quinta-feira, 2 de Abril de 2015 10:29h Atualizado em 2 de Abril de 2015 às 10:32h. Jotha Lee

ANAC dá sinal verde para aeroporto de Divinópolis

Liberação dos voos comerciais depende da brigada de incêndio e detector de metais

Desde dezembro do ano passado Divinópolis vive a expectativa de ter uma linha aérea comercial ligando a cidade ao estado de São Paulo. O assunto vem sendo discutido desde abril de 2014, entretanto nesse período informações contraditórias, atrasos na adequação do aeroporto às exigências para voos comerciais da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e demora na contratação da empresa para operar o aeroporto geraram adiamentos em série da data de início efetivo da ligação aérea.
De dezembro de 2014 até março desse ano foram seis adiamentos, o que vem gerando críticas à atuação do Executivo. Inicialmente as operações foram marcadas para dezembro do ano passado. Até março desse ano, ocorreram seis remarcações de datas e nesse período as informações foram contraditórias. De um lado, a Azul Linhas Aéreas afirma que o aeroporto ainda não está totalmente adequado. Já a Prefeitura garante que o aeroporto tem condições de receber os voos, entretanto admite que está atrasada na formação da brigada de incêndio e instalação do detector de metais.
O que vem gerando um ambiente até certo ponto hostil e especulações sobre o início das operações, são as informações limitadas fornecidas tanto pela Azul quanto pelo município. A companhia aérea se limita a informar que as operações ainda não foram iniciadas em razão dos atrasos na adequação do aeroporto, enquanto a prefeitura, possivelmente para evitar mais desgaste, omite dados importantes, que exigem maior demanda de tempo para serem solucionados. Nesta reportagem, a Gazeta do Oeste desvenda os reais motivos pela demora no início dos voos comerciais, revelando erros e acertos que geraram especulações e críticas a atuação das autoridades municipais.

 

O INÍCIO
A ligação aérea para Campinas é vista pelo prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) como um avanço significativo para a economia do município. Em março de 2014, ele recebeu Ronaldo Silva Veras e Caubi Batista de Souza, respectivamente gerente de relações institucionais e gerente de infraestrutura da Azul. Foi nesse encontro que a companhia manifestou seu interesse em operar a linha aérea entre Divinópolis e Campinas. Na ocasião, o prefeito demonstrou seu entusiasmo, confirmando que o aeroporto já havia recebido investimentos. “No meu primeiro mandato conseguimos uma parceria com o Governo do Estado, fizemos investimentos na recuperação da pista do aeroporto e a construção da nova estação de passageiros com recursos perto de R$ 15 milhões”, disse ele na ocasião.
No dia 4 de setembro do ano passado, a Diretoria de Comunicação da Prefeitura divulgou a primeira nota sobre o início das operações. “A partir do mês de dezembro Divinópolis passa a contar com pousos e decolagens de aeronaves da Azul Linhas Aéreas. Inicialmente será realizado um voo por dia, com destino ao aeroporto internacional de Viracopos em Campinas. O município realiza adequações no aeroporto Brigadeiro Cabral, seguindo as exigências da linha e a companhia já solicitou autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para iniciar as operações”, afirma a nota.
No dia 17 de setembro do ano passado, técnicos da Azul fizeram a primeira vistoria no aeroporto Brigadeiro Cabral. Na ocasião, o secretário Paulo César dos Santos informou que o processo licitatório para a contratação da empresa para operar o aeroporto, fazendo o controle do tráfego aéreo, já estava em fase adiantada e que deveria ser concluído no início de dezembro. Entretanto, o processo só foi realizado em fevereiro desse ano, com um atraso de cinco meses. No dia 12 de dezembro, através de nota da diretoria de Comunicação, a Prefeitura confirmou que os voos seriam mesmo iniciados no fim do mês. Entretanto, nessa data, a Azul Linhas Aérea já havia solicitado o primeiro adiamento da data, remarcando as operações para 2 de fevereiro desse não.

 

ANAC
A partir do primeiro adiamento, a discussão em torno do assunto ganhou as redes sociais e críticas de empresários e políticos. Foram mais cinco remarcações de data e a última ocorreu na semana passada, quando o início das operações foi adiado do di 4 de maio para 1º de junho.
Ontem, a pedido da Gazeta do Oeste, a ANAC emitiu nota oficial e colocou um ponto final às especulações sobre os motivos que ainda impedem o início dos voos comerciais ligando Divinópolis a Campinas. De acordo com a Agência, a solicitação de voos feita pela Azul ainda não foi deferida, estando o pedido em análise. Informa, ainda, que foi feita a solicitação de um voo de segunda a domingo, à exceção das quartas-feiras, saindo de Divinópolis às 14h e chegada a Campinas às 15h23. A solicitação feita pela Azul para operar a partir de 1º de junho foi protocolada na ANAC no dia 26 de março desse ano. Ainda de acordo com a nota da ANAC, será utilizado um turboélice AT-72, com capacidade para 70 passageiros.
A ANAC esclareceu, ainda, que não há nenhuma restrição para o aeroporto de Divinópolis. “Em relação às operações de voos, ressaltamos que o aeródromo está homologado pela ANAC e aberto ao tráfego aéreo. Até o momento, existe uma solicitação de voo para o aeródromo de Divinópolis que estão em análise pela Agência. Informamos que a ANAC não prevê prazo regimental para aprovar as solicitações, mas o resultado sempre é concedido antes da data de início das operações dos voos, que é escolhida pela empresa. As autorizações dependem, dentre outros fatores, da capacidade do aeroporto, do equipamento utilizado no voo e da liberação do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Aeronáutica”, informa a nota da Agência.

 

BRIGADA
Ainda de acordo com a ANAC, o que impede, no momento, o início das operações do voo comercial, é a disponibilização da brigada de incêndio e instalação do detector de metais. Acrescenta que não há nenhuma restrição quanto aos pousos e decolagens para o turboélice AT-72. “Para operar, a companhia aérea solicita junto à ANAC a inclusão de novo voo. A empresa também aponta as rotas, horários e aeroportos desejados. A análise da Agência leva em consideração a capacidade de pista, de pátio e do terminal declarada pelo aeroporto, além das documentações enviadas pela companhia e o horário no espaço aéreo. O prazo para avaliação varia de acordo com o pedido e é informado sempre antes da data do voo escolhida pela empresa”, acrescenta a nota.
A Azul confirmou que as adequações aguardadas pela empresa são a brigada de incêndio e o detector de metais. “Embora não haja restrições ao aeroporto, a ANAC não libera voos comerciais sem esses dois itens, fatores que estão atrasando o início das operações”, afirmou a companhia através de nota.
A prefeitura confirmou que a brigada de incêndio e o detector de metais realmente ainda não estão disponíveis. Informou que em reunião com a Azul e Socicam – empresa que vai fazer o controle de tráfego aéreo – ficou acertado para o próximo dia 12 um treinamento da brigada de incêndio em Patos de Minas, de onde virá o caminhão a ser utilizado em Divinópolis. Informou, ainda, que o detector de metais ainda não chegou à cidade porque sua importação depende de uma filial local da companhia aérea. Garantiu, ainda, que essa filial já está em fase final de registro na Junta Comercial e tão logo seja disponibilizado o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), o equipamento será encaminhado a Divinópolis, o que deve ocorrer nos próximos 20 dias. Sustentou, ainda, que o início dos voos comerciais para 1º de junho não sofrerá novo adiamento.

 

Crédito: Assessoria PMD

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