sábado, 14 de Março de 2015 06:28h Atualizado em 14 de Março de 2015 às 06:35h. Mariana Gonçalves

Adefom promove entrega de Kits Escolares

Lugar de criança com deficiência é na escola! Esse é o nome do projeto em que a Associação de Deficientes do Oeste de Minas (Adefom)

Lugar de criança com deficiência é na escola! Esse é o nome do projeto em que a Associação de Deficientes do Oeste de Minas (Adefom), visa chamar a atenção da sociedade para questões referentes ao ensino de crianças e jovens deficientes. Por meio da parceria com a UNIMED, ontem ocorreu na sede da Adefom a solenidade para a entrega de kits escolares aos estudantes associados da instituição. Foram entregues mais de 500 kits com caderno, lápis e borracha, os materiais são uma forma de estimulo e até mesmo incentivo para que os jovens não percam a vontade pelo estudo.
Segundo o presidente da associação, Reginaldo Couto, a instituição desde muito tempo trabalha pela inclusão, promoção e defesa dos direitos da pessoa com deficiência, e quando se fala na educação dentro do âmbito escolar, mesmo com os avanços que já tivemos, ainda tem muito o que fazer para melhorar, principalmente no quesito acessibilidade. “O nosso entendimento é que escola constrói o individuo, constrói o cidadão, não só pela perspectiva das matérias acadêmicas em si, mas pela perspectiva relacional, ou seja, a relação entre os alunos. O conhecimento passa a partir da hora que você se comunica com o outro”, acrescenta Reginaldo.
Para o presidente da Adefom, as escolas “especiais” devem ser opção somente quando a situação daquele (a) jovem realmente exige. “Nossas crianças têm que estar nas escolas regulares, em casos extremos, respeitamos a decisão da escola especial. O que queremos é que todas as escolas, sem diferença de uma para outra, tenham condições adequadas, tanto no espaço físico, quanto no que diz respeito aos profissionais, para atender as nossas demandas. Sabemos que muito tem sido feito, graças a Deus, porém precisamos de mais”, avalia.

 

FAÇA PARTE

Tanto os governos federais, estaduais e municipais têm o dever de investir na melhoria da qualidade da educação, no entanto, essa não é uma obrigação somente governamental. “Solicito a atenção das empresas, para que nos ajude financeiramente a melhorar não só a acessibilidade das escolas, como também o mobiliário das unidades de ensino. Entendemos que essa é uma responsabilidade de todos nós, por isso reforço, mais uma vez, esse chamado aos empresários e as pessoas na qualidade de pessoa física também podem nos ajudar. Temos o exemplo da Unimed que nos apoia, porém, precisamos de mais empresas”, finaliza Reginaldo.
O Brasil tem até 2024 para universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino. São 10 anos para cumprir a meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE). Apesar de o objetivo estar bem traçado, o País esbarra num obstáculo essencial: não se sabe exatamente quantas crianças e jovens nessas condições estão fora da escola.
No Brasil, 23,9% da população - aproximadamente 45 milhões de pessoas – têm alguma deficiência, de acordo com o Censo Demográfico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessas, 648.921 estão matriculadas na rede regular de ensino da Educação Básica, segundo o Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC). Porém, ainda não existem indicadores precisos para definir a real situação escolar dessa faixa da população. O ideal seria obter a taxa de escolarização dos indivíduos entre 4 e 17 anos com algum tipo de deficiência – ou seja, a proporção de pessoas nessa faixa etária que frequenta a escola em relação ao total da população do mesmo grupo etário.
O problema é que as duas bases de dados disponíveis – do IBGE e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao MEC – não são compatíveis e, portanto, não se pode cruzá-los para obter a taxa de escolarização dessa fatia da população. Isso porque os dois órgãos adotam critérios diferentes para definir o que é deficiência. O IBGE, por exemplo, não coleta dados sobre transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação – apenas de brasileiros com dificuldade permanente para enxergar, ouvir ou caminhar e deficiência mental/intelectual permanente.

 

Crédito: Mariana Gonçalves

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