quarta-feira, 28 de Outubro de 2015 09:15h Atualizado em 28 de Outubro de 2015 às 09:26h. Pollyanna Martins

Bairros de Divinópolis ficam alagados durante tempestade de meia hora

Carros foram arrastados no bairro Sidil, vários bairros e pontos do centro da cidade ficaram alagados

As chuvas de final de ano nem bem chegaram e já causaram estragos em vários pontos da cidade. Carros foram arrastados, e vários bairros e pontos do centro de Divinópolis ficaram alagados durante meia hora de tempestade. Um dos maiores prejuízos causados pelas chuvas aconteceu no bairro Sidil. Três carros foram arrastados na Rua Paraíba. Segundo os moradores o problema é antigo, e o início de uma obra em um lote agravou a situação.
Na hora da tempestade era impossível passar pela rua. Os carros foram arrastados por dois quarteirões, e ficaram danificados. O engenheiro, Ângelo Costa Neves mora na Rua Paraíba há 13 anos e conta que luta para que a rede pluvial da região seja refeita, pois está sobrecarregada. De acordo com o engenheiro, o problema foi agravado depois que o proprietário de um lote em frente a sua casa, iniciou uma obra e descarregou caminhões de terra para aterrar o lote. “Aqui só dá enchente quando tem uma chuva muito forte, e essa chuva nem foi tão forte assim. O problema piorou, pois em agosto o proprietário do lote em frente jogou mais de 100 caminhões de terra aqui, porque ele previa fazer uma construção. Só que ele fez isso sem a autorização da Prefeitura”, detalha.
Os moradores fizeram um abaixo assinado em 2014 e conseguiram embargar a obra, mas o proprietário do lote não foi notificado para retirar a terra do local, ou fazer uma contenção. Nas primeiras horas de chuva, a terra cedeu e entupiu a tubulação da rua. “A Prefeitura embargou a obra, não deixou jogar mais terra, porém nós avisamos que esta terra solta, sem um concreto para segurar ela, iria entupir a tubulação existente. Uma tubulação já frágil, que não suporta a água de chuva da bacia toda, e que é a única forma de escoamento de água nesse ponto baixo do Sidil”, explica.
Os moradores ficam com medo da situação, pois no ano passado uma adutora se rompeu na Rua Coronel João Notini, e abriu uma cratera no quarteirão, em que o quintal de uma casa foi levado junto com a terra. O problema já havia acontecido em 2009 e se repetiu em 2014. Na época o Secretário Municipal de Operações Urbanas, Dreyfus Rabello explicou que “no passado foi feita uma obra, há mais de 30 anos, e com o passar do tempo, uma caixa, que até a administração desconhecia, se rompeu, fazendo com que ela fosse ‘lavando’ por debaixo das manilhas que ali existiam. As manilhas acabaram arriando e entupindo, com isso criou-se uma cratera”.

 

 

 

TRAGÉDIA
Conforme Ângelo, os órgãos responsáveis pelas obras de Divinópolis já foram notificados sobre a situação da Rua Paraíba. No dia 24 de setembro, o engenheiro enviou uma carta à Prefeitura, a Defesa Civil e ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Divinópolis (CREA). “Já enviamos oficio para a Prefeitura, para a Defesa Civil, para a Secretaria de Planejamento que é quem cuida da fiscalização de obras da Prefeitura, todo mundo está ciente. No dia 24 de setembro eu mandei um texto para todas as autoridades falando sobre a tragédia anunciada”, reclama. O engenheiro questiona sobre as providências que serão tomadas a partir de agora. “Agora tem um agravante que é hoje, depois deste acontecimento a tubulação está toda entupida, e se vier mais chuva? Não é fácil desentupir esta tubulação”.
A advogada, Adriana de Oliveira Pereira mora no prédio ao lado do lote que está com a obra embargada e é síndica do edifício. Segundo ela, a luta é para que o dono do lote retire a terra do local, pois o medo é que o prédio não resista, caso alguma adutora rompa. “O lote tem vários pontos de vazão de água. O proprietário chegou e jogou a terra, tampando esses pontos de vazão. Nós conseguimos embargar a obra, mas ninguém o notificou para retirar a terra, então porque está tudo tampado, aconteceu isso aqui hoje. Nós queremos que o dono seja intimado a retirar essa terra o mais rápido possível. O medo que nós temos é de acontecer aqui igual aconteceu na [Rua Coronel] João Notini, nos pegar de surpresa, e trazer consequências até fatais. O que gente quer é evitar uma tragédia que está anunciada”, frisa.

 

 

 

SEMOUDS
O Secretário Municipal de Operações Urbanas, Dreyfus Rabelo esteve no local logo após o incidente. Quando questionado se Divinópolis estava resistindo bem às primeiras chuvas, o secretário justificou. “Divinópolis resistiu à chuva e está de pé. As ações que o homem possa ter provocado é que refletiu em algum desastre, em algum dano, mas isso é culpa do próprio homem. Aqui na Rua Paraíba, o corpo técnico vai vir para avaliar a situação, e avaliar as casa vizinhas também para ver se tem algum problema que possa abalar as estruturas das casas”, explica. De acordo com o secretário, será avaliado também se as manilhas estão entupidas.

 

 

CÂMARA MUNICIPAL
A Câmara Municipal ficou inundada durante a tempestade. Parte do teto de uma sala cedeu, atingiu dois funcionários, mas ninguém ficou ferido. A água invadiu várias salas, e após a situação ser controlada a Defesa Civil foi acionada e interditou o legislativo.

 

 

DIVINÓPOLIS
Os leitores do Jornal Gazeta do Oeste enviaram várias fotos através do WhatsApp, mostrando alguns pontos em que a cidade ficou alagada. Os bairros Ponte Funda, Santa Lucia, e Alvorada tiveram pontos de alagamento, assim como a trincheira da Rua Goiás. No cruzamento da Avenida Antônio Olímpio de Morais e Rua Sergipe a impressão que dava era que o Rio Itapecerica havia invadido o centro de Divinópolis. O problema também ocorreu na Rua Rio de Janeiro - bairro Santo Antônio, e na Avenida JK, no bairro Bom Pastor.

 

 

Créditos: Arquivo Pessoal
Créditos: Pollyanna Martins

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