “Eu trouxe cerca de 250 títulos com a temática LGBT. Desses que eu trouxe, eu já vi todos. Esse tipo de filme é difícil de achar, o que tem bem a ver com meu acervo”, ressaltou o comerciante.

 

 

 

X-Men

Na tarde de hoje (27), duas blogueiras do site Minas Nerds conduziram um debate sobre a representatividade da mulher na cultura pop a partir dos filmes e quadrinhos dos X-Men. “A gente trabalha para que mulheres ganhem voz, tenham espaço, seja como crítica, seja como produtoras de cultura pop”, ressaltou Gabriela Franco, uma das responsáveis pelo site.

As histórias dos X-Men, originalmente um grupo de super-heróis de quadrinhos norte-americanos, foram escolhidas pela forma com que tratam do tema do preconceito. No universo desses personagens, parte da humanidade passa apresentar mutações genéticas que trazem diferenças físicas e habilidades especiais. Essas pessoas passam a ser chamadas de mutantes e sofrer diversos tipos de perseguições.

 

 

 

“É uma ideia de mostrar o quanto o preconceito é forte, quando uma pessoa que, de repente, não sofre preconceito por estar em uma situação de privilégio se identifica com os X-Men”, explica outra criadora do site, Cecília Souza Santos, sobre a escolha do tema, que atualmente também ganhou uma exposição no MIS. “Eles são aprisionados, escravizados, perseguidos, apedrejados, destratados pela sociedade. A ideia é dar esse viés, de conseguir fazer com que uma pessoa que não é oprimida entender quem é”, enfatizou.

A programação musical e de debates continua até as 20h de amanhã, quando será exibido o documentário Quando o Amor é Gay, dirigido por Laurent Gagliardi. O filme explora as diversas formas de relações afetivas entre homens. Na noite de hoje, as cantoras Raquel e Assucena, do grupo As Bahia e a Cozinha Mineira, falam sobre a experiência de duas mulheres trans e negras na música. Ao final, haverá uma breve apresentação da banda.

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