terça-feira, 20 de Maio de 2014 05:18h Atualizado em 20 de Maio de 2014 às 05:20h. Pollyanna Martins

Bairro Jardim das Mansões abandonado pelo poder público

Mais um bairro de Divinópolis vive sem infraestrutura há mais de trinta anos.

O Jardim das Mansões está na lista de vários outros que a Gazeta do Oeste já mostrou. A realidade que os moradores enfrentam no dia a dia é a de um lugar sem rede de esgoto, calçamento, iluminação e segurança. O bairro fica às margens da MG-050 e, por isso, também virou ponto de prostituição.
Mato alto, animais peçonhentos e esgoto escorrendo pelas ruas a céu aberto são comuns por lá. O presidente da Associação dos Moradores, Francisco Lopes de Aquino, mora na Rua Rodolfo Camilo Souza há dez anos, e desde então luta junto à Prefeitura de Divinópolis e à Copasa para conseguir a instalação da rede de esgoto e calçamento para as ruas do bairro. “Além do calçamento e da rede de esgoto nós também não temos linha de ônibus que nos atenda. Se a gente quiser ir para a rodoviária temos que andar cerca de 2km às margens da rodovia”, explica.
O presidente da associação denuncia que já fez pedido para que os donos dos lotes vagos façam a limpeza obrigatória, mas a situação continua a mesma: ratos, cobras e escorpiões invadindo as casas do bairro. “Filhotes de jararaca são uns oito que a gente mata por vez. Eu liguei na Prefeitura, dei o número próximo aos lotes vagos para fazerem a limpeza, mas ninguém apareceu aqui. O pessoal joga muito entulho nos lotes, aí aparecem os ratos, gambás e outros animais”, reclama.

 

 

LIMPEZAS DAS FOSSAS
Outro dilema que os moradores do bairro enfrentam é o da limpeza das fossas. De acordo com Francisco, há cerca de cinco meses que ele liga na Prefeitura e pede a limpeza, pois cinco fossas estão entupidas e o esgoto escorre a céu aberto. “Eu ligo na Prefeitura, eles falam que é a Copasa [de deve fazer o serviço], e fica nesse jogo de empurra. Nós dependemos da boa vontade dos funcionários públicos para viver com dignidade.”
Conforme Francisco, ele solicitou à estatal a instalação da rede de esgoto, mas o pedido foi negado sob a alegação de que as redes de esgotos antigas foram ligadas ao Rio Itapecerica e as novas instalações não podem ter o mesmo processo para funcionar. “Nós nunca vamos receber uma rede de esgoto e nós vamos continuar na mesma situação até quando?”, indaga.

 

 

ESCOLAS E SEGURANÇA
No bairro não há escolas, as crianças estudam nos bairros Vila Romana, Icaraí ou no Centro da cidade. Francisco diz que a falta de iluminação em algumas partes do bairro dificulta o acesso às escolas. “Como não tem iluminação em algumas partes, os bandidos estão aproveitando. Roubam celulares, já teve estudante que foi agarrada e conseguiu fugir. Com o mato alto é fácil para os ladrões esconderem.”
O bairro fica ao lado da Clínica São Bento Menni e, segundo Francisco, logo na entrada é ponto de prostituição. “Não precisa nem falar que o perigo que esse ponto de prostituição traz para nós. Não tem segurança, escola, ônibus, rede de esgoto, calçamento. Tem ruas que não tem como nem subir de carro, de tanto buraco que tem.”
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, o bairro não tem calçamento porque depende da Copasa instalar a rede de esgoto para a execução do serviço. Em nota, a Copasa disse que dentro dos compromissos previstos no Contrato de Programa firmado com o município de Divinópolis, encontra-se a implantação do interceptor Vila Romana, que irá atender ao bairro Jardim das Mansões. A implantação destes interceptores se dará de forma gradativa até 2016, já tendo se iniciado em outras regiões da cidade como o Icaraí, São Simão, Santa Lúcia e outras situadas na bacia do Rio Pará.

 


Crédito da foto: Pollyanna Martins

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