segunda-feira, 9 de Dezembro de 2013 04:22h Mariana Gonçalves

Caminhada será realizada em homenagem ao dia do palhaço

Para comemorar o dia do palhaço, será realizada em Divinópolis a “2ª Grande Palhaçada”. O evento está agendando para o dia 10. Conforme explica José Carlos Gomes, popularmente conhecido como Palhaço Fartura, à concentração para a caminhada será às 16h na Praça da Catedral.
O trajeto será as principais ruas da cidade até chegar à frente da sede da Câmara Municipal, quarteirão fechado da rua São Paulo. “Pretendemos sair da praça por volta das 17h e ir em direção a Câmara, lá vamos realizar várias atividades com crianças de algumas escolas convidadas” completa.
De acordo com o Palhaço Fartura, o objetivo do evento além de homenagear as pessoas que já trabalharam e as que ainda trabalham como palhaço é promover a alegria à comunidade. “Chega de tristeza, as pessoas estão muito sofridas precisando de carinho, dedicação, alegria e sorrisos. Então vamos proporcionar esse momento de lazer e descontração” afirma.
Na ocasião, serão lembrados nomes como o do palhaço “Coquinho” primeiro artista desse segmento em Divinópolis. E o palhaço “Carequinha” que inclusive, serviu de inspiração para a formação do irreverente fartura. “O Carequinha era um palhaço educativo, não fala palavrão. O seu modo de trabalhar era fazendo músicas educativas para as crianças e isso me chamou a atenção” conta.
Por se tratar de uma caminhada, o evento é aberto a todos os munícipes. “Convido toda a população de Divinópolis a participar conosco desse grande dia. Mesmo aqueles que não trabalham como palhaços, podem vir participar porque lá na hora da festa vamos distribuir o “nariz” (acessório característico do personagem) como um presente para que todos entrem no clima” salienta o Palhaço Fartura.
Gomes, responsável por dar vida ao Palhaço Fartura, diz que hoje a figura do personagem não é somente utilizada em circos, a brincadeira saiu do picadeiro e ganhou uma importância bem significativa. “Tem grupos de palhaços que fazem trabalhos em hospitais eu até participo, mas, não aqui em Divinópolis porque a cidade já conta com a turma da Cidah Viana. Já estou há anos nessa profissão e gosto muito, ver o brilho no olhar das crianças o sorriso que despertamos com as brincadeiras, tudo isso é muito importante e é o que me motiva a continuar fazendo esse trabalho”enfatiza. 

PROFISSÃO MILENAR

Por mais de mil anos, em várias partes do Oriente (como Malásia, Burma e o Sudeste da Ásia) os palhaços apareciam em teatros, mesmo em representações religiosas, eram conhecidos como “Lubyet” (homens frívolos), e atuavam como desastrosos assistentes dos personagens príncipes e princesas.
Na Malásia se chamavam “P'rang” e usavam horrendas máscaras de bochechas e sobrancelhas enormes, cores carregadas e um grande turbante, criando uma figura pavorosa.
Alguns dos melhores palhaços asiáticos vêm de Bali, os personagens mais populares e que ainda se podem ver são os irmãos Penasar e Kartala. O primeiro aparece sempre preocupado e angustiado, e nunca deixa de comportar-se bem. Já o segundo não faz nada do jeito certo, senão tudo ao contrário.
Na antiga Grécia, há mais de 2.000 anos, os palhaços faziam parte das comédias teatrais. Após a apresentação de tragédias sérias, eles davam sua própria versão do fato, onde os heróis apareciam como idiotas. Seu alvo preferido era Hércules, mostrando que suas façanhas aconteciam mais pelo acaso do que intencionalmente.
Também na antiga Roma existiam diversas classes de palhaços; dois deles eram Cicirro, que se caracterizava com uma máscara de cabeça de galo e cacarejava movendo os braços, e Estúpido, com gorro pontiagudo e roupa de retalhos. Os outros atores aparentavam estar enojados e batiam nos dois palhaços causando ainda mais risos entre o público.
Já no início da Idade Média, com os teatros fechados, artistas perambulavam por toda parte para atuar onde pudessem, para sobreviver, participando de feiras em várias regiões. Na Alemanha e na Escandinávia eram conhecidos como “gleemen”, e na França, “jongleurs”. Em épocas mais festivas, grupos de mímicos apresentavam danças e comédias nas feiras.
Foi também na Idade Média que surgiu a figura do bufão, ou “bobo da corte”; alguns eram realmente “bobos”, mas a maior parte era formada por palhaços inteligentes que se faziam de estúpidos para alegrar às pessoas.
Na Alemanha, eram chamados de “alegres conselheiros”, pois, em suas agudas observações, incluíam bons conselhos.
Ainda durante a Idade Média os palhaços atuaram nos teatros pouco a pouco “reabertos”, principalmente em comédias religiosas, representando o “diabo”, os “vícios”, a estupidez e o mal. Muitas vezes o narrador era um palhaço que mantinha a platéia entretida, atenta, e explicava melhor a história. Cada vez mais o papel do palhaço foi se tornando importante, ressaltando os contrastes, até que William Shakespeare mostrou que o palhaço podia não só fazer rir, como fazer chorar, e tornar ainda mais dramáticas as cenas trágicas de uma obra, os palhaços passaram a ser tão importantes, nessas representações, quanto os atores sérios de grandes clássicos do teatro.
No século XVI, na Itália, surge a “Comédia de Arte”, com companhias e personagens que se tornaram muito populares. Cada um vinha de uma região diferente da Itália e tinham características marcantes que os tornavam facilmente reconhecíveis. É o caso do Arlequim, com sua roupa de retalhos; o Pantaleão, veneziano, e de vermelho; Briguela, de branco e verde; Polichinelo, de branco e gorro pontiagudo; o Doutor, de negro e o Capitão, com sotaque espanhol e roupas militares. Esses personagens tinham características muito definidas e seus papéis eram quase sempre os mesmos e se tornaram tão famosos que os atores eram mais conhecidos pelos personagens que interpretavam do que por seus próprios nomes.
Da Itália, a Commedia del'Arte se estendeu por toda a Europa, adaptando-se a cada país, como na Inglaterra, onde, por exemplo, Pulcinella se tornou Mister Punch, personagem conhecido até os dias atuais, ou o Pierrot, transformado em “clown”, sendo que o mais famoso foi Grimaldi.

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