quinta-feira, 5 de Setembro de 2013 06:20h Daniel Michelini

Atendimentos em decorrência do tempo seco devem diminuir devido à chuva

UPA registra óbitos devido ao tempo seco De acordo com pediatra, vários fatores contribuíram para o aumento da demanda na unidade, como suspensão de atendimentos no HSJD. Chuvas deverão diminuir a incidência de casos graves.

A falta de chuvas em Divinópolis já havia virado um grande motivo de preocupação para a população e também para os médicos. Durante todo o período de tempo seco, casos graves e até óbitos em decorrência da baixa umidade relativa do ar foram registrados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central. O alívio destes casos deve vir em decorrência de algumas horas de chuva na cidade.

 


Segundo Ludmila Barbosa, pediatra da unidade situada no centro da cidade, durante o tempo seco, os atendimentos na UPA aumentaram bastante, principalmente em relação aos casos envolvendo crianças e idosos: “Criança sofre muito com a baixa umidade relativa do ar. As doenças que mais atacam nesse tempo são bronquite e asma”.

 


Ludmila confirmou que foram atendidos vários casos de crianças com crises agudas de asma, tendo que ser encaminhadas para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI): “Foram casos críticos”, declarou a pediatra, destacando que algumas crianças tiveram que fazer traqueostomia (procedimento cirúrgico no pescoço que estabelece um orifício artificial na traquéia, indicado em emergências e nas intubações prolongadas). “A falta de chuva prejudicou muito a população infantil”, pontuou.

 


Além da falta de umidade relativa do ar, que atrapalha bastante a umidificação das vias aéreas, o tempo seco causa também o acúmulo de poeira, causando alergia e problemas respiratórios. Isso acaba causando uma espécie de inflamação aguda nos pulmões, agravando as doenças. Dessa maneira, Ludmila espera que, com a chuva, os atendimentos diminuam, pois ela ajuda a umidificar as vias aéreas.

 


A pediatra confirma que os atendimentos aumentaram em todas as faixas etárias: “O pessoal da clínica reclamou sobre esse caso, pois as pessoas que nasceram com problemas relacionados à asma e bronquite e que ainda usam aquelas ‘bombinhas’ também sofrem com esses problemas”. Apesar de asma e bronquite serem as doenças como mais registros durante o período de seca, várias pessoas possuem renite alérgica, precisando do atendimento clínico.

 


Sobre o tratamento na unidade, Ludmila diz que é difícil falar sobre a UPA pois as pessoas reclamam muito do atendimento: “Eu vejo de forma diferente, tendo em vista que essa unidade chega a atender mais de 400 pessoas por dia. Isso acarreta em muito tumulto. Atendemos todas as pessoas, desde as que querem apenas esclarecer alguma dúvida até a que realmente está com um problema grave”. De acordo com o protocolo de Manchester, processo adotado pelo PSR, o paciente que está em estado grave necessita de tratamento urgente, o que acaba atrasando o atendimento os outros que estão na fila para atendimentos simples.

 


Para a pediatra, a UPA tem bastante resolutividade, pois atende bem aqueles que necessitam de uma atenção maior: “Quem reclama, são as pessoas que, geralmente, são classificadas como portadores de casos mais leves, que podem aguardar o atendimento. Por isso, ás vezes escutamos histórias de pessoas que esperam por 12 horas, mas damos prioridade aos casos mais graves”.

 


Ludmila revela que, semana passada, estava saindo do plantão e uma criança de dez meses de vida chegou com crise forte de bronquite, tendo que ser atendida prontamente: “Tivemos que encaminhá-la para o Centro Geral de Pediatria, em Belo Horizonte. Ela estava correndo risco de morte. Precisava de prioridade”.

 


No entanto, por se tratar de uma unidade regional, a estrutura está ficando pequena, pois a demanda está crescendo cada vez mais: “Temos dois plantonistas em cada área em tempo integral”. Isso, segundo ela, se deve também à falta de conhecimento de alguns pacientes: “Algumas pessoas não se conscientizaram que precisam procurar os Postos de Saúde como portas de entrada para um atendimento na UPA. Ás vezes, o caso não requer tanta urgência e pode ser resolvido na unidade do bairro. Sabemos que há problemas como falta de médicos ou até mesmo remédios. Mas, aqui, continuamos dando preferência para os casos mais graves”.

 


A suspensão de atendimento no Hospital São João de Deus aumentou ainda mais a demanda no local. A pediatra afirma que foi uma situação desesperadora para todo o corpo clínico: “Foi um transtorno. Não conseguíamos transferir as pessoas para internação hospitalar. Estávamos recebendo pacientes e o atendimento deveria ser feito aqui”, concluiu.

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