quarta-feira, 16 de Maio de 2012 15:24h Flaviane Oliveira

Casos de câncer ligados ao trabalho são registrados em Divinópolis

Neste mês o Instituto Nacional do Câncer divulgou uma pesquisa que aponta os cânceres que podem ter ligação direta com o trabalho. São 19 os tipos de câncer que podem ser ligados ao trabalho e entre os principais estão os de pulmão, pele, laringe, bexiga e as leucemias. Os profissionais em risco vão desde cabeleireiros até pilotos de avião. O câncer ligado ao trabalho é mais comum que o câncer de útero no Brasil.
De acordo com  Angélica Nogueira Rodrigues, médica oncologista do Hospital do Câncer da Acccom, a pesquisa divulgada pelo Instituto do Câncer aponta que até 25 mil casos  de câncer no Brasil por ano tem como origem o trabalho das pessoas e isso sub-relatado, “O paciente que chega com a doença é tratado com  a doença e não é feita a correlação de que aquilo começou com um agente químico ou exposição solar durante o trabalho” analisa.
As principais formas de câncer relacionados ao trabalho são o câncer de pele, que se manifesta principalmente em pessoas que trabalham na agricultura e em exposição ao sol. A oncologista cita ainda outras formas da doença que estão ligadas ao trabalho, “Outras formas de câncer relacionadas ao trabalho redundam da exposição a agentes químicos e físicos. Então por  exemplo as leucemias, cânceres de nariz, de laringe, câncer de pulmão, bexiga e de fígado estão relacionados com a respiração de produtos tóxicos que podem levar a alterações locais na inalação direta que entra no nariz e no pulmão e podem causar efeitos a distância nos órgãos que eliminam  os tóxicos, os órgãos depuradores do corpo são o fígado e os rins e também podem causar alterações sanguíneas como a leucemia” explica.
Os profissionais que trabalham em contato direto com o sol por muito tempo estão mais sujeitos a ocorrência do câncer de pele. Angélica fala das formas de prevenção mais recomendados, “Usar o protetor solar que principalmente na zona rural tem uma adesão muito baixa, mas protetor solar evita câncer. Então com fator acima de 30 deve ser usado em todas as áreas expostas em todos os dias de trabalho. Acho que isso deve ser considerado até uma proteção obrigatória e acho que os patrões deveriam ter que ter obrigação, assim como tem que dar os IPIs, botas, máscaras, o protetor solar para quem trabalha exposto ao sol e a gente está falando da zona rural, mas também na área urbana, principalmente os garis. Existem alguns projetos de prefeituras que ao meu ver deveria ser obrigatório como ferramenta básica para evitar o câncer de pele. Além disso o uso de chapéu e mangas longas. Esse é um câncer muito frequente e a origem dele muitas vezes é no trabalho” ressalta a oncologista.

PREVENÇÃO
Os cânceres ligados ao trabalho são mais comuns em ambientes que tem poeira, pó de  amianto, que é sabidamente causador de um câncer de pulmão chamado mesoterioma. Então pessoas que trabalham com tóxicos, com produtos químicos tem a obrigação de usar as máscaras para não serem resistentes ao uso de Equipamento de Proteção Individual.
Angélica ressalta a importância da prevenção do câncer, “A diferença por exemplo de um acidente de trabalho que imediatamente você reconhece aquela relação com o trabalho, o câncer vai levar meses e na maioria das vezes anos para aparecer. Então a pessoa vai passar um tempo da vida exposto e sentindo poucas irritações e a longo prazo ela pode ter problemas muito graves. Daí a importância da adesão as materiais de proteção. Quem está exposto a fumaça, produtos químicos, poeiras industriais, isso tudo pode ter a longo prazo um impacto na saúde significativo” ressalta a oncologista.

CENTRO-OESTE
A oncologista afirma que na região há uma alta incidência do câncer de pele. Outro câncer encontrado de forma mais frequente é o de pulmão, “A região centro-oeste de Minas é uma região com muitas siderúrgicas e isso certamente se  relaciona com maior incidência de doenças respiratórias e provavelmente também do câncer. A dificuldade é documentar a causa com o efeito, porque na maioria das vezes isso demora anos, décadas para aparecer o efeito e as vezes a pessoa já saiu do trabalho dela, já houve muitos casos de pacientes e a gente pode falar que possivelmente fazendo essa estatística de Brasil, acredito que há 100 casos na região centro-oeste que por ano devem se correlacionar ao trabalho” finalizou.

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