sábado, 8 de Agosto de 2015 04:43h Atualizado em 8 de Agosto de 2015 às 04:52h. Pollyanna Martins

Associação reivindica escola que abriga o projeto “Somos Amados” para ser sede de PSF

Segundo o Presidente do Conjunto Osvaldo Machado, Robson Santos, a luta para que o local seja transformado em PSF dura há anos

O prédio da Escola Municipal Professor Padre João Bruno, no bairro Serra Verde, que atualmente abriga o projeto “Somos Amados”, é alvo de uma briga da Associação de Moradores dos Bairros Afonso Pena e Santa Clara, da Associação de Moradores do Conjunto Habitacional Osvaldo Machado Gontijo com a Prefeitura de Divinópolis. A escola foi desativada em 2000, onde, antes, abrigava o Programa da Saúde da Família (PSF) dos bairros Serra Verde e Osvaldo Machado Gontijo. Com o fechamento da escola, os PSF’s foram realocados. O PSF do bairro Serra Verde funciona atualmente no CAIC, e o PSF do Conjunto Habitacional Osvaldo Machado Gontijo atende em uma casa alugada.
O prédio ficou fechado por aproximadamente nove anos, e devido ao abandono, foi alvo de vandalismo de criminosos. Em março de 2009, foi realizada então, uma reunião no auditório do CAIC com os secretários de saúde, esporte, educação, assistência social, representante do prefeito e a diretoria do CAIC da época, para apresentar uma proposta da população em transformar o local no PSF dos dois bairros. O projeto foi aprovado por unanimidade, e já na data, as secretarias se movimentariam para que o imóvel fosse doado para Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), e então fossem feitas as adequações necessárias no local.
Após todo o diálogo estabelecido, o imóvel foi cedido em 2011 para o projeto “Somos Amados”, que era dirigido pelo pastor Arlem Silva, preso nessa quinta-feira (6), suspeito de cometer estelionato em Divinópolis. Na época, a Prefeitura divulgou que “Na mesma área de 7.200 metros, será erguido, ainda, um prédio de 850 metros de área construída para abrigar o funcionamento de dois PSF’s”. A nota detalhava ainda que “Os Programas de Saúde da Família-PSF a serem transferidos para a nova unidade, será a do Serra Verde, hoje alocada no CAIC, e a unidade do Conjunto Habitacional, hoje funcionando em uma casa alugada. As duas unidades funcionarão em novo local com todos os recursos estruturais necessários para o bom funcionamento”.
A população esperou dois anos pela readequação do local, mas como nada foi feito, um abaixo assinado com mais de mil assinaturas foi protocolado no Ministério Público de Divinópolis, no dia 3 de dezembro de 2013, detalhando toda a situação que envolvia o pastor na época. No documento, é citado que “Entre 2010 e 2011, o Sr. Arlem Silva, que nesta ocasião, não era funcionário público, mas era ou é presidente da ONG “Somos Amados”, foi beneficiado com um imóvel público (se não me engano, córrego da divisa) e teve publicação oficial e foi feita uma festa no Gabinete do Prefeito, com solenidade por parte da ONG. Todavia, porém, a administração cometeu um erro, pois já havia passado este mesmo imóvel, anteriormente, para outro projeto [...] O Sr. Arlem voltou ao Gabinete do Prefeito muito triste, mas saiu do Gabinete com um cargo de Assessor do Assessor do Prefeito. (Faraco)”.

 

ESPERANÇAS
O presidente do Conjunto Habitacional Osvaldo Machado Gontijo, Robson Santos, acompanha a luta há anos e foi um dos que assinaram o documento entregue no Ministério Público. Robson ressaltou que no abaixo assinado é detalhada a situação que o Pastor Arlem alugava a quadra da escola por R$ 300, para que igrejas evangélicas realizassem eventos no local. “A comunidade manifestou interesse, desde que fechou [a escola], em voltar os PSF’s para lá, porque um atendia o bairro Serra Verde e o outro atendia ao Conjunto. Essa quadra, que fica ao lado do prédio, pertence ao Conjunto. Na época em que o conjunto foi construído, a quadra foi cedida pela Caixa [Econômica Federal], porque não tinha área de lazer aqui. Essa ONG estava usufruindo do prédio e da quadra e o pastor já a alugou para várias igrejas”, explica.
A Associação fez um projeto de melhorias do local e conta com o apoio da Gerdau. Segundo Robson, para que os PSF’s funcionem no local é necessária a autorização da Prefeitura. Com a prisão do pastor, os moradores alimentam a esperança de que finalmente a mudança seja executada. “Nós protocolamos o abaixo assinado no Ministério Público, mas até então, ficou a cargo da Prefeitura passar o prédio para que o PSF’s funcione lá, mas até hoje nada. Isso aí [a prisão do pastor] é um adentro para a gente ter mais força, e ver se a gente consegue. Se depender da vontade política, a gente não vai conseguir”, lamenta.

 


Credito: Pollyanna Martins

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.