terça-feira, 19 de Janeiro de 2016 08:43h Pollyanna Martins

Alunos ocupam UEMG em Divinópolis

Pais e calouros ficaram revoltados, pois não conseguiram fazer as matrículas para o ano letivo. Professores também não conseguiram se inscrever para designação

Os alunos da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) - Campus Divinópolis -ocuparam o campus na manhã de ontem (18), em protesto contra o rompimento do contrato do governo com os atuais professores da universidade. Além desta reivindicação, os alunos querem uma data definitiva para o início do ano letivo, e a realização de um concurso público para a efetivação de professores na instituição.


O Movimento Estudantil/UEMG Divinópolis ocupou o campus e pegou pais e calouros que iriam fazer matrículas, e candidatos que iriam se inscrever para designação de professores de surpresa. Durante a manhã, ninguém entrava ou saía da instituição. Toda a polêmica envolvendo a UEMG/Divinópolis começou na semana passada, quando o Governo publicou um edital para a contratação de novos professores. Este processo comprometeria então o início do ano letivo dos estudantes.


O estudante, Victor Figueiredo, faz parte do Movimento Estudantil e é um dos alunos que está acampado na universidade. De acordo com Victor, os alunos querem um posicionamento do estado sobre o início das aulas, a realização de um concurso público para a efetivação de professores, e a permanência dos atuais professores na universidade, fazendo valer o acordo feito em 2014. “As pautas são distintas, mas convergem no final. Nós queremos que as aulas se iniciem em março de 2016, sem nenhum atraso; queremos também um concurso público para não ter uma volatilidade de professores; professor entra, sai, começa um projeto e não termina”, explica.
A terceira reivindicação dos alunos é referente aos professores que não tiveram os seus contratos renovados automaticamente pelo Governo. De acordo com o estudante, o estado não cumpriu com a parte dele e pegou os alunos e professores da instituição também de surpresa. “A gente considera um equívoco muito grande por parte do Governo do Estado de Minas Gerais, colocar um contrato feito no início de 2015 para durar até o final de 2016, e ele [o governo] cortar no meio. Todos os planos da universidade foram feitos para dois anos, e não para um ano. Esse contrato foi quebrado quando todos estávamos de férias”, detalha.

 


NEGOCIAÇÃO
Um dos membros do Movimento Estudantil da UEMG/Divinópolis, Marlon Henrique Ferreira, iria até Belo Horizonte, ontem, para uma reunião com o reitor da UEMG, Dijon Moraes Junior, para levar até ele as reivindicações. Segundo Victor, a informação extraoficial que ele recebeu, foi de que o governo atenderia às reivindicações dos alunos. Ainda de acordo com o estudante, o campus só seria desocupado após o atendimento das exigências. “A gente só sai daqui com a pauta vencida. A gente está em ocupação, só vai desocupar se a gente conseguir um acordo com o governo”, adianta.

 


PROFESSORES
As coordenações dos cursos de graduação e pós-graduação da universidade foram informadas do processo por meio de uma nota: “Como não há nenhum professor efetivo (concursado) que atue na unidade junto aos colegiados de curso, não há como nenhum dos procedimentos acadêmicos protocolados na instituição serem analisados, seja pelo coordenador ou colegiados, uma vez que não existe nenhum professor vinculado à unidade - situação que impede o cumprimento de qualquer prazo definido pela secretaria”, justifica.
Segundo o professor, Alexandre Simões, no final de 2014, quando houve a absorção da Funedi pela UEMG, houve um acordo entre o Estado e os professores. “Esse acordo previa que nós teríamos um primeiro ano de designação [regime de contrato], que concluiu em 2015, e que nós seríamos reconduzidos no segundo ano [2016]. A expectativa era de que nós fôssemos reconduzidos agora, até para o aluno ficar mais tranquilo. Ao final de 2016, o compromisso do governo é que seria realizado o concurso”, esclareceu.

 


MATRÍCULAS
Revoltados, pais, calouros e candidatos para a designação discutiram com um funcionário da universidade, que foi até o portão para explicar a situação. Houve início de uma confusão, quando alguns pais balançaram o portão da universidade. Quem aguardava para fazer matrícula ou inscrição para o edital de designação também impediu que algumas pessoas saíssem da instituição.


A cabeleireira, Jane Renata Nascimento da Paz, veio de Timóteo, cidade próxima à Ipatinga, para fazer a matrícula da filha, que foi aprovada no curso de Fisioterapia da universidade. “Nós viemos para cá ontem [domingo], rodamos 600 km para chegar aqui e não conseguir fazer a matrícula dela”, reclama. Indignada com a situação, a jovem, Joyce Nascimento da Paz, conta que se preparou dois anos para prestar vestibular. “Foram dois anos de cursinho, para chegar aqui e ser barrada. Nós vamos continuar aqui, vamos embora para a nossa cidade nem que seja amanhã, mas com a matrícula feita”, afirma.


Além de Jane e Joyce, a dona de casa, Maria Glauba Lopes Ferreira, também ficou revoltada com a impossibilidade de realizar a matrícula da filha na instituição. A dona de casa, que mora em Itapecerica, ligou na instituição na última seta-feira (15), para saber se as inscrições começariam nessa segunda-feira, e foi informada que “ia ter a matrícula, sim. Me informaram que seria [a realização das matrículas] das 8h às 19h, por isso que eu vim pra cá fazer a matrícula. Se eu soubesse que iriam fazer isso [ocupar o campus], eu não teria vindo aqui”, ressalta. Segundo Maria, pouco antes de ela chegar à universidade, algumas pessoas conseguiram entrar e fazer a matrícula, fato que gerou muita revolta nos presentes. “O direito tem que ser para todos. Eu acho um absurdo, uma falta de respeito isso. Eles tinham que ter feito um comunicado com 24h de antecedência para nós não termos vindo aqui”.

 


INSCRIÇÕES
O professor, Marcelo Rios de Araújo, também foi à Universidade na manhã de ontem, para fazer a inscrição para o edital 007, para designação de professores para a instituição, mas encontrou os portões da universidade fechados. “Teve professor que chegou mais cedo aqui e conseguiu fazer a inscrição, e até agora não veio ninguém da administração aqui para conversar com a gente, e falar o que nós podemos fazer, e o que vai ser feito, porque nós temos até às 18h para efetivar essa inscrição, hoje é o último dia. Nós estamos perdidos”, ressalta.
Os portões da faculdade foram abertos parcialmente às 13h, em processo tartaruga, permitindo que calouros – um de cada vez - fizessem suas matrículas e professores se inscrevessem para o edital de designação. Nossa reportagem entrou em contato com a Secretaria de Ciência, Tecnologia, e Ensino Superior, mas até o fechamento desta edição, não tivemos resposta.

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