quarta-feira, 29 de Abril de 2015 10:22h Atualizado em 29 de Abril de 2015 às 10:28h. Bruna Costa

A relação das crianças e adolescentes com a internet

Educação e supervisão são as atitudes que os pais devem ter diante a relação dos filhos com a internet e as redes sociais

As inovações na área tecnológica avançam em um ritmo acelerado e fica até difícil acompanhar as novidades. Mas isso parece fácil para a nova geração de crianças e adolescentes que nasceram em plena era da informática. Como os pais devem lidar com os filhos que estão cada vez mais conectados nesse mundo virtual? Como agir diante os casos de aliciamento, abuso e pornografia infantil pela internet?

Para a psicopedagoga Lenir Rosa André o primordial no processo educacional das crianças é o diálogo e o acompanhamento que os pais devem fazer desde o momento do nascimento do bebê. Porém, ela destaca que esse processo da educação tem se perdido. “Os pais têm deixado para outras instituições fazerem o que é função deles. Sim, a escola educa, mas em um processo mais restrito. A família educa em um processo mais amplo, que é a questão moral e ética dessa organização de vida dentro da sociedade e ela tem se perdido nesse contexto” explica Lenir.

A questão é que o mesmo acompanhamento da vida cotidiana da criança deve ser feito na vida virtual. Ou seja, os pais devem saber como seus filhos se portam, como agem, com quem conversam, saem, se divertem e estudam nos dois espaços de maneira igual. A criança deve estar ciente que os pais precisam saber disso tudo porque se importam e amam os filhos. Esses são os primeiros passos para evitar que as crianças façam escolhas erradas e caiam em armadilhas e situações criminosas.

Esse cuidado faz parte da organização familiar independente se for de formação tradicional – pai e mãe ou pais do mesmo sexo – por familiares ou mãe solteira. A educação deve estar pautada no diálogo. “Uma família organizada tem mais estabilidade para contornar e resolver situações que ameaçam a segurança e vida da criança e do adolescente”, observa Lenir.

 

INTERNET, BOA OU RUIM?

Essa tecnologia, que podemos dizer que é recente, facilita várias ações e funcionamento na nossa vida cotidiana. Hoje em dia é raro alguém que nunca tenha acessado a internet. Seu uso tem crescido de maneira acelerada e, quanto mais gente usando, mais coisas boas e ruins aparecem. Afinal, a internet e as redes sociais são meros instrumentos e cabe às pessoas decidirem se usam para o bem ou para o mal. “A internet é importante para todo mundo e cada vez vai ser mais usada. Mas é preciso duas coisas para as crianças e adolescentes usarem a internet: educação e supervisão. Sem isso nós vamos fatalmente ter problemas”, adverte o promotor de Justiça Carlos Fortes.

Os pais devem entender e saber usar a internet para supervisionar o que os filhos fazem. Devem explicar que nem tudo que está na rede é verdade. Isso faz parte do processo educacional das crianças. Criminosos têm artimanhas para enganar, de inúmeras formas. Fazem uso de fotos de alguma personalidade famosa ou até desenho animado e conversam com as crianças até ganharem sua confiança. Praticam não só o abuso sexual e crimes de pedofilia, mas crimes patrimoniais ao pedir endereço da casa para um futuro assalto ou sequestro. “São coisas que parecem óbvias aos adultos, mas não são para a criança. Ela acredita”, observa Carlos.

 

GROOMING – CRIME DE PEDOFILIA PELA INTERNET

Segundo a Lei n° 11.829, elaborada pela CPI da Pedofilia em 2008, configura como crime de pedofilia oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar, divulgar, adquirir, possuir ou armazenar, aliciar, assediar, instigar ou constranger, simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornografia em montagem ou qualquer outra forma por qualquer meio de divulgação, com variação de um a seis anos de reclusão.

O grooming é esse assédio infantil através da internet, que pode ser dividido em fases. A pessoa começa conversando educadamente, aos poucos ganha a confiança da vítima, até chegar ao ponto em que ela parte para praticar o abuso. “Crimes de pornografia infanto-juvenil são espécies de crimes de pedofilia, porque atacam o bom uso da internet, a dignidade sexual das pessoas e o desenvolvimento saudável de crianças. Infelizmente acontecem todo santo dia, e não é de hoje, eles só aumentam”, alerta o promotor de Justiça.

Há sites e associações que promovem a pedofilia, o comércio de pornografia infantil e páginas que incentivam o abuso infantil. Há lugares que ensinam técnicas de atração à vítima, organização internacional que promove a prática da pedofilia e símbolos que identificam os pedófilos. É na deep web, que são páginas da internet codificadas, onde a maioria desses sites de pornografia e apologia ao crime está. E é bom lembrar que o que entra na internet nunca mais sai.

 

QUANDO OCORRE O CRIME, O QUE FAZER?

O primeiro passo, segundo Lenir Rosa, é ouvir o que a criança ou adolescente tem a dizer e não desesperar, apesar de ser normalmente essa a primeira reação dos pais. Ao ouvir a criança, o pai pode acabar descobrindo algo que antes não percebia como, por exemplo, a criança agir de certa forma ou aceitar uma proposta por se sentir sozinha. Pelo exemplo do promotor, se uma filha está sendo assediada na internet de uma forma maliciosa, recebendo propostas explícitas para sexo, se ela for criança – ou seja, se tiver até doze anos – a simples proposta configura o crime.

Para denunciar uma pessoa que publica pornografia infantil, faz propostas indecentes ou outro tipo de crime, qualquer pessoa pode imprimir a página da internet e levar à Polícia Militar, às delegacias de Polícia Civil Estadual ou Federal, à Promotoria de Justiça da Vara da Infância e Juventude ou Criminal ou ainda ao Conselho Tutelar. Outras formas de denunciar é utilizar o Disque 100 ou o site da Polícia Federal, pelo endereço www.dpf.gov.br, para que seja investigado se é crime ou não. “Uma proposta sexual a uma criança até doze anos é crime. A um adolescente, pode não ser crime, depende do contexto”, acrescenta Carlos.

 

18 DE MAIO, DIA NACIONAL DE COMBATE À PEDOFILIA

Será realizada, no dia 18 de maio, a oitava caminhada pela campanha “Todos Contra a Pedofilia”. Carlos Fortes convida a todos a se vestirem de preto e participarem junto com a presença de secretarias, polícia, bombeiros, escolas e crianças. A concentração da caminhada será às 8h, na Praça da Catedral e terminará na Praça do Santuário. “Todos Contra a Pedofilia” é uma campanha que ganhou proporção nacional, em que muitos artistas aderiram e vários estados fizeram suas próprias versões da campanha.

 

Crédito: Acervo Pessoal
Crédito: Bruna Costa

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