quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016 09:14h Pollyanna Martins

Centro de equoterapia procura empresas para apadrinhar tratamento de crianças

A equoterapia é um processo terapêutico que utiliza cavalos como principal recurso para estímulos sensoriais, motores, educacionais, sociais e emocionais

O Centro Básico de Equoterapia em Divinópolis está à procura de empresas para apadrinhar o tratamento de crianças carentes, com necessidades especiais. O Centro está na cidade há dois anos, e realiza um processo terapêutico que utiliza o cavalo como principal recurso para estímulos sensoriais, motores, educacionais, educacionais, sociais e emocionais. O projeto foi uma iniciativa da terapeuta ocupacional, Naira Cândida Prado, que, após acompanhar duas desistências da proposta na cidade, começou o centro no Haras do Jefferson.
Após seis meses tratando crianças com autismo, paralisia cerebral, transtornos de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), síndrome de Down, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, dificuldade na aprendizagem, necessidades especiais ou distúrbios evolutivos, distrofia muscular e outros, a terapeuta ocupacional instalou a nova sede próximo à sede campestre do Estrela do Oeste Clube, onde está até hoje. A equipe é formada pela terapeuta, a fisioterapeuta, Kamila Freitas, e um estudante de fisioterapia. De acordo com a fisioterapeuta, 18 pacientes são atendidos no centro, com diversas patologias. Os pacientes fazem no tratamento fisioterapia e terapia ocupacional. “A gente trabalha tanto a parte motora, que é mais voltada para a fisioterapia, quanto a parte funcional, que é a parte de atividade funcional, que é mais voltada para a terapia ocupacional”, explica.

 


De acordo com a fisioterapeuta, um dos intuitos do projeto é fazer com que a criança especial se torne funcional. “Não adianta a criança vir aqui e a gente ficar treinando a criança levantar e abaixar o braço, sendo que isso não a torna funcional. A gente quer que a criança seja independente, funcional, e que ela faça as atividades diárias da vida, que é, por exemplo, lavar a mão, escovar os dentes, e pentear o cabelo”, esclarece. A Kamila explica que, além da rotina no centro, as mães são orientadas como agir com as crianças em casa. As mães recebem explicações de como abordar a criança, para que ela entenda o que deve ser feito. “A gente penteia o cabelo do boneco, que chamamos de paçoca, e penteia o da criança. Uma mãe já nos contou que pegou o filho escovando os dentes do boneco. É um exercício ‘escova o dente do paçoca, agora escova o seu dente’. Criança que tem alguma necessidade especial tem que ser trabalhada com repetição”, conta.

 


ROTINA
Conforme Kamila, existe um ritual a ser feito quando a criança chega ao centro. A fisioterapeuta conta que a criança é levada até o cavalo, cumprimenta o animal, e passa mão. “Nós estimulamos o cumprimentar ‘olha, dá bom dia’, porque a maioria dos nossos pacientes não fala, e com esse exercício, alguns já esboçam, tentam falar e isso é muito importante”, explica. Quando a criança tem dificuldade para se manter sozinha no cavalo, é feita a montaria dupla. Quando a criança consegue sentar no cavalo as profissionais a seguram, uma de cada lado. Já montada no animal, são feitos exercícios para estimular também a disciplina da criança. “O cavalo faz o movimento tridimensional, que é ótimo para a criança, porque é parecido com o movimento que nós fazemos com o nosso quadril quando estamos andando. E a gente acrescenta com as atividades, por exemplo, de pegar o bambolê de ‘tira o bambolê, segura, agora coloca no lugar’”, detalha.

 


MUDANÇAS
A terapeuta ocupacional conta que já houve mudanças perceptíveis em alguns pacientes. Naira conta a história de um paciente com síndrome de Down, que chegou ao centro com muito medo e insegurança. O menino no início não chegava perto dos cavalos, foi feito um tratamento para que, aos poucos, ele tivesse confiança e perdesse o medo. “No início, o paciente nem entrava na baia. Nós fomos conversando e mostrando a ele que o animal era dócil. Aos poucos, ele subiu no cavalo, fomos mostrando todo o processo com paciência. Hoje ele já está aprendendo a usar a rédea do cavalo, todo o processo dele durou um ano e meio”.

 


APADRINHAMENTO
Atualmente, o centro conta com três empresas apadrinhando algumas crianças. Conforme Naira, as empresas podem apadrinhar crianças especiais, que os pais não têm condições de custear o tratamento. A empresa faz um contrato de doze meses com o centro, e recebe a cada seis meses o relatório de desenvolvimento do apadrinhado. Além de custear o tratamento, a empresa pode fazer ainda a troca de serviço. “A gente quer oferecer o tratamento também para quem não pode pagar. Algumas pessoas trocam serviço, a gente calcula o valor e a pessoa presta serviço pra gente, e pra mim vale muito. Temos também o projeto com empresas. Elas podem apadrinhar a criança, e nós damos o recibo, que pode ser descontado no imposto de renda”, explica.


A terapeuta fez uma seleção de crianças que são tratadas na APAE, e também com a Associação Céu Azul, que trata de crianças autistas. “A gente dá prioridade para crianças carentes, que não têm condições de arcar com o tratamento de verdade”, ressalta. “Hoje nós temos três empresas que são parceiras do projeto. Um padrinho nos ajuda com parte do feno e ração para tratar dos cavalos. Mas, só ter o apadrinhamento não adianta, a criança tem que ter encaminhamento médico, ela tem que estar autorizada a fazer o tratamento, e o padrinho pode vir conhecer o afilhado”, informa.

 


FELIPE
Felipe, de 12 anos, é um dos pacientes do centro. Segundo a mãe do menino, Flávia Gomes Fonte Boa, o menino ainda não tem um diagnóstico definido sobre a sua doença. A mãe conta que Felipe nasceu normal, mas aos quatro meses do menino, ela percebeu que Felipe ainda estava “molinho”. Começou então a procura por diagnóstico e tratamento. Entre os tratamentos estão fisioterapia, terapia ocupacional, psicomotricidade, e fonoaudióloga. A quase um ano de tratamento no centro, a mãe conta que já percebeu mudanças em Felipe. “Ele era muito inquieto, e como com o cavalo ele precisa de disciplina, hoje ele está mais quieto. Eu consigo deixá-lo sentado e virar as costas por alguns minutos. Ele gosta muito daqui, porque é tratamento gratificante para a criança, não é maçante, como pegar a criança e ficar esticando menino, o cavalo, para ele, é uma brincadeira. Ele está sendo tratado e não sente isso”.


Para mais informações sobre o Centro, basta ligar nos números: (37) 99198-228 e (37) 98800-2288.

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