quinta-feira, 3 de Dezembro de 2015 09:29h Atualizado em 3 de Dezembro de 2015 às 09:31h. Pollyanna Martins

Após protesto, eletricitários da Cemig continuam em greve

A Classe está reivindicando um aumento real de 6% pela produtividade de 2014 e 4,87% pela produtividade de 2015

Os eletricitários da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) de todo o estado, que estão em greve há oito dias, protestaram na manhã de ontem, em frente à Assembleia Legislativa de Belo Horizonte para reivindicar um aumento real de 6% pela produtividade de 2014 e 4,87% pela produtividade de 2015, e a contratação imediata de 1.500 eletricistas aprovados no último concurso público. Apesar da manifestação, o governo não cedeu em sua proposta de reposição das perdas em 10,3%, mas reduzir em 60% a Participação nos Lucros e Resultados, e reduzir em até 80% o capital do Seguro de Vida Coletivo dos eletricitários, e a classe optou pela continuação da greve.
Além do aumento salarial, os eletricitários reivindicam também assinatura de Acordo de Primarização (fim das terceirizações das atividades-fim), conforme compromisso do governador Fernando Pimentel, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) com distribuição linear e garantia de emprego, entre outros itens. Segundo o Sindieletro, na contraproposta da companhia não há proposta para o Plano de Cargos e Remuneração e a Cemig ainda condicionou o acordo à retirada de ações trabalhistas. Para o sindicato, a empresa está usando a desculpa da crise econômica para impor o arrocho aos trabalhadores, uma vez que o lucro da companhia, até o 3º trimestre deste ano, foi de R$2,2 bilhões, acima do registrado no mesmo período de 2014.
Em carta aos eletricitários, Fernando Pimentel prometeu "um futuro promissor para a Cemig", pondo fim à terceirização por meio de concurso público, valorizando os trabalhadores, garantindo a saúde e segurança, mantendo os empregos e promovendo o desenvolvimento do Estado. Conforme o jornalista do Sindieletro, Benedito Maia, a empresa está irredutível e não houve nenhum avanço nas negociações. “O ato foi para pressionar o governo e a direção da Cemig a melhorarem a proposta, e forçar o governo também a firmar os compromissos que ele assinou. O primeiro compromisso é acabar com a terceirização da Cemig. Na Cemig, morre, em média, um trabalhador a cada 45 dias, a maioria estão terceirizados. Isso sem falar nos trabalhadores que não morrem, mas ficam com sequelas graves. O outro compromisso é em transformar a Cemig em uma empresa fomentadora do desenvolvimento do Estado”, explica.
O jornalista ressalta que a empresa precisa gerar empregos e serviços de qualidade à população. De acordo com Benedito, não houve nenhum investimento na rede da Cemig nos últimos 12 anos. “Com isso, basta uma leve chuva pra que regiões inteiras do estado fiquem sem energia elétrica, é por causa do sucateamento que houve na empresa. A luta do dos eletricitários é também pela sobrevivência da Cemig, é resgatar a empresa”, conclui.

 

Créditos: Mariana Gonçalves

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