terça-feira, 30 de Junho de 2015 09:56h Atualizado em 30 de Junho de 2015 às 10:00h. Pollyanna Martins

Cárcere privado sofrido por equipe da TV Candidés será discutido hoje na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

A reunião foi solicitada pelo deputado João Leite (PSDB) e pela deputada Celise Laviola (PMDB)

O cárcere privado sofrido por uma equipe da TV Candidés, no dia 11 de março deste ano, pela assessoria de imprensa da atual secretária estadual de Educação, Macaé Evaristo, vai ser discutido durante uma reunião hoje, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A reunião foi solicitada pelo deputado João Leite (PSDB) e pela deputada Celise Laviola (PMDB).
No requerimento feito pelos deputados, a finalidade da reunião é “debater denúncias de atentado à liberdade de expressão e da prática, em tese, dos crimes de cárcere privado e de lesão corporal, sofridos pela jornalista Nayara Lopes e pelo cinegrafista Yan D'masoyy, profissionais da TV Candidés”. Foram convidados para comparecer à reunião a secretária estadual de Educação, Macaé Evaristo, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Arnóbio Lopes Santos, o presidente da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt), Mayrinck Pinto de Aguiar Junior, o diretor da Escola Estadual Monsenhor Domingos, Kleuver Luis Alves Mota, o diretor de Jornalismo da TV Candidés, Flaviano Cunha, a repórter da TV Candidés Nayara Lopes, e o repórter cinematográfico da TV Candidés Yan D'Masoyy.
De acordo com a assessoria de imprensa do deputado João Leite, durante a reunião a Comissão de Segurança Pública irá ouvir ambas as partes e, assim, tomar as devidas providências sobre o assunto.  A repórter Nayara Lopes disse que não imaginava que o assunto teria toda essa repercussão, mas ficou feliz com a solidariedade de colegas de profissão e de outros veículos de comunicação que sensibilizaram com o assunto na época. “Eu acredito que o discurso de ódio deve ser combatido, mas liberdade de expressão é diferente, e as pessoas costumam confundir os dois termos. O que eu estava fazendo ali não era nada mais do que o meu trabalho diário. Eu não posso ser privada de levar a informação à sociedade e nem ficar calada quando isso ocorre. E isso não sou eu quem está afirmando, é o Código de Ética”, enfatiza.
A repórter informou ainda que estará na audiência, acompanhada do cinegrafista Yan D'masoyy e do diretor de jornalismo da TV Candidés, Flaviano Cunha. “Na audiência pública, teremos a oportunidade de falar mais uma vez sobre o ocorrido, e abrir os olhos de todos que se sentem no direito de calar profissionais de comunicação, para que isso não aconteça novamente”, ressalta. Além da equipe da TV Candidés, estão confirmadas também as presenças do presidente da Amirt, Mayrink Pinto de Aguiar Junior, e do presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Arnóbio Lopes Santos. Nossa reportagem tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa da secretária de Educação, porém as ligações não foram atendidas.
Entenda o Caso
No dia 11 de março deste ano, os repórteres Nayara Lopes e Yan D’masoyy estavam cobrindo a visita da secretária estadual de Educação, Macaé Evaristo, à Escola Estadual Monsenhor Domingo, quando a repórter solicitou à secretária: “me explica sobre a lei 10.639”, ao que a secretária respondeu: “nada foi feito sobre isso nos últimos doze anos”. Segundo Nayara, toda a confusão foi gerada após esta pergunta. “A Macaé queria regravar, falando que pouco havia sido feito nesse sentido, para não ofender a oposição, mas a própria assessora não quis deixar que ela gravasse de novo, e falou que eu cortava depois. Eu falei que tinha essa possibilidade, que a gente cortava depois, não tinha problemas. Só que quando eu saí da sala onde a secretária estava, eu e o cinegrafista fomos abordados por essa assessora”, contou.
A repórter relatou que, após sair da sala, a assessora abordou os jornalistas com hostilidade, exigindo que eles apagassem a entrevista. Assustados com o rumo que a situação estava caminhando, a repórter e o cinegrafista tentaram apagar o material direto na câmera, mas não conseguiram. “A gente ficou muito assustado na hora, nós tentamos apagar de verdade, a gente já estava com raiva daquilo, mas não conseguimos apagar. Nós ligamos para o nosso diretor de jornalismo, que nos orientou a ir embora e não apagar o material”, detalhou.
De acordo com Nayara, quando a assessora percebeu que a equipe iria embora sem apagar a entrevista, ela começou a ameaçar que iria processá-los, chamar a polícia e que eles não poderiam fazer isto, porque estavam desobedecendo a uma lei do governo. “Nesse momento, o diretor da escola começou a falar que também ia nos processar, ele falava ‘eu também processo, porque eu falei com eles que tinha visita, mas não falei que podia entrevistar a secretária’. No momento tinha um militante do PT, que até então, eu não conhecia, o Humberto Pozzolini, que já foi secretário municipal do Meio Ambiente, e começou a colocar lenha na fogueira, querendo ensinar o cinegrafista como mexia na câmera, tentando apagar a entrevista. Eles nos ridicularizaram o tempo inteiro”, enfatizou.
A equipe foi impedida de sair da escola de 11h30 até às 13h. A confusão só terminou com a chegada do diretor de jornalismo da TV Candidés, Flaviano Cunha. De acordo com Flaviano, ao chegar à instituição, ele encontrou uma situação constrangedora. “A minha equipe estava realmente presa na escola, eu fui recebido na porta da escola, e a negociação foi feita antes de eu entrar na instituição, que é pública. A primeira coisa que eu expliquei a eles foi que, este é um procedimento do jornalismo, que fere o Código de Ética. O material não pode ser apagado, porque a TV não forçou a secretária a conceder entrevista. Se houve, em algum momento, uma falha de protocolo, que foi o que eles alegaram, a assessoria tinha a liberdade de falar que não era para gravar entrevista”, detalha.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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