sexta-feira, 8 de Abril de 2016 12:44h Atualizado em 8 de Abril de 2016 às 12:53h. Secretária de Cultura do Rio de Janeiro

Dom Quixote chega ao Rio

Depois de estrear em São Paulo, espetáculo abre a temporada lírica do Theatro Municipal, com coro e orquestra sinfônica da casa

Ao longo dos últimos quatro séculos, ele já cativou milhares de pessoas, das mais diferentes nacionalidades. Aficionado por romances de cavalaria, o tal fidalgo atrapalhado de meia idade acreditava que todas as histórias mirabolantes que lia eram verdadeiras e resolveu fazer como seus heróis, tomando para si o título de cavaleiro andante. Montado em seu cavalo velho e magro, Rocinante, e acompanhado por seu fiel escudeiro, Sancho Pança, percorreu o interior da Espanha para salvar donzelas inocentes em apuros e lutar contra moinhos de vento e rebanhos de carneiros. Era perdidamente apaixonado por Dulcinéia del Teboso que, em suas fantasias, era uma mulher muito rica e refinada, filha de uma poderosa família da região. 

 

 

 

As peripécias de Dom Quixote de La Mancha se tornaram conhecidas em 1605, no livro O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, do autor espanhol Miguel de Cervantes. De lá para cá, as aventuras do atrapalhado fidalgo já foram adaptadas para o teatro, o cinema, as artes plásticas e, claro, a ópera. Um exemplo são as aparições que faz, da próxima quarta (13/04) até o dia 22 de abril, no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Depois de aclamada por público e crítica no Theatro São Pedro, em São Paulo, a ópera Dom Quixote, de Jules Massenet, chega ao espaço da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), onde será apresentada pelo Coro e Orquestra Sinfônica do TM, com a participação de solistas convidados, como o estadunidense Gregory Reinhart, no papel-título, a mezzo-soprano Luiza Francesconi, como Dulcineia, e o barítono Eduardo Amir, que dará vida a Sancho Pança. 

 

 

 

No Brasil, esta ópera, feita a partir do libreto de Henri Cain, foi apresentada pela primeira vez em agosto de 1926, em récita única no mesmo Theatro Municipal, de onde rumou para São Paulo. A montagem atual, norteada pelo estilo das gravuras do francês Gustave Doré - ilustrador da obra de Cervantes -, é assinada por Ney Bonfante, no desenho de luz; Fábio Namatame, no figurino; Nicolas Boni, na cenografia; Nuria Castejón, na coreografia do balé flamenco; Jorge Takla, na concepção e direção cênica e o maestro Luiz Fernando Malheiro, na direção musical e regência.

 

 

 

"Dom Quixote fala de sentimentos e de valores que não costumamos mais ver em uma só pessoa, como amor incondicional, poesia, justiça, dignidade, honestidade e incorruptibilidade. Isto faz a imortalidade e a beleza da obra. Tentamos valorizar estas qualidades, buscando a harmonia entre a teatralidade da música e o trabalho de todos os profissionais envolvidos na sua realização", comenta Takla que, nesta quinta (07/04), a partir das 18h30, participa do Bate-Papo sobre Dom Quixote, ao lado do maestro Luiz Fernando Malheiro, na Sala Mário Tavares. A entrada é franca.

 

 

Acordo de coprodução

André Cardoso, diretor artístico do Municipal, destaca a parceria com o Theatro São Pedro. "Reviver a ópera de Massenet e trazê-la mais uma vez ao palco do Municipal só foi possível graças ao acordo de coprodução estabelecido com o Theatro São Pedro, uma iniciativa que abre boas perspectivas para a cena lírica nacional. Procedimento comum entre teatros de ópera em todo o mundo, as coproduções reduzem os custos, garantem um maior número de récitas aos artistas e fazem circular as produções, tornando-as acessíveis para um público maior", diz.

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