sábado, 26 de Setembro de 2015 07:03h Atualizado em 26 de Setembro de 2015 às 07:06h. Pollyanna Martins

Bairro Grajaú espera pelo poder público há 40 anos

Mato alto, ruas tomadas por buracos, esgoto escorrendo a céu aberto e animais peçonhentos fazem parte da rotina dos moradores

Mato alto, ruas cheias de buracos, esgoto escorrendo a céu aberto, mau cheiro, em época de chuva não tem transporte público, animais peçonhentos invadindo as residências são apenas alguns problemas que os moradores do bairro Grajaú enfrentam em suas rotinas. O bairro, que foi entregue em 1975, espera por melhorias há 40 anos. O Gazeta do Oeste visitou o bairro em setembro de 2014 e na época, os moradores relataram o descaso que sofriam pela Prefeitura de Divinópolis e pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).
Nossa reportagem voltou ontem ao local e encontrou a situação pior do que há um ano. Em setembro do ano passado, a dona de casa, Fabiana Cardoso, disse que o maior problema que os moradores do bairro enfrentavam, era o esgoto, que escorria a céu, devido à falta de limpeza das fossas das residências. O serviço deveria ser feito pela Prefeitura, mas os moradores encontram obstáculos no caminho quando solicitam o trabalho. “A gente liga na Prefeitura, eles falam que é Copasa, a gente liga na Copasa, eles jogam para a Prefeitura, e a fossa fica aí, até transbordar e vazar. Aí a gente fica dias sem poder usar o banheiro”, relatou.
Um ano depois, a rua mais parece uma trilha, pois o mato tomou conta. De carro é impossível passar, alguns motoqueiros se arriscam, e até a pé, o cuidado deve ser redobrado, pois os buracos que tomaram conta da Rua Quatro estão cheios de esgoto. O mau cheiro chega a causar náuseas. O bairro não recebeu nenhuma melhoria desde setembro do ano passado, e a dona de casa mais uma vez reclama. “A situação não mudou nada, está até pior do que há um ano, quando a reportagem veio. O esgoto continua a céu aberto, a gente vai à Prefeitura e eles falam que para o caminhão vir limpar as fossas, nós temos que pagar. Quando a reportagem liga lá para saber, eles falam que nós não ligamos, mas nós ligamos. Para o povo ver que a gente não está mentindo, a situação está ai, a mesma”.
O pedreiro, Fabio Rodrigues Pereira, mora no bairro há oito anos e conta que a situação nunca mudou. Cansado do abandono do poder público, o pedreiro diz que já pensou em mudar do local. De acordo com Fábio, os filhos não podem brincar na rua, pois ele e a esposa têm medo de que as crianças peguem alguma doença no esgoto que está a céu aberto. “Aqui sempre foi assim e vai ficando cada vez pior. O esgoto só fica a céu aberto, e os meus filhos ficam presos dentro de casa, porque a gente fica com medo de eles pegarem alguma doença. Todo mundo reclama dessa situação. Isso aqui sai ano, entra ano e é a mesma coisa”, lamenta.

 

MATO ALTO
Entre os vários problemas que os moradores do bairro Grajaú enfrentam, o mato alto é o que tira o sono das mães. A dona de casa, Silvana Caetano da Costa, mora há dez anos no bairro e reclama do mato alto, dos lotes sujos e da poeira. “A única coisa que tem aqui é mato alto, os lotes sujos e o poeirão. Ninguém faz nada, não vem uma melhoria para nós. Os lotes da esquina estão limpos porque um vizinho aqui e meu marido limparam. O mato fica muito alto e chega a dar cobra. Aqui tem muita cobra coral e muita jararaca. Escorpião não tem, mas cobra tem demais”.
O que revolta os moradores é o IPTU. Silvana, Fabiana e Fábio ressaltam que todo ano o imposto chega para ser pago, mas nada é feito para solucionar os problemas da comunidade. “O imposto todo ano só chega cada vez mais caro. Eu, em uma casa no buraco, o IPTU vem mais de R$ 200, e tem que pagar se não cai na dívida ativa. É o único lugar que eu tenho para morar, eu só vejo melhorias em outros lugares. A Prefeitura só sabe mandar imposto e mais nada”, lamenta.

 

TRANSPORTE
Andar de carro no bairro exige muita cautela. Se o motorista não tiver atenção, o destino dele será cair em uma das muitas crateras espalhadas pelas ruas. Fábio relembra que até uma viatura da Polícia Militar caiu em um dos buracos da Rua Quatro. “Aqui na rua não tem como passar de carro, só de moto ou bicicleta, e mesmo assim, tomando muito cuidado, em tempo de chuva piora. Até viatura da polícia caiu em um buraco da rua aqui, quando isso acontece, tem que chamar os vizinhos para ajudar a tirar o carro”, conta.
Outra situação que os moradores enfrentam é a falta de transporte público em tempo de chuva. “Quando chove, os ônibus param, não vêm até aqui. Quem trabalha perde o dia de serviço, ou se não, tem que ir a pé até o [bairro] Candidés, no barro. A gente já ganha muito [salário] para poder ficar perdendo dia de serviço, né?”, ironiza. Fabiana emenda as palavras do vizinho e mostra toda a sua indignação. “Nós estamos abandonados. Aqui não tem nada. Se chove é sem ônibus, se não chove é poeira. Se chover um mês, é um mês que as crianças ficam sem ir à escola, porque não tem ônibus. A gente tem que ir para o [bairro] Candidés para pegar o ônibus, mas o pessoal do [bairro] São Simão fica mais abandonado ainda”, enfatiza.

 

PREFEITURA
A Prefeitura informou, através de sua assessoria de imprensa, que representantes do órgão se reuniram com moradores do Bairro São Simão na manhã desta sexta-feira (25). Ainda de acordo com os assessores, representantes do bairro Grajaú também estiveram no encontro, e ficou acertada uma visita dos técnicos da Prefeitura ao bairro São Simão na segunda-feira (28), às 8h30, para resolver, juntamente com a comunidade, soluções para pontos críticos de acesso ao bairro, principalmente no período de chuvas. 
Conforme a assessoria, também foi explicado sobre o processo de pavimentação da linha de ônibus do bairro, previsto para meados do próximo ano. Ficou acertado entre a Prefeitura e os moradores do São Simão, o agendamento de uma reunião com a Caixa Econômica Federal para, numa mesa mais ampla, tentar a agilidade de projeto que prevê a pavimentação na comunidade.

 

COPASA
A Copasa informou em nota que: “para atendimento da região do bairro Grajaú, em Divinópolis, situado na bacia do Rio Itapecerica, está prevista a implantação de estação elevatória e coletor-tronco Vila Romana, que permitirão a futura utilização das redes coletoras que foram implantadas sem ponto de lançamento adequado. Por esse motivo, respeitando as restrições ambientais, tais redes não podem ser colocadas em operação de imediato.” A companhia disse ainda que “as fossas particulares, caracterizadas como soluções individuais, não são atribuições da Copasa realizar a sua limpeza periódica, quando situadas no âmbito privado de imóveis ou empreendimentos que não estejam interligados ao sistema público de esgotamento sanitário”.

 

Créditos: Pollyanna Martins

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