terça-feira, 19 de Abril de 2016 12:36h Agência Minas

Iepha inaugura o fórum Observatório do Circuito Liberdade

Circuito abre espaço permanente de escuta da sociedade, aumentando o diálogo com as universidades, os movimentos sociais e os coletivos de cultura

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) inaugura, no dia 25 de abril o Observatório do Circuito Liberdade. A iniciativa busca ampliar o espaço de diálogo com a sociedade e facilitar a participação da população na construção, implantação e avaliação de políticas públicas e no estabelecimento de prioridades para a área da Cultura.

A primeira edição do Observatório discutirá o tema “Políticas Públicas (Trans) Culturais e a Arte como Meio de Transformação Social”, com a participação de um dos mais importantes teóricos do universo cultural contemporâneo, o professor francês Jacques Poulain.

 

 

 

O evento acontece no auditório da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, a partir das 9h, com a presença do secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, e da presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo. A entrada é gratuita e haverá tradução do francês para o português.

Durante os anos 1970 e 1980, Poulain foi professor da Universidade de Montreal, período em que desenvolveu sua ‘Crítica à Razão Pragmática’ trabalhando juntamente com Jean François Lyotard na elaboração de pesquisas que, futuramente, foram compiladas e publicadas no livro “A Condição Pós-moderna”.

 

 

 

De 1990 a 2000, foi professor da Universidade de Nanterre e assumiu, neste mesmo período, a Cátedra de Filosofia da Cultura e Instituições Culturais da Unesco, na qual permanece até hoje. Jacques Poulain participou da elaboração de diversos projetos sociais, culturais e educativos na Europa, África, no Brasil, Haiti e Venezuela.

Em Belo Horizonte, fará a palestra inaugural do Observatório do Circuito Liberdade tratando de questões prementes nas discussões de artistas, produtores, gestores e pensadores da cultura. Para acompanhá-lo em sua leitura desse cenário, estará presente também o professor emérito da Faculdade de Educação da UFMG - e idealizador do programa Escola Plural - Miguel Arroyo.

Completa a mesa dos palestrantes o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidad de La Frontera do Chile, Evandro Vieira Ouriques, que fará a mediação do debate.

 

 

 

Segundo a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, este primeiro Observatório reflete uma série de debates que vêm sendo travados em diversas cidades do mundo. “É um tema bastante latente que são os limites e avanços na construção de políticas de cultura e patrimônio, que têm como pressupostos o direito à cidade e o direito a uma construção plural dos seus sentidos e conteúdos”, explica.

 

 

 

A cidade como foco de debate

O Observatório do Circuito Liberdade nasce como uma proposta de reflexão a respeito de diversas questões que emanam da sociedade mineira, especialmente da capital, Belo Horizonte. Mobilidade, ocupação urbana, segurança, apropriação ou reapropriação dos espaços públicos, inserção de novos agentes no contexto da produção e da recepção culturais, violência contra a mulher, segregação de minorias, e vários outros temas fazem parte do dia a dia dos cidadãos e têm inspirado manifestações e debates acalorados em grandes cidades do mundo.

Em atenção a esse momento de construção social e política, o Circuito Liberdade dá sequência a um diálogo com a sociedade, iniciado no “Seminário Estadual do Patrimônio Cultural: circuitos culturais e as cidades”, realizado em agosto de 2015. A riqueza da colaboração do público, que lotou o Teatro da Biblioteca Pública Estadual naqueles dois dias, levantou uma série de reflexões sobre o “circuito cultural que queremos”, e também sobre “a cidade em que queremos viver”.

Com um fórum permanente de debate, o Circuito Liberdade abre suas portas para a participação efetiva dos cidadãos, para que Governo e sociedade civil possam pensar juntos em soluções para as políticas de cultura, debatendo pesquisas e processos que estão em desenvolvimento ou inovações do próprio setor cultural. Propõe-se a reflexão sobre a forma como as políticas culturais contemplam as pessoas e os grupos mais vulneráveis na sociedade, considerando a existência de estruturas dedicadas à formação, à criação e à produção cultural.

 

 

 

Circuito Liberdade

O Circuito Liberdade completou cinco anos em 2015 e já é reconhecido como um importante corredor de cultura do país. Abrigado em uma área histórica da capital mineira, é composto por 13 instituições, dentre museus e centros culturais, que mapeiam diferentes aspectos do universo cultural e artístico.

Sob a gestão do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) desde janeiro de 2015, o projeto busca agora maior articulação com o espaço urbano e com os diversos grupos artísticos e populares, se consolidando como um braço forte da política pública de Cultura do governo estadual.

 

 

 

Dentre os equipamentos culturais em funcionamento no Circuito, seis são geridos diretamente pelo Governo do Estado e os outros funcionam por meio de parcerias público-privadas ou parcerias com instituições públicas federais.

Recentemente foi incorporado ao complexo o BDMG Cultural, dentro da proposta da nova gestão de ampliar o perímetro de atuação do projeto e fortalecer seu diálogo com cidade.

O Iepha-MG também pretende aumentar a participação de grupos ligados à cultura popular de diversas regiões do Estado no Circuito Liberdade, com a implementação da Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, equipamento que ocupará o edifício da antiga Secretaria de Viação e Obras Públicas, também conhecido como “Prédio Verde”.

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