quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016 09:36h Atualizado em 11 de Fevereiro de 2016 às 09:41h. Pollyanna Martins

Bispo faz a abertura da 4ª Campanha em Perspectiva Ecumênica em Divinópolis

O tema deste ano será “Casa comum, nossa responsabilidade”, que abordará temas como saneamento básico, lixo e desperdício

O Bispo Dom José Carlos fez ontem (10) a abertura da 4ª Campanha em Perspectiva Ecumênica em Divinópolis, que, este ano, terá o tema “Casa comum, nossa responsabilidade”. Esta é a 52ª campanha que abordará uma atenção especial sobre o planeta Terra. De acordo com o bispo, desde que iniciou, em 1964, o tema ecologia já foi abordado outras vezes. Dom José ressalta que a questão é grave e demanda conversões urgentes. “O tema deste ano quer, sobretudo, pensar, refletir, trazer à tona a questão do saneamento básico”, informa.

 


O texto base da campanha avalia que saneamento básico significa abastecimento de água potável, esgoto sanitário, limpeza urbana, manejo do lixo, e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Segundo o bispo, a população deve mudar o seu comportamento, fazendo a utilização correta da água, incluindo o reuso, sem desperdício. “Por exemplo, a água do banho ser utilizada para a descarga do vaso sanitário, a água da chuva ser aproveitada para aguar as plantas, para lavar o terreiro, e para outras finalidades. Esse uso racional, inteligente, da água é uma questão que nós temos que pensar para a vida do planeta”, ressalta.

 


O bispo ressalta que o saneamento básico não tem tanta atenção política quanto deveria ter. De acordo com Dom José, há uma despreocupação do poder público com o assunto. O bispo enfatiza ainda que o saneamento básico é uma obrigação do poder público. “Se a gente percebe uma política de privatização, é perigoso, porque se sou eu que assumo com a minha empresa o saneamento básico, eu vou cobrar por isso. Hoje é um problema real. Cada município deveria ter o seu plano municipal de saneamento básico, e com ajuda financeira do Governo Federal”, critica.

 

 


PEOCUPAÇÃO
Dom José reforça que a preocupação com o saneamento básico está direcionada apenas às comunidades urbanas, centrais, onde estão os mais ricos, que podem exigir diretamente do poder público. O bispo defende que as periferias urbanas e as comunidades rurais devem ter acesso ao saneamento básico, incluindo esgoto, água potável, e o recolhimento do lixo. De acordo com Dom José, o assunto será abordado nas missas e também nos Grupos de Reflexão. “Há um material preparado para pequenos grupos de família, e esses pequenos grupos vão refletir sobre a problemática. Ali podem se perguntar, e levar como dever de casa: na nossa rua tem esgoto? No grupo de reflexão todos falam. Inclusive, podem até se organizarem e pedir ao vereador do bairro, ao prefeito da cidade, que deem explicações sobre esta ou aquela matéria”, explica. O bispo atenta ainda para o fato de o saneamento básico estar ligado diretamente à saúde pública. “Nós percebemos que muita gente, principalmente crianças, morre por falta de saneamento básico”, ressalta.

 


A campanha frisa ainda, que o saneamento básico é uma obrigação do Estado, garantindo a todos um serviço de qualidade e universalidade do serviço. A falta de saneamento básico é realidade em vários bairros de Divinópolis. Os moradores dos bairros Terra Azul, Costa Azul, Jardinópolis, entre outros ainda não têm rede de esgoto em suas casas. Além de trabalhar o assunto nas missas e nos Grupos de reflexão, o bispo irá, hoje, às 14h, discutir a campanha na Câmara Municipal. “Eu vou à Câmara Municipal para dizer que esta é a reflexão que a Igreja está fazendo em todo Brasil. Independente de eu estar ou não aberto à Igreja Católica que aborda o tema, eu estou no planeta, eu sou também consumidor e desperdiçador. Eu preciso aprender a usar a água, o lixo, o esgoto, enfim. O que a gente quer é onde for possível cutucar os poderes públicos”, frisa.

 

 


GESTO CONCRETO
O texto da campanha prescreve um gesto concreto para todo o Brasil. De acordo com Dom José Carlos, o Gesto Concreto deste ano será feito com duas atitudes. A primeira será consumir menos e a segunda será desperdiçar menos. “Os dois deveres de casa que a Campanha quer sugerir em nível nacional”. O bispo reprova ainda a conduta da humanidade, que, atualmente, consome mais do que precisa. Dom José reforça ainda que há hábitos práticos que podem evitar o desperdício. “Existem coisas muitos práticas que ninguém vê, só Deus e eu. Por exemplo, eu estou escovando os dentes com a torneira aberta ou fechada? Eu estou tomando banho de 10 minutos ou de meia hora? São atitudes pequenas que vão gerar uma conversão, uma conversão que se aprende e se ensina”.

 

 


LIXO
Outro ponto que será abordado na campanha é a produção de lixo. Dom José Carlos questiona se a população está agindo adequadamente, como por exemplo, se está separando corretamente os resíduos que produz. “Há um cuidado com a reciclagem daquilo que pode ser reciclado? Há um aterro sanitário para receber o lixo que tem que ser tratado desta forma?”. Dom José Carlos afirma ainda, que fica espantado, pois existem recursos para que serviços de qualidades estejam disponíveis para a população, mas não são feitos. “O que me espanta, pessoalmente, é o fato de nós termos recursos destinados do Governo Federal, e isto não está tão disseminado entre nós como deveria estar. Alguma coisa tem que ser repensada”, conclui.

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