sexta-feira, 1 de Abril de 2016 12:55h Secretária de Cultura de Minas Gerias

SEC homenageia os 120 anos do escritor mineiro Agripa Vasconcelos

Celebração acontece conta com palestra na Academia Mineira de Letras

“Eu não invento, apenas romanceio a história. É história e não estória”, assim o médico e escritor mineiro Agripa Vasconcelos (1896-1969) falava sobre um de seus ofícios: escrever, com sensibilidade, sobre densos episódios da evolução histórica e econômica de Minas Gerais.

No ano em que o autor completaria 120 anos, a Secretaria de Estado de Cultura apoia o evento de homenagem com a palestra “Agripa Vasconcelos – do poeta ao romancista das Gerais”, ministrada pelo especialista das letras e professor Maurício Cesar Menon, doutor pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A homenagem é aberta ao público, no dia 7 de abril, às 19h30, no Auditório Vivaldi Moreira da Academia Mineira de Letras.

 

 

 

O secretário de Estado de Cultura e sucessor de Vasconcelos na Academia Mineira de Letras - AML, Angelo Oswaldo, salienta a importância do autor para a literatura brasileira. “Sua obra se tornou uma referência cultural muito forte. É que as personagens mais fascinantes da história mineira renascem em suas páginas de modo ao mesmo tempo realista e fantástico”.

Mara Sylvia de Vasconcellos Mancini, neta de Agripa Vasconcelos, fala sobre a emoção para família em receber o reconhecimento. “É uma data muito importante para nós e é comovente receber o apoio da Academia Mineira de Letras, uma vez que meu avô é até hoje o mais jovem imortal a ingressar naquela Casa, com apenas 25 anos de idade. Estamos felizes por poder reavivar o nome dele no cenário brasileiro, já que trata-se de um ícone da literatura. Ele foi um dos grandes nomes do seu tempo.”

O presidente da AML, Olavo Romano, e a presidente da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e coordenadora da Universidade Livre da AML, Elizabeth Rennó, estarão presentes na solenidade.

 

 

 

Agripa Vasconcelos

Agripa Vasconcelos nasceu em Matozinhos, então município de Santa Luzia, em 12 de abril de 1896. Obteve o título de médico na Faculdade do Rio de Janeiro, em 1920. Uma década depois, publicou “De que morreu Aleijadinho”, um dos primeiros diagnósticos retrospectivos feitos no Brasil sobre o assunto. Com muita pesquisa e dedicação, escreveu Agripa “Sagas do País das Gerais”. A obra, composta de seis romances históricos, colocou-o entre os maiores escritores brasileiros.

A coleção consagrada é ilustrada pela artista plástica Yara Tupinambá e conta com os seguintes volumes: “Fome em Canaã: romance do Ciclo dos Latifúndios”, “Sinhá Braba: romance do Ciclo Agropecuário”, “Gongo-Sôco: romance do Ciclo do Ouro”, “Chico-Rei: romance do Ciclo da Escravidão”, “A Vida em Flor de D. Bêja: romance do Ciclo do Povoamento” e “Chica que Manda: romance do Ciclo dos Diamantes”.

 

 

 

As histórias e personagens de dois de seus livros foram enredo de telenovelas transmitidas pela TV Manchete na década de 1980 e 1990. Uma delas, Dona Beija (1986), foi baseada na obra ”A Vida em Flor de D. Bêja” e contou com Maitê Proença no papel principal. Já Xica da Silva (1996), um dos clássicos do gênero, foi inspirada no título “Chica que Manda” e foi protagonizada por Tais Araújo.

Agripa Vasconcelos contava em versos sobre sua terra natal, ao evocar a fé, as lendas, o amor e o sofrimento do sertão mineiro. Além de assumir uma cadeira na Academia Mineira de Letras, o autor foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, do Instituto Histórico de Ouro Preto e do Instituto Histórico e Geográfico de Pompéu/MG.

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