terça-feira, 4 de Outubro de 2016 16:52h Pollyanna Martins

Alunos ocuparam a Universidade do Estado de Minas Gerais na noite de ontem

Os estudantes anunciaram a ocupação na última quinta-feira (29) e exigem a recondução do corpo docente e administrativo da universidade para o próximo ano e um cronograma fixo para um concurso

POLLYANNA MARTINS
pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

 

 

Os alunos da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) – Campus Divinó­polis ocuparam a unidade na noite de ontem (3), como o Gazeta do Oeste informou na edição de sexta-feira (30) em primeira mão. Os estudantes querem a recondução do cor­po docente e administrativo da universidade para o pró­ximo ano e um cronograma fixo para um concurso. Em um vídeo postado em uma rede social, três estudantes da UEMG explicaram o motivo da manifestação.

De acordo com o estudan­te João Faria, se não houver a recondução automática do corpo docente e adminis­trativo, todos os trabalhos que foram desenvolvidos na UEMG em 2016, com o ensino, pesquisa e extensão, serão interrompidos. “Todo final de ano, se não houver essa recondução [automática] até que seja feito o concurso pú­blico, a gente sempre vai trocar o corpo docente, sempre vai interromper o ensino, as pes­quisas e extensão que foram desenvolvidas desde que nos tornamos UEMG”, pontua.

O movimento ganhou for­ça e os estudantes escreveram uma carta à reitoria da uni­versidade solicitando escla­recimentos. No documento, os alunos questionam se os atuais professores continuam, se serão efetivados, se terão condições de trabalhar, e se to­dos os cargos serão preenchi­dos. Os estudantes pontuam ainda que todo corpo docente é designado e questionam como irão pensar em ensino, extensão e pesquisa sem saber se os professores continuarão a lecionar na Universidade. “Professores não querem par­ticipar do processo de desig­nação para lecionar na UEMG, pois sabem da realidade que os demais se encontram. Fato que se comprova com a falta de professores em diversos cursos, e que está sendo aber­to edital atrás de edital para contratação”, critica.

Os estudantes reclamam ainda que os laboratórios, de modo geral, não apresentam condições para desenvolver pesquisas ou fornecer as au­las laboratoriais previstas na grade curricular; e que há também a inexistência de as­sistência estudantil, além do atraso no pagamento de bol­sas de pesquisas e extensão. “Devido ao número restrito de professores com 40 horas, estes orientam um número excessivo de alunos nos tra­balhos e estágios. Por esses e outros motivos, o ambiente se torna inapto para o trabalho”, reclama. Os alunos finalizam o documento dizendo que estão disponíveis para ouvir o que a UEMG tem a dizer.

MANIFESTAÇÕES

Esta é a segunda ocupação da UEMG este ano. A primeira manifestação foi realizada no dia 18 de janeiro. Na ocasião, os alunos ocuparam a uni­versidade durante 24 horas. Segundo os alunos, a UEMG será fechada por tempo inde­terminado e várias manifes­tações serão feitas na porta da instituição, além de passe­atas. Ainda de acordo com os estudantes, a ocupação será maior do que a feita no início deste ano. A concentração dos alunos começou ontem, às 17h, e às 18h foi feita uma assembleia, seguida de uma manifestação na porta da ins­tituição e a ocupação.

SECTES

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais in­formou, por meio de nota, que o cronograma estabelecido pelo Governo segue em anda­mento como estabelecido. De acordo com o reitor da Uni­versidade do Estado de Minas Gerais, (UEMG), Dijon Moraes Júnior, não existe risco de os alunos ficarem sem aula de­vido à falta de professores em 2017. Conforme a secretaria, a Lei nº 20.807/2013 autorizou designações para docentes até que sejam realizados con­cursos. “Como existiam nos quadros das Fundações, que passaram pelo processo de ab­sorção, professores que ali le­cionavam há alguns anos, a Lei permite que as designações possam ser feitas de forma di­reta. Assim, não estão vedadas as designações, apenas devem ser observadas as regras legais. Vale ressaltar que as decisões que o Governo toma passam por análise criteriosa de lega­lidade da Advocacia Geral do Estado (AGE).”

A SECTES esclarece ain­da que o concurso Edital 008/2014, em andamento, permitirá que a UEMG dê posse a 519 professores efe­tivos. “Nesta data, já foram homologadas 144 vagas, o que corresponde a 28% do total de vagas. Segundo a reitoria, este concurso será concluí­do até meados de 2017.” De acordo com a secretaria, foi autorizado em janeiro de 2016 um novo concurso na UEMG para prover 723 vagas de pro­fessores efetivos, concentra­damente nas fundações que passaram pelo processo de absorção. “Em relação a este concurso, em maio deste ano foi constituído, por resolução, um grupo de trabalho para gerenciar a realização deste novo concurso. Fazem parte do grupo de trabalho a UEMG, SEDECTES, SEPLAG e AGE. Até o presente momento, este grupo de trabalho já realizou quatro encontros.” Segundo a reitoria, a previsão é de que o edital seja publicado no início de 2017 e a sua conclusão se dará no final de 2017 ou, no máximo, no primeiro semestre de 2018.

De acordo com a SECTES, neste momento, a UEMG tem somente 8% de profes­sores efetivos, após 25 anos de existência. Para 2018, se vislumbra um dado histórico: a Universidade chegará a cerca de 80% de professores efetivos, diminuindo significativamen­te a fragilidade e a precarie­dade na relação de trabalho dos professores designados. “Esclarecemos, também, que foi autorizado, pela Câmara de Orçamento e Finanças (COF), em 23 de agosto deste ano, concurso público para 107 vagas para técnicos ad­ministrativos. No dia 26 deste mês, foi realizada reunião com a SEPLAG para iniciar os procedimentos para o con­curso. Será publicada uma Resolução Conjunta entre a SEPLAG e UEMG, instituindo uma Comissão para Coorde­nação e Acompanhamento do Concurso. Após a publicação da Resolução, serão iniciados, efetivamente, os procedimen­tos para realização do mesmo. A proposta da UEMG é que esse Concurso seja realizado até meados de 2017.”, finaliza.

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