terça-feira, 8 de Março de 2016 11:44h Secretária de Cultura de Minas Gerias

Zonas rurais mineiras cultivam cultura musical através de bandas

Entrega de instrumentos musicais pelo Governo de Minas Gerais a corporações civis contribuem para manutenção das bandas do interior

Minas Gerais é grande no tamanho e também na diversidade e no talento cultural encontrado em pequenas comunidades, municípios e zonas rurais. Para o Governo de Minas Gerais, investir em cultura de tradição é trazer significado à vida dos mineiros. A Secretaria de Estado de Cultura (Sec) e a Companhia de Desenvolvimento de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) contemplam anualmente corporações civis pelo edital de doação de instrumentos musicais, do programa Bandas de Minas.

A difusão da cultura local passa pela regionalização implementada pelo Governo Fernando Pimentel, que consiste em estimular a produção cultural mineira, por meio das políticas públicas voltadas para os 17 territórios de desenvolvimento.

 

 

 

Instrumentos de sopro, metal e percussão de qualidade, que contribuem para a manutenção e aperfeiçoamento dos seus conjuntos musicais, são doados aos grupos para a prática e apresentações musicais. Além disso, as escolas públicas estaduais das localidades mineiras contempladas na seleção ganham duas apresentações gratuitas das bandas civis, em formato de concerto didático.

“No último edital recebemos mais de 300 inscrições. Além da consistência e da qualidade do trabalho, a Comissão Técnica de Avaliação procurou contemplar bandas das mais diferentes regiões do estado, além de atentar para que corporações que nunca tinham sido beneficiadas pudessem, enfim, receber o incentivo”, informa a diretora de Programas e Articulação Institucional da Sec, Janaina Maquiaveli Cardoso.

 

 

Cultivando música

A Associação Musical do Arame (Amar) foi uma das 85 contempladas no programa Bandas de Minas e irá receber instrumentos musicais de sopro, metal e percussão. A banda pertence a uma comunidade rural do município de Lagoa Dourada, na região Central, tem como renda principal a agropecuária.

O grupo iniciou suas atividades em 2000 quando alguns moradores sentiram necessidade de conseguir uma banda para tocar na Semana Santa do povoado. Logo, um maestro da cidade foi à comunidade e iniciou a formação dos músicos.

Atualmente, o grupo que carrega o nome do povoado – Arame – conta com 18 músicos com idades variadas, desde 11 anos o mais novo aos 78 o mais velho.

 

 

 

De acordo com o maestro Ricardo José Pinto, que trabalha na Amar desde 2005, o grupo é de extrema relevância na religiosidade da comunidade. “A banda é de fundamental importância para região e moradores, pois existe uma tradição muito forte nas festas religiosas, principalmente na Semana Santa”, avalia.

Além de tocar em grandes festivais de bandas de cidades vizinhas, a maior parte dos compromissos da associação está relacionada a eventos religiosos como procissões, Semana Santa, entre outros. O estilo do repertório é variado e vai de marchas fúnebres e dobrados a peças mais atuais e modernas.

 

 

 

A banda foi contemplada no edital da SEC em 2004, 2011 e 2014 e, segundo o maestro, os instrumentos adquiridos por meio do programa neste ano poderão ajudar a Amar a aumentar o número de músicos.

“A nossa banda não é uma muito grande, pois não temos muitos instrumentos para ampliá-la. Estes materiais recebidos são a única forma que temos para integrar novos membros à associação, uma vez que não conseguimos outros tipos de recursos”, explica i maestro.

 

 

 

Em Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata, a Associação Música e Arte (AMA), que surgiu em 2012,, também foi uma das contempladas do programa. A associação tem o objetivo de desenvolver e ampliar horizontes da cultura musical da zona rural do município. Cerca de 200 ruralistas, entre crianças, jovens e adultos, estão sendo alfabetizados musicalmente. Atualmente, os trabalhos acontecem também em Porto Plácido, Boa Vista, Nova Soberbo, Gongo e Chacrinha.

“O nosso próximo projeto é construir uma sede própria. Queremos conseguir um terreno para poder ampliar as opções de cursos, como aula de violão e bordado. Esses tipos de projetos ocupam as crianças e adolescentes e os afastam das más influências”, diz Carlos Roberto, presidente da banda há três anos.

 

 

Qualidade atestada

A escolha dos instrumentos adquiridos pela SEC, com recursos provenientes da Codemig, conta com aval rigoroso e técnico de músicos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, garantindo a excelência das apresentações mineiras.

“Procuramos avançar na especificação técnica dos instrumentos que integra o Termo de Referência do processo licitatório. Somos muito agradecidos aos chefes de naipe da sinfônica mineira”, conta a diretora de Programas e Articulação Institucional da SEC, Janaina Maquiaveli Cardoso.

Flauta transversal, clarinete, requinta, sax alto, sax tenor, sax barítono, sax soprano, sax horn, trompete, trompa, trombone de vara, trombone de pisto, bombardino, bombardão, sousafone, par de pratos, caixa de guerra, bumbo e surdo estão entre o total de cerca de 500 instrumentos doados pelo Governo de Minas Gerais.

 

 

Programa Bandas de Minas

O Programa Bandas de Minas tem o objetivo de incentivar e valorizar um dos principais elementos da identidade cultural mineira. Em 2015, por meio de dois editais, foram disponibilizados R$ 1 milhão de recursos para as corporações musicais do estado.

Além do edital de doação de instrumentos, o programa promoveu, em novembro do ano passado, um Encontro de Bandas na Praça da Assembleia.

Seis corporações foram selecionadas via edital para a apresentação, como uma forma de incentivar a integração, o desenvolvimento e o fortalecimento de laços entre as corporações musicais do estado e seu público, proporcionando à sociedade evento artístico gratuito relevante e representativo da identidade cultural de Minas Gerais.

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