segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016 11:59h Agência Brasil

Mondrian e o movimento De Stijl estão em exposição no CCBB de São Paulo

Exposição com obras de Piet Mondrian e do movimento De Stijl (O Estilo) apresenta 70 obras compondo um rico conjunto de criações do artista

A maior parte do acervo veio do Museu Municipal de Haia, na Holanda, que reúne a maior coleção mundial de obras de Mondrian.

Piet Mondrian (1872-1944) chegou à obra mais famosa, a “Composição com grande plano vermelho, amarelo, preto, cinza e azul”, em 1921, depois de uma trajetória que começou em 1892, ao ingressar na Academia Real de Artes Visuais de Amsterdã.

O nome do artista remete, muitas vezes, a uma associação com retângulos de cores primárias, delimitados por linhas pretas grossas. Mas a trajetória dele não se manteve somente no âmbito de seus trabalhos mais conhecidos. Ele chegou a produzir paisagens carregadas de cores escuras, às vezes sombrias, que caracterizavam a pintura holandesa do século XIX.

 

 

 

 

“Ele começou como artista figurativo, que pintava paisagens, terminando como um grande artista da arte abstrata”, informou o curador da mostra Peter Tjabbes. Aos poucos, se aproximou dos movimentos artísticos que ocorriamm na Europa. Seus tons foram clareando e suas composições ficaram mais ousadas enquanto se aproximava dos pós-impressionistas que circulavam pela França, como Van Gogh, com pinceladas de cores vivas, ou ainda Georges Seurat, com o pontilhismo.

Com influência também do cubismo, o artista procurou formas de abstrair a realidade e buscar a essência da imagem. “Os quadros dele são apenas um veículo para passar essas ideias para frente. Sãp ideias de um novo mundo puro, um mundo moderno, funcional”, disse o curador. Segundo Peter, Mondrian, ao longo da carreira, buscou o que é realmente essencial, livrando-se do supérfluo, o que se pode conferir em suas obras.

 

 

 

Além da história artística de Mondrian, a exposição tem uma segunda etapa, que mostra a agitação provocada pela revista De Stijl (O Estilo), de 1917 a 1928, o meio escolhido por um grupo de artistas, designers e arquitetos, incluindo Mondrian, para defender o neoplasticismo e a harmonia universal de todas as artes.

Mondrian acreditava que sua visão da arte moderna transcendia as divisões culturais e poderia se transformar numa linguagem universal, baseada na pureza das cores primárias, na superfície plana das formas e na tensão dinâmica de suas telas. Seus companheiros da De Stijl não só tinham visão semelhante, como aplicaram tais conceitos a todo tipo de arte.

 

 

 

No design, por exemplo, é representativa desse movimento a cadeira Vermelha Azul, de Gerrit Rietveld, que levou o movimento De Stijl para a arquitetura, ao desenhar e construir, em 1924, uma casa para Truss Schröder-Schrader, em que aplicou a paleta de cores primárias, privilegiando espaços abertos, luminosidade, ventilação e funcionalidade, rompendo com convenções arquitetônicas da época.

De acordo com Peter Tjabbes, o grupo adepto do De Stijl e a obra de Mondrian tiveram impacto direto sobre a cultura brasileira dos anos 50. “Os concretos e neoconcretos olhavam muito para essa época e principalmente para o Mondrian, que era uma fonte de inspiração”. Para o curador, a exposição mostra-se importante também para que o público brasileiro conheça a origem dessa influência.

 

 

 

Mondrian continuou seus experimentos na arte até “Victory Boogie Woogie”, sua última obra, pintada quando já morava nos Estados Unidos, em 1944, ano em que o artista morreu de pneumonia aos 71 anos.

A exposição tem entrada gratuita e fica em cartaz até 4 de abril, das 9h às 21h, no Centro Cultural Banco do Brasil, localizado na  Rua Álvares Penteado, centro de São Paulo.

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