sexta-feira, 20 de Maio de 2016 11:26h Agência Minas

Museu da Loucura é reaberto em Barbacena após revitalização

Obras incluem a reestruturação do prédio, adequação da área física e ampliação do acervo

O Museu da Loucura, pertencente à Fhemig, foi reinaugurado nesta quarta-feira (18/5), no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), durante uma cerimônia que contou com a presença de diversos convidados, como autoridades mineiras, servidores da área de saúde mental, professores e estudantes universitários. A data escolhida para a reabertura foi especial, já que no dia 18 de maio são comemorados o Dia Internacional dos Museus e o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

Dentre as autoridades presentes, estavam o presidente da Fhemig, Jorge Nahas, o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, o prefeito de Barbacena, Antônio Carlos Doorgal de Andrada, o secretário de estado de Cultura, Angelo Oswaldo, o diretor do CHPB, Wander Lopes da Silva, e o subsecretário de Cultura de Barbacena e historiador responsável pelo projeto museológico, Edson Brandão.

 

 

 

O evento teve início com a participação do coral Pirô Criô, formado por pacientes do CHPB e servidores do hospital, e da servidora Eliane Gonçalves Dias, que interpretou o hino nacional. Após a abertura, foi lançado o livro Uma Falha no Silêncio, uma compilação de textos redigidos por profissionais do CHPB para um concurso realizado em 2013, sobre a sua vivência no atendimento aos pacientes psiquiátricos.

Para Jorge Nahas, o novo Museu da Loucura representa a vitalidade, humanidade e capacidade de superação e reinvenção de seus servidores e de todos os trabalhadores de saúde mental. “O museu tem um enorme valor, não apenas pelo seu acervo, mas por simbolizar a luta dos trabalhadores, a conquista de direitos e o avanço nas questões do trato do indivíduo de saúde mental. Esta nova visão é uma conquista humana, extremamente significativa”, avalia o presidente da Fhemig.

 

 

 

Helvécio Magalhães também se lembrou da importância dos trabalhadores da área. “Neste Dia Nacional da Luta Antimanicomial, parabenizo os profissionais da saúde mental, que apesar de todas as adversidades, e do cotidiano difícil, não têm desistido, e se esta é uma luta vitoriosa, nós devemos isso a eles”, afirma o secretário.

 

 

 

Revitalização do espaço

O Museu da Loucura passou por uma intensa revitalização, que incluiu a reestruturação do prédio, adequação da área física e ampliação do acervo. Desde junho de 2014, o local estava fechado para visitas. Segundo Lucimar Pereira, coordenadora do museu e integrante da comissão de restauração, logo nas primeiras reuniões do grupo foi discutido que uma ampliação do conceito museológico era necessária, mostrando a evolução que a psiquiatria vinha trilhando. “Incluímos informações sobre a trajetória da luta manicomial e da reforma psiquiátrica no acervo, já que o museu tinha o papel de mostrar este segmento da história”, conta Lucimar.

Para Edson Brandão, com esta nova configuração, conseguiu-se abordar as transformações, para que o museu não ficasse preso apenas ao passado. “O museu antigo, ao mostrar a trajetória da instituição, era uma retratação daquilo que não deveria ocorrer, mas é necessário que o visitante perceba que há um futuro, e que foi representado pelos serviços substitutivos”, explica.

Com o objetivo de oferecer uma melhor experiência ao visitante, foram adicionados recursos tecnológicos, que modernizaram o circuito expositivo do Museu da Loucura. “O museu está mais sensorial, e mais emocional também. Com recursos simples, mas impactantes, conseguimos mostrar a história por meios diferentes de fotos e textos. Vê-se e ouve-se muito”, completa o historiador e artista plástico.

 

 

 

Histórico

O Museu da Loucura foi criado em 16 de agosto de 1996 - em 2016, completam-se 20 anos de fundação -, através de uma parceria entre a Fhemig, CHPB e a Prefeitura Municipal de Barbacena – Fundação Municipal de Cultura. Desde sua criação até os dias atuais, somam-se 131.156 visitantes registrados no livro de assinaturas. O acervo é constituído de textos, fotografias, documentos, objetos, equipamentos e instrumentação cirúrgica, que relatam a história do tratamento ao portador de sofrimento mental.

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