quarta-feira, 3 de Agosto de 2016 15:08h Atualizado em 3 de Agosto de 2016 às 15:09h. Pollyanna Martins

Cal é derramada em rua e comerciantes e moradores ficam de mãos e pés atados

A substância foi derramada por um caminhão no início da tarde e, até às 16:30h, o problema não havia sido solucionado

POR POLLYANNA MARTINS

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Moradores e comerciantes da Rua Itamarandiba, no bairro bom Pastor, em Divinópolis ficaram de mãos e pés atados na tarde de ontem (2), quando cal foi derramada na via. De acordo com o dono de uma padaria, Fernando Santos Cassiano, o material caiu de um caminhão por volta das 13h e o motorista não parou para retirá-lo da rua. Conforme o empresário, não teve como anotar a placa do veículo e, ao notarem que a situação era complicada, ele e outros comerciantes da rua acionaram o Corpo de Bombeiros. “Nós ligamos no Corpo de Bombeiros e eles falaram que não é de responsabilidade deles, que não poderiam deixar de atender uma ocorrência para atender a gente aqui, porque não era serviço deles”, relata.

Fernando conta que, após ele, os comerciantes e os moradores da rua ligarem duas vezes para o Corpo de Bombeiros e não terem resposta, eles resolveram acionar a Prefeitura. Conforme o comerciante, ao ligar para o órgão, foi informado que nenhuma providência poderia ser tomada, pois não havia servidores disponíveis para executar o serviço. “Todo mundo ligou para lá [Prefeitura], eles falaram que não tem homem disponível, que não era serviço deles também”, narra. Depois da segunda negativa e o pó tomando conta das lojas, o presidente do bairro colocou cones na via para tentar impedir a passagem de veículos, e assim amenizar a situação, mas foi impedido pela Polícia Militar (PM). “A Polícia [Militar] falou que a gente não podia fazer isso, que nós não éramos autoridade nenhuma para fazer isso”, informa.

Ainda segundo Fernando, em uma das ligações à Prefeitura, o presidente do bairro ouviu que os moradores e comerciantes teriam que alugar um caminhão pipa para fazer o serviço, e jogar água no local. “Eles falaram que nós mesmos tínhamos que juntar a cal, retirá-la da rua e depois jogar água, que nós teríamos que resolver”, reclama. Por causa do pó derramado na rua, os comerciantes jogaram água em cima do produto para tentar aliviar o problema, mas não conseguiram. Revoltado com a situação, o comerciante questiona quem irá arcar com o prejuízo, uma vez que ele trabalha no ramo de alimentos e foi prejudicado pela situação. “Se eu fechar as portas, quem vai arcar com o prejuízo? A minha loja está tomada por cal, o piso é branco, mas de longe dá para ver o pó. Nós procuramos solução, mas a Prefeitura não tem, o Corpo de Bombeiros não tem e a Polícia Militar também não”, reivindica.

MAL À SAÚDE

Nossa reportagem esteve no local por voltas das 16:30h e a situação não havia sido solucionada. A cada veículo que passava pela rua, uma nuvem branca do material se formava e invadia casas e lojas do quarteirão. Além do transtorno causado aos comerciantes da rua, o pó químico derramado deixou ainda todos preocupados com a saúde, uma vez que o material é contaminável. “Fica a preocupação com a saúde. Eu não aguentei e tive que ir em casa um pouco, porque ninguém aguenta ficar na loja com essa cal aqui, não tem condições de a gente trabalhar”, reclama.

PREFEITURA

No final da tarde, agentes da SETTRANS estiveram no local e interditaram uma parte da via. Os agentes disseram ao empresário que um carro do Corpo de Bombeiros iria à rua para retirar o material. A Prefeitura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o material é contaminante e o órgão não tem profissionais capacitados para retirá-lo do local, sendo que a responsabilidade é do Corpo de Bombeiros.

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