sábado, 30 de Janeiro de 2016 04:59h Atualizado em 30 de Janeiro de 2016 às 05:05h. Jotha Lee

Carro de vereador é parcialmente destruído durante a madrugada

Hipótese de intimidação não está descartada pela Polícia

Passava das 5h da manhã de ontem, quando um dos irmãos do vereador Edimilson Andrade (PT) saía de casa debaixo de uma chuva fina e constante. Ele reside com o vereador e a mãe à rua que leva o nome do pai, José do Rosário Andrade, na Vila Olaria. (O nome da rua foi oficializado pela lei 5.432/2002, de autoria da então vereadora Maria das Dores Manoel). Tão logo chegou à rua, ele deparou com o carro de propriedade de Edimilson Andrade, um Uno modelo 2001, parcialmente depredado. O veículo estava estacionado ao lado da casa, a menos de um metro da janela do quarto do vereador. Um tijolo foi usado para quebrar o parabrisa dianteiro e os dois pneus do lado direito do veículo foram cortados.
O vereador Edimilson Andrade, que é de família humilde e não possui grandes posses, utiliza o carro como um instrumento de trabalho e para uso familiar. Vendedor pracista antes de ser eleito em 2012, quando obteve 1.541 votos conquistando sua primeira eleição à Câmara, o vereador é conhecido em toda a região nordeste da cidade, especialmente nos bairros Niterói,São Luis, Espírito Santo e Vila Olaria, onde reside a mais de 30 anos. O vereador sempre morou naquela região e não admite em nenhuma hipótese que o ataque tenha partido de algum morador da área. Sua relação com a região e com os moradores é tão próxima, que ganhou o carinhoso apelido de Edimilson Niterói.

 

 


Ele revelou que chegou em casa na quinta-feira pouco depois de 22h e se recolheu logo. Como a residência não possui garagem, o carro foi estacionado na rua, ao lado do quarto do vereador, prática antiga sem que nunca tenha ocorrido nenhum tipo de vandalismo. Andrade disse ainda que teve a informação de que até as duas horas da madrugada de ontem, o veículo estava estacionado sem nenhum dano. Apesar de a região ser conhecida por um intenso tráfico de drogas, o vereador descarta qualquer possibilidade de relação entre uma coisa e outra. “Me relaciono bem com todos, não tenho nenhum inimigo e não houve nenhum incidente que justifique essa agressão”, garantiu.

 

 


INTIMIDAÇÃO
Edimilson Andrade suspeita que o ataque tenha ocorrido entre 2h e 5h da madrugada de ontem, porém não pode afirmar com segurança, já que não ouviu absolutamente nada, embora o carro estivesse estacionado a pouco mais de um metro da janela do seu quarto. “Ninguém ouviu nada, ninguém viu nada”, afirmou. A Polícia Militar esteve no local e verificou que nada foi levado do veículo. Até o fim da tarde nenhum suspeito do crime havia sido preso. A polícia trabalha com a hipótese de que o vandalismo por ter relação com a atuação política do vereador e tenha sido uma tentativa de intimidação.
Chama a atenção a forma como o carro foi danificado. O tijolo usado para quebrar o parabrisa foi deixado sobre os restos de vidro e os pneus foram totalmente rasgados por um objetivo cortante. Pela espessura do material de fabricação do pneu, pode-se concluir que o objeto utilizado para o corte da borracha tem lâmina longa e bastante afiada.

 

 

Embora não queira fazer nenhuma afirmação antecipada, o vereador também acredita que o ataque tenha sido uma tentativa de intimidá-lo e diz que é preciso chegar aos responsáveis. Ele diz ainda que seu trabalho como vereador acaba gerando alguns confrontos. “É uma coisa que tem que descobrir. A gente está mexendo com muita coisa, tem que peitar muita gente, pode ter alguém querendo intimidar”, avaliou. “Não roubou nada, foi só intimidação e o pessoal aqui do bairro está revoltado”, acrescentou.
Apesar da violência do ato, o vereador diz que vai continuar morando no mesmo local. “Moro aqui a vida inteira, ganhei a eleição e não quis me mudar e não é agora que eu vou sair, quero passar o resto da minha vida aqui”, ponderou. “Eu não estou preocupado por causa dos danos ao veículo, mas eu achei que foi um atentado contra uma autoridade constituída e contra um homem honesto e trabalhador”, avaliou. “Se tem alguém tentando me intimidar, não vai conseguir. Vou continuar meu trabalho da mesma forma”, finalizou.

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