quarta-feira, 23 de Março de 2016 10:13h Mariana Gonçalves

Aterro Controlado volta a ter cara de lixão

Sacos com lixo amontoados um por cima do outro, urubus espalhados por toda a parte, essa é a realidade do Aterro Controlado de Divinópolis

O mau cheiro dos resíduos e a proliferação de moscas têm causado grandes transtornos, principalmente para a população residente nas proximidades. “Até o ano passado, os resíduos estavam sendo compactados, então você não via esse monte de saco acumulado igual está aqui, e isso nos incomoda muito. Tenho uma chácara aqui perto há mais de 20 anos, e desde então, a gente ‘peleja’, pedindo solução para esse lixão, agora os mosquitos voltaram pra casa da gente”, disse a comerciante, Eunice Geralda da Silva Guimarães.

 


Algumas regiões do país aderiram ao Aterro Controlado, como é o caso de Divinópolis, uma solução rápida (porém não excluiu a obrigatoriedade da construção do aterro sanitário) para descartar a imensa quantidade de resíduos que os municípios não conseguiam tratar. Esse método utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos, cobrindo-os com uma camada de material inerte na conclusão de cada jornada de trabalho.
Um dos problemas comuns do lixão a céu aberto e do aterro controlado é o chorume destes resíduos atingir e contaminar os lençóis freáticos. Situação essa que, segundo a comerciante, já é realidade na região onde hoje está o aterro de Divinópolis. “As águas aqui são contaminadas, já fizeram até estudo aqui e provaram isso. O terreno aqui também é contaminado, então ficamos numa situação difícil, pedimos socorro para que vocês [imprensa] nos ajudem. É uma vergonha o que está virando este lugar de novo”, desabafa Eunice.

 

 

SAÚDE EM PERIGO

Tanto o lixo exposto dentro do aterro, quanto os resíduos que estão sendo depositados às margens dele - de forma clandestina pela população, têm deixado os moradores em estado de alerta quanto à saúde. “É muito mosquito, o mau cheiro, dependendo do vento, chega na minha chácara, tem esse monte de lixo aqui jogado no asfalto com alguns objetos que podem acumular água parada, e isso é perigoso. O padre Euclídes me parece que faz hemodiálise na casa dele mesmo, então é perigoso a contaminação aqui do lugar. Pedimos ajuda, porque desse jeito que está aqui não tem como ficar, está nos prejudicando muito”, ressalta o comerciante Antônio Carlos.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determinava inicialmente que, até o dia 2 de agosto de 2014, os lixões a céu aberto, comuns em todo o país, deveriam ser completamente substituídos por aterros sanitários, no entanto, a situação mudou em ritmo bem menos acelerado do que o exigido pela legislação e, por duas vezes, já houve a prorrogação da data estipulada dentro da PNRS.

 

 


PREFEITURA

De acordo com o secretário de Operações Urbanas, Dreifus Rabelo, o acúmulo de lixo se deve ao período chuvoso das últimas semanas em Divinópolis. “Fomos pegos de surpresa com o excesso de água que caiu nos últimos dias, trazendo um transtorno e uma quantidade muito grande de lama na estrada do aterro, impossibilitando que os caminhões chegassem até o local adequado para a descarga”, conta o secretário, explicando ainda que, para a população não ficar dessasistida quanto ao serviço de coleta seletiva, a solução foi empilhar os resíduos dentro do aterro. “Fizemos aquele descarte de frente à balança num local até muito visível, até mesmo para que a gente tenha noção da quantidade do lixo para ser removido para dentro da cela, inclusive, isso já está sendo feito, dentro de um prazo muito curto, restabeleceremos todo o processo de compactação e recobertura do lixo, já temos caminhões trabalhando para isso” completa Dreifus.

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