sábado, 21 de Fevereiro de 2015 04:49h Atualizado em 21 de Fevereiro de 2015 às 04:54h. Lorena Silva

Aguapés tomam conta do Rio Pará e população pede providências

Prefeitura de Carmo do Cajuru alega ter adotado as medidas devidas para que a limpeza do rio seja realizada em breve

Depois de um longo trabalho de retirada de aguapés do rio Itapecerica, o problema com a proliferação das plantas volta a incomodar, dessa vez com relação ao rio Pará. Apesar da incidência da vegetação ter sido notada no rio – que corta tanto Divinópolis quanto Carmo do Cajuru – já há alguns meses, nenhuma medida para a limpeza do local foi tomada e agora a situação tem se tornado insustentável.
Próximo à entrada de Carmo do Cajuru é possível ver parte da extensão do rio coberta pela planta. Nesse local, o aguapé se acumulou gradativamente e formou pequenos blocos da vegetação. Já por cima da ponte próxima à Usina do Gafanhoto, em Divinópolis, o cenário é semelhante ao que podia ser visto no rio Itapecerica há alguns meses – um enorme tapete verde cobrindo toda a extensão do rio e impedindo que apareça a lâmina d’água.
O ambientalista Jairo Gomes destaca que houve muita movimentação para a retirada dos aguapés do rio Itapecerica e as pessoas acabaram se esquecendo de que o rio Pará passava pela mesma situação. Para ele, a situação do Pará é ainda mais grave que a do Itapecerica. “Porque lá tem a barragem da Usina do Gafanhoto e, com a estiagem, isso proporcionou a formação do tapete de aguapés. Não está havendo chuvas suficientes para que leve o aguapé embora.”
Segundo o ambientalista, o aguapé é uma planta que se prolifera rapidamente no período do inverno, praticamente dobrando de quantidade a cada 15 dias. Ele explica que quando o inverno tiver início e não houver a chuva para diluir o esgoto, o material vai permanecer no rio, fazendo com que o aguapé continue aumentando. “Isso vai demandar meses para ser retirado e mais uma vez quem vai pagar isso vai ser a própria população. Dinheiro de contribuintes que está indo embora de novo”, argumenta.

 

ENERGIA
Uma das preocupações do ambientalista é de que a situação na qual se encontra o rio afete a geração de energia do município, uma vez que o reservatório da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) utiliza a água proveniente do local. Segundo a Companhia, o reservatório da Usina do Gafanhoto recebe grande carga de esgotos carregados pelo rio Pará, o que aumenta a presença de fósforo e possibilita, juntamente com outros fatores, o crescimento dos aguapés.
No entanto, segundo a Cemig, até o momento não há interferência na geração de energia. “A Cemig conta com programa de monitoramento de Qualidade da Água, com o objetivo de obter e fornecer informações sobre a qualidade da água dos reservatórios para órgãos gestores, além de criar estratégias mais eficientes em parceria com instituições diversas para preservar os corpos d’água”, relatou, em nota.

 

RETIRADA
A prefeitura de Carmo do Cajuru, que é a responsável pela manutenção do rio Pará, alegou por meio da sua assessoria de imprensa que tem conhecimento das condições do acúmulo de aguapés, inclusive nas imediações da Usina do Gafanhoto, às margens da MG-050.
Segundo a prefeitura da cidade, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente já providenciou toda a documentação necessária junto à Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram) e ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) para que fossem emitidas as licenças que permitem a entrada no rio para a limpeza.
“Várias parcerias com o município vizinho, Divinópolis, tentaram ser efetivadas, no entanto, até a presente data nenhuma delas houve êxito. A prefeitura de Carmo do Cajuru informa que busca outras alternativas para que a limpeza ocorra em breve”, garantiu o órgão em nota.

 

Crédito: Lorena Silva

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