sexta-feira, 27 de Março de 2015 10:09h Atualizado em 27 de Março de 2015 às 10:20h. Lorena Silva

Categoria não aceita proposta de governo e anuncia paralisação da rede estadual de ensino para terça-feira

No mesmo dia, assembleia em Belo Horizonte discute as propostas do Estado com os trabalhadores

Insatisfeitos com a proposta do governo de Minas Gerais com relação ao piso salarial e à carreira para os trabalhadores em educação do Estado, discutidas em rodadas de negociação desde fevereiro deste ano, a categoria anunciou uma paralisação das atividades para a próxima terça-feira (31). No mesmo dia, uma assembleia foi convocada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) com o intuito de deliberar sobre as propostas feitas pelo governador, Fernando Pimentel (PT).
A mobilização está marcada para ocorrer às 14h, no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte. De acordo com a diretora do Sind-UTE em Divinópolis, Marilda de Abreu Araújo, a expectativa é que a adesão dos trabalhadores no município chegue a 80%. “Em Divinópolis nós estamos visitando as escolas e dizendo da importância dessa paralisação. Há escolas que já disseram que vão aderir, outras vão discutir ainda”, relata. Atualmente, Divinópolis conta com aproximadamente 3,5 mil trabalhadores na base.

 

REIVINDICAÇÕES
A quinta rodada de negociações entre o governo e o Sind-UTE ocorreu na última terça-feira (24). A principal reivindicação dos professores é com relação ao piso salarial nacional, de R$ 1.917,78 que, segundo o sindicato, foi uma das promessas feitas por Pimentel durante campanha. No entanto, a proposta apresentada pelo governo foi conceder um abono de R$ 160 para a carreira inicial, a ser incorporado ao salário até abril de 2016 – excluindo os aposentados, que seriam contemplados apenas nas incorporações das quatro parcelas, mas não receberiam o abono.
“O piso de R$ 1.917,78 ele reconhece para ensino superior. Não nos interessa. Nós colocamos para ele que esse piso é para o ensino médio. Para chegar ao superior, daria em torno de R$ 2.500. O governo quis nos descaracterizar dizendo que a gente não tinha colocado essa proposta na mesa. Mas a própria simulação de tabela que o governo nos apresentou em uma das negociações coloca o vencimento da licenciatura plena diferente do que ele coloca hoje para nós”, argumenta Marilda.
Os trabalhadores ainda pedem a revisão de questões sobre a carreira e a extinção do subsídio. Outras propostas do governo que ainda precisam ser discutidas pela categoria seria a extinção dos níveis T1 (nível médio) e T2 (licenciatura curta) e a retirada dos níveis da carreira correspondente ao mestrado e ao doutorado, substituindo-os por duas certificações.  Ou seja, quem possuir mestrado passaria a receber uma gratificação de 5% do vencimento básico e doutorado uma gratificação de 10%. As certificações seriam regulamentadas posteriormente.

 

CONGRESSO
De 18 a 21 de abril do próximo mês, o Sind-UTE realiza o 10º Congresso do Sindicato e 22º Congresso dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação, em Contagem, região Metropolitana de Belo Horizonte. Além de definir os novos rumos do sindicato, a ideia é utilizar o evento também como um momento de mobilização da luta pelo pagamento do piso salarial e pela reconstrução da carreira – inclusive com realização de um ato no dia 21 de abril, em Ouro Preto.
Neste ano, o Congresso tem como homenageado o educador Luiz Fernando Carceroni, liderança sindical e exemplo de luta que se mobilizou pela criação da UTE, em 1979 - marco histórico no movimento sindical mineiro e brasileiro.

 

Crédito: Bruna Costa

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