quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014 05:00h Atualizado em 17 de Dezembro de 2014 às 05:03h. Lorena Silva

Acelerador linear deve chegar ao Hospital do Câncer ainda este ano

Expectativa foi dada pelo presidente da instituição, que falou ainda sobre o Centro da Mulher e da relação com o HSJD

O acelerador linear, aparelho que vai ser utilizado nos atendimentos de radioterapia do Hospital do Câncer, deverá chegar a Divinópolis até o fim deste ano. A estimativa foi dada na manhã de ontem pelo presidente voluntário da Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas (Acccom), Wilson Martins de Freitas, que espera que o aparelho deva estar em funcionamento até abril do próximo ano.
O custo do aparelho foi avaliado em R$ 3,8 milhões, sendo R$ 1,8 milhão viabilizado pelo deputado federal Jaime Martins, por meio de emenda parlamentar. Segundo Wilson, a contrapartida do Hospital do Câncer seria de R$ 900 mil, mas a instituição acabou precisando investir R$ 2 milhões para a obtenção do aparelho.
Isso porque, para liberar a emenda parlamentar, era necessária a apresentação da certidão negativa de débito do Hospital São João de Deus (HSJD), o que não foi possível de imediato, já que a instituição devia uma série de impostos. “Só conseguiu [liberar] quando o Jaime obteve um empréstimo na Caixa Econômica Federal para o hospital. Aí eles pagaram esses impostos, conseguiram a certidão negativa e liberou esse R$ 1,8 milhão”, explicou o presidente.

 

 

ATENDIMENTOS DA RADIOTERAPIA
Segundo Wilson, atualmente são realizados cem atendimentos por dia no setor de radioterapia do Hospital, sendo que o atual equipamento já trabalha acima da sua capacidade – uma vez que o recomendado é que atenda 70 pessoas por dia. Com a chegada do segundo aparelho, a expectativa é desafogar o serviço de radioterapia e fazer com que os atendimentos sejam dobrados.
Depois de chegar ao município, o acelerador linear vai precisar passar por um processo no qual o governo precisa autorizar o funcionamento, por se tratar de um aparelho de alta complexidade. Wilson conta que enquanto o segundo acelerador linear ainda não estiver funcionando, cerca de 60 pessoas por dia, que realizam o tratamento de radioterapia em Divinópolis, precisarão ser encaminhadas para Belo Horizonte.
O encaminhamento é necessário em razão da alta procura de pacientes, tanto do município quanto da região, pelo tratamento da radioterapia e pelo aparelho já estar funcionamento no limite da capacidade. De acordo com Wilson, ainda não foram acertados os hospitais que devem receber os pacientes, mas a Santa Casa e o Hospital da Baleia estão sendo estudados como possíveis parceiros.

 

 

CENTRO DA
O Hospital do Câncer também planeja para o próximo ano a construção do Centro da Mulher, um centro de diagnóstico que, inicialmente, será voltado para exames de prevenção de câncer de mama e de colo do útero. O espaço vai funcionar próximo a onde está situado hoje o Hospital do Câncer e a previsão é de que as obras tenham início em março do próximo ano, sendo que a estimativa é de que toda a construção seja feita em três anos.

Segundo Wilson, a ideia é construir o Centro em três etapas, sendo a inicial com dois andares, dotados de equipamentos de mamografia, ultrassonografia e exames de Papanicolau. Em fases posteriores, o local também contará com aparelhos de prevenção do homem, no qual exames como PSA e toque retal poderão ser realizados. Já na fase final, a ideia é investir em exames de imagem, como tomografia e outros exames laboratoriais.
“Vamos construir esse espaço porque hoje o índice de câncer de mama é muito alto no país, assim como o de colo do útero. Então queremos fazer essa prevenção e [oferecer] os exames para poder evitar que muitas mulheres tenham o câncer”, explicou o presidente. Além de construir o local, a Acccom também busca um credenciamento para que o serviço oferecido seja feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

 

SÃO JOÃO DE DEUS
Além de abordar a questão da chegada do acelerador linear e da construção do Centro da Mulher, o presidente da Acccom também se pronunciou sobre a parceria da instituição com o Hospital São João de Deus (HSJD). Wilson alega que, apesar das duas entidades serem próprias e com administrações independentes, a atual crise do HSJD também tem afetado, ainda que indiretamente, o trabalho do Hospital do Câncer.
Wilson explica que a Acccom foi a responsável por construir o Hospital do Câncer, equipar o local e passar sua administração para o HSJD. Enquanto o São João de Deus faz as cirurgias e oferece os tratamentos, a Acccom oferece o suporte complementar ao paciente. “A Acccom paga exame, medicamento, alimentação suplementar, transporta os pacientes para o tratamento e depois leva para casa. É esse o papel principal da Acccom. De complemento, trabalhando na recuperação do paciente.”
No entanto, todos os funcionários que atuam no Hospital do Câncer, como médicos e enfermeiros, são funcionários do HSJD e, por isso, a crise da instituição também reflete na Acccom. “Como o hospital está em situação financeira difícil, acaba nos afetando. No setor de hematologia, hoje nós temos 300 pacientes e apenas dois médicos. Tinha que ter quatro médicos”, exemplifica Wilson.

 

Crédito: Lorena Silva
Crédito: Divulgação / ACCCOM

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