quarta-feira, 11 de Novembro de 2015 08:41h Atualizado em 11 de Novembro de 2015 às 08:46h. Pollyanna Martins

Calendário básico de vacinação infantil está incompleto por falta de vacinas

Em Divinópolis, as vacinas contra a hepatite A e a tetraviral, contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela acabaram nos estoques

O calendário básico de vacinação infantil está defasado em Divinópolis. Na cidade, as vacinas contra a hepatite A e a tetraviral - contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela - estão em falta na Secretaria Municipal de Saúde (Semusa). Nossa reportagem percorreu alguns postos de saúde do município, e apenas no posto de saúde do bairro Bom Pastor uma mãe conseguiu vacinar seu filho.
No posto de saúde do bairro São José, a situação é preocupante. A dona de casa, Rafaela Yasmin, levou o seu filho, de três meses, para tomar a vacina meningocócica C, mas não conseguiu imunizar o bebê. De acordo com a dona de casa, esta é a segunda vez que ela foi à unidade e não conseguiu vacinar Davi. “Ele vai fazer quatro meses dia 15, e tem que tomar a vacina de meningite, [o] trouxe aqui no posto e falaram que não tem, só isso. Ele tinha que ter tomado essa vacina com três meses, vai fazer um mês que eu venho aqui e não consigo encontrar a vacina”, reclama.
Além dessas vacinas, o município também teve falta da BCG. A dona de casa, Érica Aparecida Quirino, também esteve na unidade à procura da vacina antitetânica, mas não encontrou. Érica conta que cortou o pé e o médico indicou que ela tomasse a vacina. Para isto, a dona de casa procurou o posto de saúde, e foi informada que lá não tinha a vacina, e que a geladeira onde as vacinas são armazenadas estava estragada. “O médico pediu para eu tomar a antitetânica, eu vim aqui e não tinha, me falaram que estão sem geladeira, e que era para eu ir no posto de saúde do centro para tomar a vacina. A minha esperança é chegar lá e conseguir tomar a vacina”.

 

 

SEMUSA
De acordo com a enfermeira da central de imunização da Semusa, Raquel Silva Assunção, no município está em falta: a vacina contra a hepatite A, a tetraviral - contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela – e a HPV. Raquel explica que as vacinas são enviadas pelo Ministério da Saúde, e que o problema está na produção dos laboratórios. “O Ministério está mandando um percentual de 40% e 60% das vacinas que todos os municípios recebiam. Os laboratórios que produzem as vacinas estão fazendo uma mudança na produção da vacina, e com isso, eles estão trabalhando com a quantidade mínima. Todos os municípios do país estão na mesma situação de recebimento de vacinas”, informa.
Segundo Raquel, a situação do posto de saúde do bairro São José é atípica, pois a unidade teve um problema na rede de frios. A Semusa teve que recolher as vacinas para consertar o equipamento e, com isto, o posto está trabalhando com o quantitativo mínimo. “O que deve ter acontecido é que deve ter acabado o mínimo da rotina deles, mas nós temos disponíveis aqui a vacina da meningite e a tétano”, explica.

 

 

ORIENTAÇÃO
Outra vacina que tirou o sono dos pais dos recém-nascidos foi a BCG. Muitos não encontravam as vacinas nos postos de saúde da sua região. Conforme Raquel, a vacina era fornecida no Hospital São João de Deus (HSJD), e devido a esta baixa no envio das doses, foi necessário readequar a vacinação. A vacina está disponível na segunda-feira no CSU, na terça-feira no posto de saúde do bairro Ipiranga, na quarta-feira no bairro São José, na quinta-feira no posto de saúde central, e na sexta-feira no bairro Bom Pastor. “A gente procurou fazer uma distribuição que desse para a população circular dentro da cidade, procurando colocar uma unidade em cada dia da semana, para poder vacinar o máximo possível de crianças”, esclarece.
Quanto às vacinas que estão em falta, a enfermeira diz que ainda não tem previsão para que o estoque seja regularizado. A vacina tetraviral está sendo aplicada por meio de duas vacinas: a triviral e a varicela, que fazem o mesmo efeito. A indicação é que os pais procurem as unidades de saúde para se informarem se a vacina já está disponível. “O problema é que a varicela não veio o quantitativo necessário, veio em doses inferiores. Nós estamos tentando não deixar as unidades desabastecidas. Nós temos, hoje, 35 salas de vacinas, à medida que as vacinas vão chegando, nós vamos fazendo esta distribuição, para que a gente possa ir vacinando aos pouquinhos a população. Quanto à hepatite A e a tetraviral nós não temos previsão. A gente sabe que é cansativo, mas os pais devem ir às unidades para acompanhar”, conclui.

 

Créditos: Pollyanna Martins

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