sexta-feira, 1 de Julho de 2016 12:28h Atualizado em 1 de Julho de 2016 às 13:01h. Pollyanna Martins

Após perder a filha, vítima de meningite, mãe faz alerta a outros pais

A família da pequena Ana Beatriz acredita que os médicos foram negligentes no atendimento do bebê de apenas sete meses

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

É com muita tristeza no coração e lágrimas nos olhos que Carolina da Silva Mendes relembra os últimos momentos da filha, Ana Beatriz, de sete meses, que morreu nessa quarta-feira (29), vítima de meningite. Após a morte da menina, a família fez um desabafo em uma rede social, pois acreditam que ela foi vítima também de negligência médica no Hospital Santa Mônica. Carolina relembra que procurou o primeiro atendimento médico para a filha no dia 22 de maio. A mãe da menina conta que Ana Beatriz estava agitada e a levou ao hospital. Chegando lá, a médica de plantão a diagnosticou com infecção de ouvido. “A doutora a examinou e falou que ela estava só com infecção de ouvido, eu vim embora, dei os remédios para ela, mas desde esse dia que ela estava muito agitada, e não dormia direito à noite”, relata.

 

 

Conforme Carolina, no dia 10 de junho, Ana Beatriz ficou com febre, agitada e com a barriga inchada. Após uma peregrinação na Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h), Carolina levou a filha mais uma vez Hospital Santa Mônica, onde foi constatado que a menina estava com infecção intestinal. Depois de mais de 14 horas internada, Ana Beatriz recebeu alta e foi para casa mais uma vez. “No [hospital] Santa Mônica, fizeram o exame e deu infecção de intestino, e nós ficamos ate 21:30h com ela tomando soro. Depois o médico a liberou, falando que estava tudo bem, sem ter feito nenhum exame para ver se realmente ela tinha melhorado”, conta.  

 

 

A dona de casa descreve que, após a última internação, a filha ficou mais agitada, e passou a rejeitar leite. Carolina conta que a gengiva de Ana Beatriz inchou, e às 15h do dia 26 de junho, a menina começou a passar mal com os mesmos sintomas da internação de 16 dias atrás. “Ela estava com a barriga inchada e febre. Eu aguardei para poder levá-la, e na terça, dia 28, eu a levei para o hospital mais uma vez, porque ela vomitou em casa”, relembra.

Segundo Carolina, ao chegarem ao hospital, a filha aguardou duas horas para receber atendimento, mesmo debilitada no colo da avó. Carolina conta que informou na recepção que já havia estado duas vezes no hospital com a filha, com os mesmos sintomas, que a menina já havia tomado soro na última internação, mas mesmo assim teve que esperar. “Quando o médico a atendeu, ele só ligou o soro de observação, para fazer os exames, o pediatra não a internou. Fizeram exame de urina, não deu nada, no exame de sangue apontou uma infecção”, lembra.

 

 

 

ATENDIMENTO

Ana Beatriz foi levada pela mãe e a avó ao Hospital Santa Mônica no início da tarde do dia 28 de junho. Após esperar duas horas na instituição para ser atendida, e fazer alguns exames, a mãe relata que a filha piorou o estado de saúde no decorrer do dia. De acordo com Carolina, Ana Beatriz recebeu apenas soro e dipirona para tirar a dor e abaixar a febre. Ao ver que o médico não voltou para examinar a menina e as condições em que ela estava, Carolina procurou o pediatra na instituição para pedir que ele examinasse Ana Beatriz mais uma vez. “Quando foi por volta das 18h, eu fui atrás do pediatra, e falei com ele que a minha filha não estava bem, ela estava com o olho diferente, ela só dormia, estava prostrada na cama, e com moleira alta”, detalha.

