sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017 15:10h Mariana Gonçalves

“A situação está desesperadora”, desabafa diretora da Escola Patronato sobre o descaso do Governo

Faltam poucos dias para que o ano letivo de 2017 seja iniciado. Para muitos estudan­tes, a volta às aulas é sempre uma novidade, tempo de pre­paração para novos desafios e aprendizados. As escolas já começam a se preparar para um novo ano, antes mesmo de o outro terminar. Cada ins­tituição dá o seu melhor para acolher os estudantes. Con­tudo, uma situação peculiar chamou a atenção da nossa reportagem, o pedido deses­perado de uma diretora, que, desde o ano passado, enfrenta dificuldades para utilizar o espaço interno de sua escola, onde está localizada a quadra esportiva.

Quando se fala em quadra esportiva, o cenário imaginado é de uma área coberta para jogar, principalmente, futebol e vôlei. Um local equipado também com um vestiário adequado para atender meni­nas e meninos. Mas a realidade da quadra esportiva da Escola Estadual Patronato Bom Pastor é totalmente diferente disso. Um espaço cheio de entulhos de uma reforma que teve co­meço, mas o fim foi esquecido. No local, é impossível praticar qualquer tipo de esporte ou brincadeira. Por todo o canto há restos de materiais de cons­trução. As traves dos gols foram retiradas e deixadas nas laterais do espaço. Uma espécie de rede, já totalmente danificada, está como o “telhado” do local. Além disso, o mato, em diversas partes deste espaço, cresce ace­leradamente. Por outro lado, a direção da unidade está de pés e mãos atados, sem poder fazer nada por falta de autorização. Assim foi o ano letivo de 2016, e para 2017 o pedido da direção da instituição é de socorro.

RECURSO

Segundo a diretora do Pa­tronato, Sônia Maria Teixeira, o Governo destinou um recurso de R$168 mil para a cobertu­ra da quadra. Um termo de compromisso firmando esta obra está assinado em nome da secretária estadual de edu­cação, Macaé Evaristo, e a direção da escola, na pessoa de Sônia. Inicialmente, foram depositados somente R$17 mil para o início das obras, a partir disso, mais nada caiu no caixa escolar, e nenhuma explicação foi dada à direção do Patronato acerca do assunto. “Esses R$ 17 mil de verba federal que caiu mandaram iniciar a obra e nós iniciamos, de repente o dinheiro não veio mais. Eu quis então limpar a quadra, mas não fui autorizada. Fui em Belo Horizonte, mas não conseguir resolver nada, e isso me preo­cupa demais, porque tem um monte de coisas lá, materiais de construção, mato, buracos e eu não posso fazer nada”, diz a diretora.

A direção pensou, inclusive, em realizar ações sociais, com objetivo de angariar fundos para ajudar na realização da obra, mas por já ter recurso garantido a este projeto, a res­posta que Sônia teve do Gover­no Estadual foi a negativa para esta possibilidade. “O único lugar que ainda não fui tentar resolver isso é em Brasília, mas estou para ir. Porque aqui em Divinópolis não resolve, em Belo Horizonte não resolve, já fiz denúncia na ouvidoria, mas ninguém faz nada”, frisa.

PREJUÍZOS

Diante deste cenário, os maiores prejudicados foram os estudantes, que não ti­veram aulas adequadas de Educação Física. Mesmo os professores se virando da forma que dava, a situação foi bastante complicada na insti­tuição. “Os professores saíam com as crianças quando dava, iam para a praça, e os meno­res, quando o sol estava muito quente, nós os colocamos no refeitório, porque como va­mos expor eles assim no sol? Não tem jeito. Estamos todos desorientados”, pontua Sônia.

A escola está passando por uma manutenção, principal­mente na parte da pintura, mas a diretora deixa claro que o recurso usado é do próprio caixa escolar, além disso, o serviço está sendo executado pelas mãos das próprias fun­cionárias da escola.

“No ano passado tivemos torneio de futebol e quem em­prestou a escola foi a Prefeitu­ra de Divinópolis. Precisamos que alguém faça alguma coisa, já estamos pedindo a Deus ajuda, porque a situação está desesperadora”, desabafa Sônia.

PALIATIVO

O representante da asso­ciação de bairro do Bom Pas­tor, Ivanei Antônio dos Santos, conhecido popularmente por ‘Chocolate’, procurou a dire­ção da escola para oferecer apoio. Chocolate conseguiu viabilizar o espaço do CRAS da região, para que pelo me­nos neste início de ano os estudantes tenham onde fazer as atividades de Educação Física.

GOVERNO

Em nota, a assessoria de comunicação do Governo de Minas Gerais destacou que “a obra de construção da quadra poliesportiva da Escola Esta­dual Patronato Bom Pastor, em Divinópolis, foi paralisada pela empresa executora com 20% realizada. A obra foi con­tratada por cerca de R$ 170 mil, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sob a responsabilidade do Ministé­rio da Educação”.

Ainda em nota, a asses­soria afirma que a “secretaria aguarda a liberação do recurso restante do FNDE para reali­zar o repasse para a empresa responsável. Dessa forma, espera-se que a obra seja re­tomada o mais breve possível”.

© 2009-2019. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.