terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016 13:56h Agência Brasil

Servidores da Biblioteca Nacional temem por segurança com obras no prédio

Após o vazamento que alagou o saguão da Biblioteca Nacional na última sexta-feira (19), a Associação de Servidores da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) alerta para os riscos que o prédio centenário no centro do Rio de Janeiro

Após o vazamento que alagou o saguão da Biblioteca Nacional na última sexta-feira (19), a Associação de Servidores da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) alerta para os riscos que o prédio centenário no centro do Rio de Janeiro, em obras há um ano, oferece aos trabalhadores, visitantes e ao acervo da instituição cultural mais antiga do país.

Com as chuvas que atingiram a cidade durante toda a semana passada e um cano desconectado no telhado em obras, a água desceu pelo quinto andar até o saguão do segundo andar do prédio, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

De acordo com a presidenta da associação, Luciana Muniz, a situação já foi normalizada, mais ainda há a preocupação dos servidores com o futuro do prédio. “Há necessidade de obras estruturais que deem conta da mobilidade interna, elevadores mais seguros, e climatização que dê conforto ambiental aos servidores e usuários e para manutenção do acervo. Quer dizer, o prédio necessita de um projeto estrutural de remodelamento para que ele possa sobreviver, se reestruturar e ganhar um horizonte novo de funcionamento com qualidade e segurança.”

Luciana informou que as obras, anunciadas em 2014, contemplam apenas aspectos arquitetônicos e o cronograma não foi apresentado aos funcionários. “É um problema muito antigo. Ficamos aguardando gestão após gestão. Tudo é protelado e nada é resolvido. Num ano de contenção de gastos e crise, precisamos de planejamento mais efetivo para garantir um projeto estrutural, porque essa obra não diz respeito à estrutura do edifício, mas à parte mais arquitetônica.”

Segundo ela, a biblioteca não conta com engenheiro responsável nem plano de emergência, bem como certificação do Corpo de Bombeiros. A presidenta interina da FBN, Ângela Fatorelli, admitiu que a certificação ainda não foi dada pelos bombeiros, mas assegurou que todas as exigências foram cumpridas e os documentos enviados à corporação.

“A gente não precisa de alvará. Mandamos todos os documentos e estamos esperando uma resposta dos bombeiros. Tem uma expressão técnica específica, que é um documento, um certificado que garante que nosso sistema de prevenção de incêndio está ok. Seguimos todas as exigências que nos foram feitas, as enviamos para os bombeiros e estamos esperando a resposta. Os extintores estão de acordo com os parâmetros”.

Sobre a falta de engenheiro na instituição, Ângela confirmou que no quadro de servidores da biblioteca não há. Acrescentou que as prestadoras de serviços de manutenção predial e responsáveis pelas obras têm profissionais à disposição da instituição e as equipes agiram rapidamente para resolver o problema ocorrido sexta-feira. “O reparo foi feito na madrugada da própria sexta-feira. No sábado, quando a chuva foi mais forte, a ponto de atrasar o show dos Rolling Stones, não registramos nenhum incidente. Foi recuperado imediatamente”.

Conforme a presidenta interina, não houve nenhuma perda de conteúdo, acervo ou material relevante. O único prejuízo foram dois teclados de computador danificados. Com relação ao risco do prédio, Ângela afirmou que foi feita recentemente uma avaliação que atestou a segurança da estrutura. “Fizemos uma avaliação estrutural há alguns anos. O prédio e sua estrutura são seguros. O prédio realmente é bastante antigo, mas teve a estrutura toda feita de metal. Não há nenhum risco.”

A previsão de conclusão das obras de restauração da cobertura, claraboias, vitrais, instalações elétricas e troca de elevadores é até o meio do ano. A da fachada ainda foi licitada e só deve ser concluída no fim de 2017. O local continua aberto à visitação e consulta do acervo.

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