quinta-feira, 7 de Abril de 2016 13:09h Secretária de Cultura de Minas Gerias

Curta Circuito exibe o clássico Navalha na Carne de Braz Chediak (1969) na próxima segunda

O submundo carioca é o tema do filme escolhido para a terceira sessão de 2016 da mostra

Continuando com a temática Cinema e Teatro, que direciona as sessões desse primeiro bimestre, a Mostra de Cinema Permanente Curta Circuito exibe na próxima segunda-feira, dia 11 de abril, a primeira versão cinematográfica da peça Navalha na Carne, escrita por Plínio Marcos e levada ao cinema em 1969 pelo diretor mineiro Braz Chediak. O longa, um dos primeiros a abordar a homossexualidade no cinema nacional, conta com a produção do “eterno cafajeste”, Jece Valadão, que também atua no filme ao lado da atriz Glauce Rocha e do ator Emiliano Queiroz. A sessão é às 20h (novo horário), no Cine Humberto Mauro, com entrada gratuita. As senhas são distribuídas 30 minutos antes da exibição e excepcionalmente neste dia não haverá debate após o filme.

 

 

Navalha na carne retrata a relação conturbada entre um cafetão, uma prostituta e um homossexual em pleno submundo carioca da Lapa. Adaptação da peça de Plínio Marcos, o filme apresenta um olhar cênico desde a primeira tomada que vai além do texto. “Por mais naturalista que Navalha na Carne seja, a encenação está presente o tempo todo no filme. Não apenas na sua dramaturgia, mas principalmente na sua forma. O jogo de humilhações no quarto é encenado de modo teatral, com movimentações coordenadas e pontuações marcadas no espaço”, complementa Affonso Uchôa, curador da mostra. Ambientado em um quarto sujo, o filme enfoca uma perversa discussão a três, em que as idas e vindas emotivas são encenadas com leveza e uma mobilidade que tornam o quarto um verdadeiro palco, enquadrado por longos planos-sequências. (confira a crítica do filme na íntegra em anexo)

 

 

Sobre o Curta Circuito - Cinema de Afeto

Com o tema Cinema de Afeto, o Curta Circuito completando 15 anos de atividade em 2016 e tem muito o que comemorar. Durante sua trajetória, a Mostra de Cinema Permanente, que exibe exclusivamente filmes nacionais, sempre com entrada franca, conseguiu reunir um público de mais de 70 mil pessoas, que estiveram presentes em quase cinco mil sessões. A mostra, que a partir deste ano é dirigida por Daniela Fernandes, da Le Petit Comunicação Visual e Editorial, é uma das referências em Minas e no Brasil como ação de formação qualificada de público, espaço de reflexão, debates sobre a cultura audiovisual e todos os aspectos que a envolvem, sejam técnicos, narrativos, estéticos, culturais e políticos. Tendo já atuado em 18 cidades de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pará, a mostra hoje foca no público belo-horizontino e tem como “sede” de suas exibições o Cine Humberto Mauro. Já passaram pelo projeto convidados como Nelson Pereira dos Santos, Zé do Caixão, Sidney Magal, Othon Bastos, Antônio Pitanga, entre outros. O Curta Circuito atua também na preservação e memória do cinema brasileiro, trabalhando no restauro de filmes, em parceria com a Cinemateca do MAM RJ. A iniciativa recebeu Mention do D'Hounner em Milão, em 2013, pela restauração do filme “Tostão, a fera de Ouro”, da década de 1970.

 

 

 

Navalha na Carnel Braz Chediak, RJ, 1969, 90’

Neusa (Glauce Rocha) é uma prostituta decadente e explorada por Vado (Jece Valadão), seu cafetão. Em meio a brigas e desavenças, ela vai às ruas para ganhar dinheiro enquanto Vado sai com outras mulheres e passa a vida sossegado. O que eles não esperavam era que Veludo (Emiliano Queiroz), um homossexual que trabalha como faxineiro, roubasse todo o dinheiro dos dois para comprar drogas.

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