quarta-feira, 15 de Julho de 2015 10:46h Atualizado em 15 de Julho de 2015 às 10:48h. Jotha Lee

Atividades ilegais cercam a Câmara Municipal

Flanelinhas não se intimidam com a presença de agentes de trânsito

A reforma da praça do quarteirão fechado da Rua São Paulo era uma reivindicação antiga dos moradores e comerciantes da região, especialmente para aumentar a segurança. A praça ganhou cara nova, foi revitalizada com nivelamento do piso, colocação de antiderrapante, supressão e redistribuição de árvores, reordenamento e realinhamento de bancos, sinalização indicativa para pessoas com deficiência, paisagismo e uma iluminação específica. O projeto custou R$ 400 mil e a reforma agradou aos moradores e comerciantes.
Embora parte dos problemas que ocorriam especialmente no período noturno tenha sido reduzida, o quarteirão fechado continua sendo local de atividades ilegais, especialmente a comercialização de produtos pelos chamados “toreros”, ambulantes que não possuem barracas e trabalham irregularmente, já que não possuem autorização do município. Bem no entorno da Câmara Municipal, a atividade irregular é intensa.
Ontem, a reportagem da Gazeta do Oeste permaneceu no local por cerca de duas horas, tempo suficiente para flagrar situações irregulares. Na parte da praça destinada ao estacionamento rotativo, os flanelinhas continuam agindo. Eles oferecem ao motorista o talão do estacionamento rotativo, embora não sejam legalizados para negociá-los. Sob o pretexto de “garantir” a vaga, os flanelinhas cobram pelo talão e ainda levam uma gorjeta, conforme a reportagem flagrou ontem. Eles não se intimidam nem mesmo com a presença de agentes de trânsito. Enquanto dois flanelinhas agiam, dois agentes de trânsito observavam o cenário sem incomodá-los. “Quando os agentes estão aqui eles oferecem o talão do rotativo, mas quando os agentes não estão, eles cobram pelo talão e pela vaga”, contou uma advogada que trabalha na região.
VENDEDORES
Já no cruzamento da Rua São Paulo com Avenida 1º de Junho, os vendedores ambulantes irregulares disputam o espaço. As calçadas já estão tomadas de bancas de venda de vários produtos, os artesãos expõem seus produtos e os ambulantes legalizados reclamam. “A gente paga para ficar nesse espaço apertado e quem não paga pode usar a calçada e vender a vontade”, contou um ambulante que tem uma barraca legalizada no chamado camelódromo, ou o Centro Popular de Compras, nome pomposo dado pela administração do então prefeito Demetrius Pereira (PT), autor da ideia de amontoar os camelôs no quarteirão da Rua São Paulo em frente à agência do Banco do Brasil.
Além de ter desfigurado a Praça, o camelódromo trouxe outros problemas. Por se tratar de um local de grande movimento, especialmente em função de uma das mais movimentadas agências bancárias da cidade, a mobilidade das pessoas é prejudicada em função da grande quantidade de mercadorias expostas ao ar livre. E até as paredes das lojas comerciais regulares são utilizadas como “vitrines” pelos vendedores ambulantes, já que suas barracas são mínimas, não comportando os produtos oferecidos ao consumidor.
Há também os vendedores de produtos contrabandeados, como controles remotos para eletroeletrônicos, brinquedos e cigarros. Os vendedores desses produtos não ficam fixos em um local. Eles percorrem toda a região Central da cidade. “A gente precisa sobreviver”, disse um deles.
Junte-se a toda essa atividade comercial os pedintes que se colocam ao longo da rua. Embora a Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (Acasp) esteja realizando uma campanha contra a doação de esmolas nas ruas, a realidade passa ao longe da iniciativa. Ontem, senhoras idosas, com idades superiores a 65 anos, estavam ao longo da Avenida 1º de Junho, no quadrilátero onde está o quarteirão fechado, pedindo esmolas aos pedestres. Muitas pessoas se compadecem ao se deparar com aquela situação degradante e são solidárias.
Embora as atividades sejam ilegais, a reportagem constatou que as pessoas que sobrevivem delas, em sua maioria, não têm nível escolar, são pobres e muitas não têm onde morar. A atividade é a única forma de sobrevivência, já que muitos estão em situação de rua, outros estão envolvidos com drogas e a maioria não tem condições de disputar uma vaga no mercado de trabalho. A Prefeitura está tentando tirar essas pessoas das ruas e reduzir as atividades ilegais com aumento da fiscalização, mas para que seja uma ação efetiva é preciso combater as causas e não os efeitos, como têm sido as medidas adotadas até agora.

 

 

Crédito: Jotha Lee

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