quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016 09:01h Atualizado em 21 de Janeiro de 2016 às 09:04h. Pollyanna Martins

Bairros Grajaú e São Simão viram atoleiros com a chuva

A precariedade das ruas e as chuvas transformam as vias em verdadeiros atoleiros

Os bairros Grajaú e São Simão, em Divinópolis, viraram verdadeiros atoleiros com as chuvas que caem na região desde a semana passada. As ruas dos bairros, que são vizinhos, não são calçadas, e a consequência da chuva em vias precárias é virar um atoleiro. Os ônibus só vão até determinado ponto. Os moradores do bairro São Simão são os mais atingidos com a situação, pois o transporte público vai somente até o bairro Candidés, o que rende uma caminhada de aproximadamente 20 minutos para pegar ônibus.

 


O empresário, Rogério Teodoro dos Santos, mora no bairro há quatro anos, mas tem a irmã que mora há vinte anos na mesma rua. Segundo Rogério, desde criança, ele ia à região, e nada mudou. Nossa reportagem andou pelos bairros e constatou a falta de infraestrutura que os moradores enfrentam em sua rotina. Em algumas ruas é impossível entrar com um veículo, pois as crateras tomaram conta. Nas vias que é possível transitar, o cuidado deve ser redobrado, pois há buracos, e o risco de atolar é grande. O empresário conta que, como ele tem carro, leva, além dos filhos, algumas crianças vizinhas para a escola, para que não percam aula. “O ônibus não vem até aqui com a chuva. Semana passada tinha um [ônibus] sendo puxado por um trator. Então eu levo os meus filhos e algumas crianças também para a escola, para não perderem aula. Na hora de voltar, o ônibus para no [bairro] Primavera. Como que você deixa esses meninos andarem sozinhos por aí?”, indaga.

 


Promessas de políticos em época de eleição, o empresário já perdeu as contas de quantas foram feitas. Cansado de esperar por melhorias, o empresário e seus vizinhos pagam para ter um pouco de infraestrutura no bairro. “Aqui se a gente quer ter lote limpo, a gente que tem que pagar. Eu pago R$ 150 para um rapaz limpar os lotes ao lado da minha casa e o de frente, e o vizinho do outro quarteirão paga pra limpar do quarteirão dele, porque é insuportável o tanto de cobra, aranha e escorpião que entra em casa”, reclama. Conforme Rogério, o dono de uma siderúrgica que usa o bairro para facilitar o acesso a sua empresa foi quem tomou a atitude de passar uma patrola em algumas ruas. “Além do dono da siderúrgica, teve outro empresário que arrumou o córrego que corta o bairro. Na época, eu achei que fosse a Prefeitura que tivesse arrumado, mas quando fui ver era um empresário”.
Solução para os problemas de infraestrutura e transporte público já foram pedidas várias vezes, mas nenhuma foi atendida. Indignado com a situação, o empresário dispara. “Como que a gente pode pagar imposto vivendo desse jeito? A iluminação pública aqui é precária também, dá medo de sair na rua à noite; se a gente quer um refrigerante, tem que andar até o [bairro] Candidés, posto de saúde é lá também. Nós não temos nada aqui. Eu troco com os moradores do centro o asfalto deles que está soltando, por essa lama que está aqui”, enfatiza.

 


GRAJAÚ
Quando a nossa reportagem chegava ao bairro Grajaú, por meio do bairro Del Rei, flagramos um motorista de ônibus tentando passar com o veículo no acesso precário. Uma cratera se abriu em toda a extensão da via e fez com que o motorista manobrasse várias vezes. Nesta mesma via, os carros que transitam em sentidos opostos devem encostar e esperar que um passe, pois só de um lado dá para passar. Os buracos tomaram conta da rua.
Há mais de um ano, o Gazeta do Oeste acompanha a situação da Rua Quatro, que a dona de casa, Fabiana Cardoso, mora. Cada vez que a nossa reportagem volta ao local, a situação é pior. Em setembro do ano passado, a rua estava tomada por buracos. Hoje, a via se transformou em uma trilha, pois além dos buracos, a rua está tomada pelo mato alto. “Cada vez que vocês voltam aqui, a situação só está pior. Com essa chuva, o transporte às vezes vem, porque atolam no meio do caminho. Tem motorista que arrisca vir aqui, mas tem motorista que não arrisca. O pessoal do São Simão tem que vir até aqui na caixa d’água e pegar o Candidés pra poder pegar ônibus”, conta.

 


Segundo a dona de casa, além do problema com o transporte público, os animais peçonhentos invadiram as residências do bairro, por causa do mato alto. Fabiana conta que já matou cobras na porta de casa. O filho da dona de casa também já matou duas cobras filhotes no banheiro da residência. “Na rua, não pode brincar, quer dizer, não tem rua, tem uma trilha que parece o caminho da roça. A presidente do bairro pede para passar patrola, para vir a capina, para pelo menos dar uma melhorada pra gente, mas não vem nada. Eu já matei aranha em casa, escorpião. Não tem como os meus filhos colocarem um colchão no chão para ver TV, por causa de filhote de cobra. À noite a gente escuta os ratos andando em casa. Nada é feito pra melhorar a nossa vida aqui”, conclui.

 


PREFEITURA
A Prefeitura de Divinópolis informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as obras de asfaltamento nos bairros começarão na primeira semana de março. Serão asfaltadas as ruas onde os ônibus passam.

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