quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015 09:44h Atualizado em 19 de Fevereiro de 2015 às 09:53h. Lorena Silva

Campanha da Fraternidade deste ano discute relação da Igreja com a sociedade

Em Divinópolis, campanha foi apresentada ontem pelo bispo da Diocese, Dom José Carlos

A Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é “Fraternidade: igreja e sociedade”, e lema “Eu vim para servir”, foi lançada oficialmente ontem pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em Divinópolis, a 51ª Campanha da Fraternidade foi apresentada ontem à tarde pelo bispo da Diocese, Dom José Carlos de Sousa, no Centro Diocesano de Pastoral. O objetivo do movimento é aprofundar o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade.
Dom José deu início à abertura da campanha citando que, desde que começou em 1964 já foram abordadas diferentes temáticas, inicialmente mais voltadas para uma reflexão sobre a Igreja. Depois, a campanha passou a tratar de problemas ligados à vida da sociedade, o que tem sido uma marca nos últimos anos – principalmente no tema abordado nesta campanha.
“Estamos de fato no tempo da quaresma também colocando nosso olhar de Igreja sobre o mundo. Tentando não olhar só para o próprio umbigo, tentando não apenas rever as estruturas internas, que também demandam muita reflexão. Mas é preciso olhar para fora, já que a Igreja está no mundo e a serviço do mundo”, pontuou o bispo.
Segundo Dom José Carlos, o lema da campanha – que foi retirado de uma parte do versículo 45 do capítulo dez do evangelho de Marcos – pretende recuperar a dimensão de serviço que cabe à Igreja. “Inclusive, a capa é bem sugestiva, é o papa Francisco em uma celebração de lava-pés, onde ele fez essa liturgia em Roma em um presídio e lavou os pés de doze presidiários”, exemplificou.

 

DESAFIOS PARA REFLETIR
Em seguida, Dom José introduziu o texto base da campanha, apresentando alguns dos desafios que estão contidos no documento que, segundo o bispo, mostra a realidade na qual a Igreja Católica está inserida no Brasil. O aumento considerável da população, a questão da violência e do consumo de drogas no país são alguns dos assuntos tratados pelo documento e que devem servir como base para a reflexão durante a campanha.
“Uma outra questão problemática é a própria urbanização. A população se multiplicou e não se multiplicaram as instâncias de atendimento dessa população. Não se multiplicaram os hospitais, as escolas. Temos um crescimento aceleradíssimo de pessoas e não se multiplicou a oferta de serviço”, destacou Dom José.
No entanto, segundo o bispo, uma das maiores bandeiras a ser defendida por meio da campanha é a da reforma política. “Estamos agora como Igreja Católica empenhados nesta coalizão pela reforma democrática da política, sobretudo focando a reforma eleitoral. É uma situação que está pendurada há anos. A reforma política já foi ao congresso pelo menos seis vezes e não sai de lá, não avança.”
Dom José explica que para que seja aprovado o projeto de Iniciativa Popular pela Reforma do Sistema Político Brasileiro é necessário recolher 1,5 milhão de assinaturas e até o último dado fornecido pela Assembleia dos Bispos, haviam sido recolhidas 600 mil. “Estamos empenhados na coleta de assinaturas em vista de uma pressão ao Congresso, mas há um desgaste, há quase que uma desesperança. Mas tem que se insistir nisso. Hoje, sem dúvida, a grande bandeira que a Campanha da Fraternidade pode e deve levantar é um pouco a questão da reforma política.”

 

CAMPANHA
Sempre lançada na Quarta-Feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade marca o início da quaresma, período de reflexão para os católicos e que antecede a celebração da ressurreição de Jesus.  A cada ano é escolhido um tema para despertar a solidariedade dos fiéis em relação a um problema enfrentado na sociedade.

 

Crédito: Lorena Silva

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.