quinta-feira, 10 de Março de 2016 10:00h Jotha Lee

Acerto de salários garante funcionamento da maternidade do São João de Deus

No Centro de Tratamento Intensivo, novas internações continuam suspensas

A ameaça de um apagão no atendimento da maternidade do Hospital São João de Deus (HSJD), feita no início da semana pelos médicos que compõem o quadro da clínica, foi completamente abortada ontem. Na segunda-feira, o diretor clínico da instituição, Luciano Alves Nogueira, recebeu um ofício assinado pelo coordenador da maternidade, Carlos Henrique Sousa de Jesus, informando que os atendimentos seriam suspensos. Apesar da direção do Hospital ter negado a crise, ontem o diretor clínico confirmou ao Gazeta do Oeste que recebeu o ofício e o encaminhou à direção da instituição. Disse ainda que os médicos estavam decididos em cumprir as ameaças de um apagão na maternidade.

 

 


A rebelião dos médicos obstetras foi motivada pelo atraso salarial e eles pretendiam já a partir de hoje fechar a maternidade e suspender todos os atendimentos obstétricos. Luciano Nogueira confirmou a intenção da classe. “Essa possibilidade, de fato, existiu, mas a situação, momentaneamente, está resolvida”, garantiu. De acordo com o diretor clínico, parte dos salários atrasados foi quitada na terça-feira, o que estancou um possível apagão no atendimento da maternidade. Entretanto, ele deixou claro que os médios estavam decididos e cumprir as ameaças. Para Luciano Ferreira, embora ainda haja tensão na relação dos profissionais da maternidade com a direção do Hospital, o funcionamento da clínica está garantido. “É um alívio para todos nós”, desabafou.
Através da assessoria de imprensa, a diretoria do HSJD confirmou que a maternidade funciona normalmente e que não há nenhuma possibilidade de que o atendimento possa ser suspenso. Ainda segundo o hospital, ontem 23 recém-nascidos estavam sendo assistidos pela maternidade.

 

 


UTI
Se a situação na maternidade se resolveu, por outro lado, continua tensa a relação dos 35 médicos que atendem na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do HSJD. A unidade chega hoje ao décimo dia de uma manifestação que começou no início do mês, com a suspensão de internações e das cirurgias eletivas. Além de salários, os médicos reivindicam a contratação de mais profissionais e auxiliares, sob argumento de que o pessoal disponível não é suficiente para atender à demanda, causando uma grande sobrecarga para todos os funcionários do setor. Ontem o hospital confirmou que a UTI continua fechada, porém garantiu que os casos de urgência continuam sendo recebidos.

 


O que o hospital não explicou até agora é a solução do pagamento dos médicos. Na semana passada o Estado liberou R$ 1,5 milhão referentes à primeira parcela de um pacote de R$ 4 milhões, destinados ao pagamento dos salários atrasados. Além desses recursos, a prefeitura, que no mês passado já havia repassado R$ 300 mil referentes à primeira parcela de R$ 3 milhões de aporte do município que será feito no HSJD, liberou no início da semana a segundo parcela no mesmo valor. Na semana passada, o HSJD garantiu que o pagamento estava sendo efetuado e que a partir da última segunda-feira o atendimento na UTI etária normalizado.
A direção do HSJD também não tem uma previsão de quando o impasse com os médicos da UTI será solucionado, portanto, o retorno do atendimento na unidade intensiva também está indefinido.

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