quinta-feira, 13 de Dezembro de 2012 04:17h Daniel Michelini - Colaboração Rádio Minas

90% das nascentes divinopolitanas estão contaminadas

Estudo realizado por estudantes e profissionais da Funedi/UEMG mostra que a qualidade da água em Divinópolis é questionável

A qualidade da água em Divinópolis está sendo colocada em xeque por estudantes de química e engenharia civil da Funedi/UEMG. Segundo estudo feito pelos alunos, em pesquisa que incluiu aproximadamente 100 nascentes no perímetro urbano da cidade, cerca de 90% dos mananciais estão com risco de contaminação.
Segundo o professor Helvécio Costa Menezes, Doutor em Química Analítica e mestre Engenharia de Produção, a pedido da Funedi/UEMG, o estudo ainda está sendo concluído e será divulgado juntamente com o plano diretor, no início do ano que vem.
A qualidade da água é duvidosa e algumas nascentes não possibilitam formas de revitalização: “Algumas nascentes não possuem chances de serem recuperadas, pois já contém até construções em cima. Tem nascentes embaixo de casas, prédios”, revela o professor Helvécio.
O projeto foi concentrado em pesquisas sobre os mananciais e, a partir do levantamento feito sobre as nascentes, foi feita uma espécie de ‘Raio X’ em relação aos locais, inclusive os arredores das nascentes, avaliando se estava assoreada, protegida e presença de animais que poderiam contaminar a água: “As nascentes contaminadas estão com esse problema devido a variados fatores, como lixo, esgoto e aterramento. Apenas quatro nascentes estão em condições satisfatórias”, disse Helvécio, ressaltando que o estudo completo será divulgado em breve.
O que preocupa é que grande parte das nascentes são utilizadas pela população divinopolitana: “Identificamos a presença de coliformes (bactérias contidas em fezes humanas e animais) na água”, explica.
A prefeitura possui um projeto que visa a total despoluição do Rio Itapecerica. No entanto, Helvécio enfatiza que é melhor cuidar das nascentes: “É importante preservar os mananciais. Isso fica mais barato do que tratar a água. Despoluir é muito mais caro. Muitas nascentes se transformam em córregos de esgoto”, afirmou.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 70% das doenças são veículadas pela água, o que é altamente perigoso, principalmente em Divinópolis, após a comprovação deste estudo.
Helvécio recomenda que a população pratique o tratamento simplificado da água, como a filtração: “Isso é uma consequencia direta do mau uso e ocupação do solo. As cidades não foram preparadas para interagir com o ambiente”, explica.
AR
Outro fato preocupante detalhado no estudo é em relação ao ar de Divinópolis. De acordo com Helvécio, foram encontradas substâncias carcinogênicas (que provocam câncer) em níveis elevados no ar da cidade. O professor dá dicas de como contribuir: “A população pode colaborar com a melhoria, como não colocar fogo em lotes vagos. Queimar lixo junto com o mato causa prejuízos ao ar”. Além disso, o grande uso de automóveis também complica a situação, juntamente com a ação das indústrias: “De um modo geral, as indústrias contribuem de forma significativa para esse estado. Devem colocar filtros mais eficientes para reter esse tipo de material”, concretiza.

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