quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015 09:06h Atualizado em 30 de Dezembro de 2015 às 09:10h. Pollyanna Martins

ACCCOM realiza casamento de paciente em tratamento paliativo

O casal, José Augusto e Maria Aparecida Silva, mora junto há 30 anos e realizaram o sonho de uma vida inteira

O tão esperado “sim” foi dito na tarde de ontem, após 30 anos de espera. A noiva, Maria Aparecida Silva, faz parte do projeto “Humanizar”, da Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas (ACCCOM), que cuida de pacientes paliativos e tinha o grande sonho de casar com o seu companheiro, José Augusto. Eles se conheceram há 30 anos, na “prainha” de Carmo do Cajuru. Ela disse que foi amor à primeira vista, e o olhar dele ao vê-la vestida de noiva foi como se a visse pela primeira vez.
A emoção tomava conta de uma sala da Casa de Apoio da ACCCOM. Amigos e familiares foram testemunhas da bênção de Deus sobre um grande amor. Ao chegarmos, encontramos o senhor José Augusto se arrumando logo na entrada. Muito nervoso, pois não sabia dar nó na gravata, enquanto ela calmamente era arrumada no andar de baixo. Com um vestido off, bordado com pérolas, e uma pequena cauda, ela radiava beleza. A tiara com pérolas e brilhantes finalizou os preparativos, e Maria Aparecida estava, enfim, pronta para subir ao altar.
Do lado de fora, ansioso estava o José Augusto. A ideia de casar partiu dele. Maria Aparecida faz tratamento na ACCCOM há dois anos. Um nódulo na mama fez com que ela procurasse atendimento médico, e o diagnóstico veio em seguida: câncer na mama. Foi após o casamento do também paciente paliativo da associação, Alencar Ferraz, com a companheira que vivia há 15 anos, Sônia José da Silva, em novembro deste ano, que surgiu a vontade de José Augusto se casar com Maria Aparecida. “É um sonho dos dois, eu sempre quis casar. Eu queria ir para a igreja comungar com ela, mas faltava o casamento, então nós resolvemos casar para ficar tudo certo”, conta. Quando perguntado em qual palavra ele definiria a esposa, José Augusto diz: “Amor, muito amor”.
Enquanto o noivo dava entrevista, ela surgiu acompanhada de enfermeiras, em seu lindo vestido de noiva. As palavras se atrapalharam e os olhos dele brilharam ao vê-la. De braços dados, eles caminharam rumo ao altar ao som da Marcha Nupcial. Logo em seguida, o músico tocou a música ‘Aleluia’ no saxofone. As lágrimas dos presentes rolavam, em um misto de emoção e alegria. O padre Edilson Antônio foi o responsável pela cerimônia. Após o “até que a morte nos separe”, a tão esperada troca de alianças e o beijo para comemorar o momento aguardado por 30 anos.

 

PREPARAÇÃO
Segundo a coordenadora de prevenção e rastreamento da ACCCOM, Sara Lemos, após José Augusto manifestar a vontade de se unir com Maria Aparecida perante a Deus, começou então o processo de preparação. Sara conta que, durante o pouco mais de um mês em que a cerimônia foi organizada, a equipe do projeto “Humanizar” perguntava aos noivos se esta era mesma a vontade deles, depois de confirmada, iniciou-se a procura por vestidos, decoração, bolo e salgados. “A gente não faz [a cerimônia] de imediato, a gente vem trabalhando. Esse desejo de casar começou logo após o casamento do senhor Alencar, e nós vimos a oportunidade de acontecer, então começamos a trabalhar isso. Cada um ficou responsável por alguma coisa. Vai montando tudo para fazer a vontade da paciente”, explica.

 

Créditos: Pollyanna Martins

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