segunda-feira, 18 de Abril de 2016 12:12h Secretária de Cultura de Minas Gerias

Composições de Mozart e Beethoven integram repertório das séries Sinfônica ao Meio-Dia e Sinfônica em Concerto

A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais executa composições de Mozart e Beethoven, importantes representantes do período Clássico e de transição para o Romantismo da música erudita, nas Séries Sinfônica ao Meio-Dia e Sinfônica em Concerto

A Abertura da ópera O Rapto do Serralho, de Mozart; e Fantasia Coral, de Beethoven. E, para interpretação de Fantasia Coral, juntam se à OSMG o Coral Lírico de Minas Gerais, o pianista convidado, Mauricio Veloso, e os solistas Melina Peixoto (soprano), Andreia de Paula (soprano), Déborah Burgarelli (mezzosoprano), Márcio Bocca (tenor), Lucas Ellera (tenor) e Célio Souza (baixo/barítono). A peça Sinfonia Nº3, Eroica, também de Beethoven, encerra o programa, que tem regência do maestro assistente da OSMG, Sérgio Gomes.

 

 

 

Esta edição da série Sinfônica ao Meio-Dia traz uma novidade. Pela primeira vez, alguns espectadores poderão conferir parte do concerto sob uma perspectiva diferente. A proposta é fazer com que o público possa desfrutar da experiência de estar ao lado dos músicos, no palco do grande teatro e registrar de dentro da orquestra a emoção dos concertos. Essa é uma iniciativa do maestro titular da OSMG, Sílvio Viegas. Segundo o regente, essa ideia surgiu da vontade de aumentar o diálogo entre os corpos artísticos da FCS e os frequentadores dos concertos. “Nós queremos trazer o nosso público para dentro de nossa casa e transformar o Palácio das Artes na casa deles”, concluiu o maestro, que acredita no potencial dos novos meios de comunicação para intensificar esse intercâmbio.

 

 

Variações de um mesmo período – Embora escritas durante o período Clássico da música erudita, quando os compositores priorizavam a forma das obras sinfônicas, as três peças apresentam detalhes e características que as tornam singulares, como explica o maestro Sérgio Gomes. “O concerto inicia com uma obra de Mozart, o maior gênio do período clássico, até a Sinfonia Eroica de Beethoven que é frequentemente citada como início do período romântico na música”, detalha.

 

 

A abertura da ópera O Rapto do Serralho, de Mozart, dá início ao concerto. Inédita no repertório da OSMG, a obra foi escrita quando o compositor mudou-se definitivamente para a cidade de Viena, na Áustria, considerada a capital mundial da música sinfônica. Ansioso para promover sua carreira como compositor. “Mozart precisava contar a novidade de sua chegada à capital. Então, de forma ousada, decidiu criar uma peça que levasse sua assinatura, com intuito de impressionar Joseph II. O entusiasmo de Mozart em escrever a obra refletiu na rapidez em que compôs vários dos seus números”, detalha o maestro.

 

 

A abertura da ópera é curta e alterna diferentes movimentos entre forte, um som mais alto da orquestração; e piano, tipo sonoro que indica melodias mais suaves. Inspirada na música Turca do século XVIII, a peça tem forte apelo sonoro ao utilizar o flautim e instrumentos de percussão para caracterizar o estilo musical daquele país. “A peça é de grande brilhantismo, e também busca referências na ópera italiana, um tripartido Presto-Andante-Presto que faz contrastar o agitado Presto em Dó maior onde se expõe a ‘Música Turca’ com um delicado Andante em Dó menor”, diz Sérgio Gomes.

 

 

 

Fantasia Coral, de Beethoven, foi escrita para encerrar um concerto de proporções gigantescas, com outras seis obras no repertório, como explica Sérgio Gomes. As inúmeras variações de um mesmo tema para piano também marcam esta composição. Segundo Sérgio Gomes, o próprio Beethoven fez os solos na estreia da peça. “Há indícios, inclusive, de que ele tenha tocado toda a parte inicial desta obra em improviso”. Beethoven decidiu encerrar o concerto com um final brilhante. Para isso compôs Fantasia Coral, unindo diferentes estilos musicais que haviam sido executados no palco: uma obra sinfônica; uma obra coral e um concerto para piano.

 

 

 

O programa chega ao fim com a execução de Sinfonia Nº 3 Eroica. A obra, também composta por Beethoven, era, inicialmente, uma homenagem a Napoleão Bonaparte, já que o compositor nutria grande admiração pelos ideais da Revolução Francesa. Após Napoleão se proclamar imperador da França, em 1804, Beethoven se revoltou com a atitude e decidiu alterar o nome da peça, passando a chamá-la de Sinfonia Eroica.

O maestro Sérgio Gomes destaca que, além da mudança no título da obra, a peça marca um momento transitório entre os períodos Clássico e Romântico da música erudita. “A Sinfonia Eroica é apontada por muitos como a peça que iniciou o período Romântico da música por reunir elementos orquestrais e características de composição mais próximas desse novo momento”.

 

 

 

Com Eroica, Beethoven inseriu novos elementos na organização da sinfonia e na instrumentação, com a utilização de três trompas na formação orquestral, uma inovação na escrita erudita da época, e também uma das características mais interessantes da composição. O primeiro movimento da peça é quase tão longo quanto uma sinfonia completa de Haydn, algo característico do período Romântico, e a carga emocional que esta peça apresenta se destoa das duas primeiras sinfonias de Beethoven. “Esses detalhes na obra revelam a transição prenunciada para romantismo. O compositor descreve diferentes sensações, desde o clima sombrio da marcha fúnebre, passando pelo dinamismo dos Scherzos sinfônicos até a apoteose da Finale, que encerra a composição”.

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