 

 

Segundo a dona de casa, o pediatra voltou para examinar Ana Beatriz e alegou que a moleira alta do bebê era por causa do soro. Que após ser hidratada, a moleira subiu, mas que logo voltaria ao normal, e que a palidez que a bebê estava era por causa da dor que ela estava sentindo. Carolina relembra que, às 19h, houve a troca de plantão, e a pediatra que assumiu o atendimento de Ana Beatriz se assustou com o caso e solicitou uma tomografia. “A médica fez o exame de rigidez de nuca e ela já estava com a nuca rígida, ela estava com muita dor, e a moleira para cima não era normal. Já era um dos sintomas da meningite, e na tomografia aparece a moleira alta, mas a médica falou que estava tudo bem, tudo normal”, conta.

 

 

Carolina narra que, após os exames solicitados pela pediatra que assumiu o atendimento de Ana Beatriz, foi solicitada a internação da menina no Hospital Santa Mônica, mas foram surpreendidos com a notícia de que a bebê seria transferida para o Hospital São Camilo, em Belo Horizonte. Conforme a dona de casa, a pediatra alegou que Ana Beatriz seria transferida para fazer o exame da punção lombar, e em Divinópolis não tinham os recursos necessários para fazer o exame. “A médica falou que estava com uma suspeita muito grande de meningite, sendo que o médico da tarde já poderia ter olhado isso, porque ela tinha todos os sintomas, e o caso dela era grave”, reclama.

 

 

TRANSFERÊNCIA

Carolina e Ana Beatriz estavam acompanhadas de toda a família, à espera da ambulância. De acordo com a dona de casa, o hospital alegou que em Divinópolis não tinha o serviço para transferir a menina, e uma ambulância de Oliveira viria para levar Ana Beatriz a Belo Horizonte. Até a chegada do veículo, foram mais duas horas de agonia e espera. “A médica que veio na ambulância olhou a tomografia dela e já falou que ela não estava bem, que a moleira estava alta, e que o estado da Ana era grave. Na ambulância que eles olharam a febre dela, que estava em 39,5°, sendo que eles poderiam ter olhado no hospital”, ressalta.

A avó de Ana Beatriz, Cristina Mendes da Silva, relembra que a neta ficou no hospital sem qualquer intervenção médica. “Ela só gemia, e estava sem soro, sem nada, na cama, prostrada, e o olho dela já estava revirando e pulando”, descreve. Segundo Carolina, a filha entrou na ambulância com os olhos tortos, consequência da meningite. Durante o trajeto a Belo Horizonte, Ana Beatriz precisou de atendimento em um hospital em Itaúna, pois estava entrando em quadro de septicemia. “Nós tivemos que parar, porque não dava para continuar a viagem sem estabilizá-la. Em Itaúna, a colocaram no oxigênio, sendo que ela deveria ter saído do [hospital] Santa Mônica no oxigênio”, descreve.

 

 

DESABAFO

Ana Beatriz morreu 20 minutos antes de chegar ao Hospital São Camilo, em Belo Horizonte. Após uma convulsão e três paradas cardíacas, a menina não resistiu e faleceu. Ana virou anjo às 4:14h do dia 29 de junho. Agora, com o berço vazio e a saudade da filha no peito, Carolina e seus familiares fizeram um desabafo em várias redes sociais, para alertar pais de outras crianças sobre a negligência médica que Ana Beatriz sofreu. “Quando a ambulância chegou aqui, a Ana Beatriz estava jogada no berço, que até a médica ficou horrorizada. Ela não teve assistência. A minha intenção de postar aquele desabafo foi alertar outros pais, porque a gente leva ao hospital confiando nos médicos”, ressalta. Cristina emenda as palavras da filha. “Ela estava com 39° de febre, com muita dificuldade de respirar e nenhum soro ligado. Quando avisaram que ambulância estava vindo, eles [a equipe médica] falaram com a gente que a próxima medicação dela seria na ambulância. A gente não quer que aconteça com outras crianças o que aconteceu com ela”, conclui.  

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