sexta-feira, 30 de Setembro de 2016 17:47h Pollyanna Martins

Alunos ocuparão UEMG a partir de terça

Os alunos querem a recondução do corpo docente e do administrativo da faculdade

Alunos da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) – Campus Divinópo­lis irão ocupar a instituição a partir das 17h da próxima terça-feira (4). Em um vídeo postado em uma rede social, três estudantes da UEMG ex­plicam o motivo da manifes­tação. Segundo o estudante da universidade, João Faria, na última semana, duas assem­bleias foram realizadas para discutir a recondução do corpo docente e administrativo da universidade para o próximo ano e a necessidade de um cro­nograma fixo para um concur­so. De acordo com o estudante, se não houver a recondução automática do corpo docente e administrativo, todos os traba­lhos que foram desenvolvidos na UEMG em 2016, com o ensino, pesquisa e extensão, serão interrompidos. “Todo final de ano, se não houver essa recondução [automática] até que seja feito o concurso público, a gente sempre vai trocar o corpo docente, sem­pre vai interromper o ensino, as pesquisas e extensões que foram desenvolvidas desde que nos tornamos UEMG”, pontua.

Várias ações estão sendo planejadas durante a ocupação da universidade. Segundo uma estudante, que preferiu não se identificar, a UEMG será fecha­da por tempo indeterminado e várias manifestações serão feitas na porta da instituição, além de passeatas. Ainda de acordo com a estudante, a ocupação será maior do que a feita no início deste ano. “As reivindicações serão para que seja lançado um cronograma oficial para o concurso dos professores, porque, até hoje, a instituição não tem nenhum professor efetivo, são todos contratados. E 2017 está in­certo quanto à contratação novamente”, frisa. No vídeo postado na rede social, a alu­na do 4° período de História, Maíra Lopes Rocha, ressalta que, com o Processo Seletivo Simplificado (PSS), todos os professores serão demitidos e outros serão designados para seus lugares. A estudante frisa que os alunos não estavam esperando esta ruptura, pois, no início do ano, quando foi feita a primeira mobilização, foi prometido um concurso público para o corpo docente e, até então, não foi realizado. “Essa ruptura não afeta só os alunos e os professores, mas também a nossa memória acadêmica e institucional, a respeito da história que nós criamos como Fundação e agora como UEMG”, enfatiza.

Esta é a segunda ocupação da UEMG neste ano. A primeira manifestação foi realizada no dia 18 de janeiro. Na ocasião, os alunos ocuparam a univer­sidade durante 24 horas. Os estudantes reivindicavam o início do ano letivo em março, a permanência dos atuais pro­fessores na instituição e a reali­zação de um concurso público para efetivá-los. O campus foi desocupado durante a manhã do dia 19 de janeiro, de forma pacífica, após o governador ga­rantir, em um vídeo publicado no Facebook, que atenderia às reivindicações dos alunos dos campi de Ituiutaba, Divinópo­lis e Passos.

PROMESSAS

No vídeo publicado em sua página no Facebook, o gover­nador disse que iria dar uma boa notícia aos alunos e profes­sores da UEMG dos campi de Divinópolis, Ituiutaba e Passos. “Nós vamos garantir o início do ano letivo na data prevista, em especial para os campi de Di­vinópolis, Ituiutaba e Passos”. Fernando Pimentel finalizou o vídeo dizendo ainda que os professores seriam designados até a realização de um concur­so público para a efetivação de profissionais. “Os professores serão designados até que, mais adiante, a gente possa fazer os concursos, conforme previsto e efetivar a todos. Essa é a boa notícia, a UEMG está com o seu semestre letivo garantido”, prometeu.

MOBILIZAÇÃO

O estudante de história, Samuel José Santiago, desta­cou que os alunos precisam unir forças para alcançarem o objetivo da mobilização. O estudando frisou que, no próximo ano, a universidade possui 10 visitas de avaliação dos cursos agendadas e que a instituição já tem um corpo docente estabilizado, que co­nhece a universidade e sabe das necessidades dos alunos. Samuel cogitou ainda de o re­sultado das avaliações caírem, caso o corpo docente e o ad­ministrativo da universidade sejam trocados. “Se nós não tivermos com os professores que já nos conhecem, que já têm a documentação e que sabem de fato o que precisa ser levado a essa avaliação, que sabem das nossas carên­cias também, nós teremos uma queda brusca na nossa avaliação, e isso é muito pre­ocupante”, critica.

SECTES

Nossa reportagem entrou em contato com a Secretaria de Ensino Superior da Secretaria de Ciência, Tecnologia, e En­sino Superior (SECTES), mas, até o fechamento desta edição, não tivemos resposta.

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