segunda-feira, 30 de Maio de 2016 12:33h Secretária de Cultura de Minas Gerias

Murilo Rubião será homenageado em duas reuniões na ALMG

Os 100 anos de nascimento do escritor serão celebrados em Reunião Especial de Plenário e audiência pública

O escritor mineiro Murilo Rubião será homenageado em duas atividades na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Na segunda-feira (30/5/16), às 19 horas, uma Reunião Especial de Plenário vai celebrar os 100 anos de nascimento do escritor. Na quarta (1º/6), a Comissão de Cultura vai promover uma audiência pública, no Auditório, também às 19 horas, para debater a literatura, a política e o serviço público, em relação a Murilo Rubião.

Segundo o deputado Durval Ângelo (PT), autor do requerimento para a realização das duas reuniões, o escritor é tido como o primeiro contista do gênero fantástico da literatura brasileira e deixou como legado uma "obra intensa e singular", por isso merecedor de toda a homenagem.

Na Reunião Especial, a sobrinha do escritor, Laura Lustosa Rubião, receberá uma placa comemorativa pelos 100 anos de Murilo Rubião. Durante a cerimônia, o dramaturgo Sérgio Abrita fará uma leitura dramática de um conto do escritor.

Para a audiência pública, foram convidados a doutora em Literatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Roniere Silva Menezes; o diretor do Suplemento Literário de Minas Gerais, Jaime Prado Gouveia; o escritor e servidor aposentado da ALMG, Francisco de Moraes Mendes; e o ex-diretor do Acervo de Estudos Literários e Culturais e do Acervo de Escritores Mineiros da UFMG, Reinaldo Martiniano Marques. O evento conta também com a presença do Secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo.

 

 

 

Biografia – Murilo Eugênio Rubião nasceu em Carmo de Minas (Sul do Estado) em 1º de junho de 1916. Contista, jornalista, professor e advogado, iniciou seus estudos em Conceição do Rio Verde (Sul), concluindo-os em Belo Horizonte. Ingressou no curso de direito em BH, em 1938, onde funda, com outros estudantes, a revista literária Tentativa. Ainda estudante, assume, em 1939, a função de redator da Folha de Minas, permanecendo no diário por dez anos.

Em 1940, tem sua primeira publicação literária, o conto Elvira, Outros Mistérios, impressa na revista Mensagem. Formou-se advogado em 1942 e, no ano seguinte, passa a atuar, também, como diretor da Rádio Inconfidência de Minas Gerais. Dois anos depois, assume o cargo de presidente da seção mineira da Associação Brasileira de Escritores, participando do 1º Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo.

 

 

 

 

Em 1946, começa a destacar-se em sua atuação política: torna-se oficial de gabinete do interventor do estado, passando em seguida a outros cargos até, no ano de 1952, chegar à chefia de gabinete do então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek. Nesse meio tempo, publica dois livros: O Ex-Mágico (1947) - ganhador de um prêmio da Academia Mineira de Letras - e A Estrela Vermelha (1953).

Em 1965, lança o volume de contos Os Dragões e Outros Contos e, no ano seguinte, torna-se o primeiro editor do Suplemento Literário, também no jornal Minas Gerais, em que permanece até 1969, quando se afasta para assumir a chefia do Departamento de Publicações e Divulgação da Imprensa Oficial. Ainda antes da publicação de mais dois volumes de contos - O Pirotécnico Zacarias e O Convidado, ambos de 1974 -, exerce a função de presidente da Fundação de Arte de Ouro Preto.

 

 

 

 

Aposenta-se em 1975, ano em que também é eleito presidente do Conselho Estadual de Cultura de Minas Gerais. Em 1978, publica mais um livro, A Casa do Girassol Vermelho, e, no início dos anos 1990, publica a antologia O Homem do Boné Cinzento e Outras Histórias. Falece em 1991, e a sua obra é reconhecida como uma das mais inventivas do conto brasileiro da segunda metade do século XX.

Autorretrato - Em 1949, o escritou publicou um 'autorretrato', em que conta sobre sua vida até então: "No livro de registro de nascimento da matriz de Silvestre Ferraz, hoje Carmo de Minas, encontro, ao lado meu, os nomes de meus pais: Eugênio Alvares Rubião e Maria Antonieta Ferreira Rubião.

 

 

 

 

Meu pai, homem de boa cultura humanística, era filólogo e pertenceu à Academia Mineira de Letras. Escrevia com rara elegância, apesar de gramático. Dele, herdei a timidez e um certo ar cerimonioso, que me tem privado da simpatia de numerosas pessoas. Algumas delas mulheres, o que é lamentável.

Em Belo Horizonte, residi 25 anos. Alguns alegres, outros tristes. Lá pretendo morrer. No cemitério do Bonfim, se não for incômodo para os que me sobreviverem.

Cursei grupo escolar, ginásio, Faculdade de Direito, e posso afIrmar, sem sombra de orgulho, que jamais fui primeiro aluno em qualquer disciplina. Como escritor, alcancei algum êxito na burocracia das letras. Três vezes presidente da Associação Brasileira de Escritores (Secção de Minas Gerais) e vice-presidente do I Congresso Brasileiro de Escritores.

 

 

 

Sete anos levei para escrever e publicar o meu primeiro livro "O Ex-Mágico". Nem por isso ele saiu melhor. Comecei a ganhar a vida cedo. Trabalhei em uma baleira, vendi livros científicos, fui professor, jornalista, diretor de jornal e de uma estação de rádio. Hoje, sou funcionário público.

Celibatário e sem crença religiosa. Duas graves lacunas do meu caráter. Alimento, contudo, sólida esperança de me converter ao catolicismo antes que a morte chegue. Muito poderia contar das minhas preferências, da minha solidão, do meu sincero apreço pela espécie humana, da minha persistência em usar pouco cabelo e excessivos bigodes. Mas, o meu maior tédio é ainda falar sobre a minha própria pessoa".

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